segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Sentimentos Confusos...

Hoje não tenho palavras para te dar. Tenho um imenso silêncio de profunda tristeza e indignação.
Nesta fase da minha vida só queria ter descanso. Uma paz tão grande que silenciasse tudo aquilo que dizemos sem querer. Ou que afinal até queremos. Só para que o outro saiba o que vai dentro de nós. Que sinta o mesmo, sem tirar nem pôr.  Magoar, tal como uma estaca que espetamos sem dó nem piedade, na alma ferida do outro que está sentado exactamente ao nosso lado. Por Amor.
Um Amor que jamais merecia um grito. Uma cara feia.
Mas mesmo os Amores mais do que Perfeitos têm estas coisas. Birras. Discussões. Amuos. Lutas por comandos televisivos, entre um jogo de futebol e um filme interessante, num outro canal qualquer.

Acho que foste injusto. Muito duro comigo. Mas não vou pedir-te absolutamente mais nada. Ficam na tua consciência todas aquelas palavras que me proferiste e que ainda me martelam o cérebro qual metralhadora a disparar em todas as minhas direcções.

Agora vou fazer aquilo que faço de melhor. Trabalhar.
Mais logo quando chegar vou colocar a máscara de Gata Borralheira e snifar umas boas doses de Cif. Lixívia e dar um jeito lá em casa. Assim deixo os pensamentos. Com as janelas abertas e uma imensa corrente de ar.
Assim, tudo o que de menos bom paira em mim, ver-se-á obrigado a sair.
Não esquecendo de ligar o portátil com a música a tocar em altos berros. Sons como: Please don't stop the Rain; Pink - Hearthbreaker; Michael Bublé, entre outros...
E a vida corre lá fora. Sem tempo para grandes pensamentos.

Faltam apenas 6 dias...

domingo, 22 de Novembro de 2009

Os meus pés também andam aqui...


Porque também tocaram em lugares muito especiais.

Foto da minha autoria. Junho 2009

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Faltam 10 dias...

Para a nova década.
A melhor, dizem alguns.
A mais sensível, dizem outros.
A ver vamos como será...

Ainda não marquei nada para festejar. Nem sei se me apetece.
Por estes dias vou ver o que quero fazer neste dia.
Daqui a dez dias.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Epá, há tanto tempo que não respondia a um desafio...


Porque a Di me desafiou, do blog Estados de Alma. E tem sido um prazer conhecê-la.
Então vá, as regras são:

1º Seguir as regras;

2º Levar o selo acima que identifica quem está, esteve ou estará no desafio;

3º Completar as seguintes frases:

a) Eu já ...
b) Eu nunca ...
c) Eu sei ...
d) Eu quero ...
e) Eu sonho ...

4º Depois de completar a frase com as respostas indicar 5 blogs para dar sequência ao desafio.

E as minhas respostas são:
a) Eu já...  desejei com muita muita força, desaparecer deste planeta...

b) Eu nunca... tive dúvidas em relação ao que queria para mim e para a minha vida.

c) Eu sei... que tenho um feitio muito complicado... mas continúo a tentar moderar o meu comportamento...

d) Eu quero... muito ser mãe. Ver e sentir a minha barriga crescer com o maior orgulho de todos...

e) Eu sonho... que o meu mundo está prestes a começar a existir e a fazer todo o sentido. E eu sei que vou realizar tudo aquilo com que sempre sonhei...

Quanto aos blogs nomeados, estão todos os que habitualmente passam aqui e com quem já estabeleci uma "relação a modos que de afecto"...

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Aos meus Amores de Sempre

Adoro sonhar convosco. Sinto-os presentes. Sinto toda a protecção que me dão. Anjos envoltos de nuvens branquinhas. Fofas e perfeitamente desenhadas no céu.
Sei que me guardam no coração como a mais bela das princesas que algum dia passou pelo vosso colo. Que o nosso Amor nunca se quebrou. Que o facto de terem partido, apenas fez com que o vosso corpo desaparecesse. O resto ficou dentro de cada um de nós. O Amor. A cumplicidade da vida. O afecto. Os laços que juntos construímos, quando passávamos as Férias de Verão juntos no Alentejo.

Esta noite apareceram-me num sonho. Lindo, Lindo.
Sei que só vieram visitar-me e garantir-me que tudo vai continuar a correr bem.
Que finalmente estão juntos e de mãos dadas como antigamente. Como aqueles Amores que a morte separa fisicamente, mas que perdurarão por toda a Eternidade.
Sim, eu ainda sou desse calibre. Acredito que seja possível, nos dias que correm, haverem Amores que duram e duram. Por Amor. Simplesmente. Sem interesses ou sem qualquer outro motivo pertinente. Que leva as pessoas a ficarem juntas. Nem elas sabendo muito bem porquê.

Quero acordar todos os dias ao lado daquela pessoa que escolher como companhia.
Quero que me espere de braços abertos. Que tenha paciência. Que me dê dois berros quando eu me armar em parva (e se for caso disso). Quero miminhos e pequenos-almoços fantásticos na cama.
E quero bébés. Três seria a minha conta certa. Mas aguardo pacientemente pelo primeiro. Depois o resto o tempo dirá.
Quero orgulhar-me da minha família. Sentá-los a todos à mesa e não precisar dizer nada, porque o brilho dos meus olhos o fará por mim.
Quero um Amor que dure para Sempre. Como o dos meus Avós que davam as mãos quando se sentavam no sofá para ver televisão. Cresceram juntos. Viveram juntos e nem a morte os separou. Porque eu sei que agora, o céu já os juntou de novo.
E assim, eu tenho duas Estrelas Lindas no céu. A olhar por mim. E a brilhar para mim.
São os meus Amores. Os que orgulhosamente carrego no peito.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Falhei à promessa da escrita.
O tempo passou por cima de mim. Mais uma vez.
Na 6º feira fui ao Teatro ver as "Vaginas" como me habituei a dizer. Foi muito giro, mas mesmo assim, a peça do ano passado "Confissões de uma Mulher de 30" foi melhor. Mas a São José Correia, é realmente um estrondo de mulher. Quer fisicamente, quer como actriz. Gostei imenso de a ver.
Foi fim de semana de matar saudades dos meus meninos. E foi muito bom. Mais do que perfeito. Estão enormes, inteligentes e lindos.
Passámos um dia óptimo no Ikea. Mas cansativo que doeu...
Mas eles adoraram a Smalland, tiveram pena foi de lá estar apenas uma horita.

No trabalho o stress persiste, mas a mudança está feita.
Agora posso abrir uma janela. Sentir o ar a entrar. Assim como ver o Sol e a brisa...
Não tem sido fácil lidar com muita coisa que por lá se tem passado. Mas há-que seguir e não dar importância.

Deixo-vos uma música pela qual me apaixonei hoje.
O filme August Rush, foi simplesmente lindo e perfeito para a tarde de hoje.
Enroscada numa mantinha do Ikea azul bébé, a comer castanhas assadas.
E agora tenho de me agarrar aos livrinhos, porque esta semana já vou ter o primeiro teste.
Agora vou meter-me ali na cozinha. Ando com desejos de comer um empadão de carne. E de hoje não passa...
Espero que gostem da música.


P.S. O actor é lindo. Aqueles olhos!!!

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Ando há que tempos para vir aqui escrever qualquer coisinha.
Mas o que é certo é que não tem dado. Os dias têm passado por mim e feito caretas muito feias.
Mas eu rio-me. Por vezes. Outras tantas há que, só me apetece virar monstro e desatar à chapada. À galheta, como diz o meu pai...
Mas os dias vão correndo. Ainda que eu mal tenha visto a luz do dia na última semana.
As coisas boas estão a chegar e isso é que interessa.
Amanhã espero ter condições para escrever alguma coisa de jeito.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Ser Feliz é isto...








Era uma vez uma menina que tinha o sonho de viver num lugar como este. Viver sonhos e planos construídos a dois, incluíndo outros três. Frutos de um Amor mais do que perfeito.
Estas imagens foram mesmo aquilo que eu vi. Que eu senti. Que precisava. O alento que o meu coração e a minha vida imploravam nos últimos tempos.
Conheci este lugar antigo, que levou um banho e está novo. Lindo e do mais caro que existe. Mas sonhar não implica custo.
Fui tão feliz durante os minutos que aqui permaneci. Que respirei a pureza que existe no Alentejo com o mar mesmo ali ao lado.
Ser feliz é isto. É inspirar e sentir o ar entrar a plenos pulmões.
É dar a mão com toda a força que temos. É partilhar um sorriso e um beijo. Cúmplice e único...

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Sou uma Revoltada...

Epá, sou e admito em voz alta e para quem quiser ouvir. Passo-me com determinadas situações, atitudes e afins.
Odeio aqueles chicos espertos que vão na faixa da direita (quem vai para Almada) e antes do traço contínuo se metem à minha frente com a maior cara de pau do mundo (para fazerem a travessia da Ponte 25 de Abril). Epá! Corrói-me por dentro. Depois solto a fera que há em mim e apito. E como Graças a Deus e aos Santinhos, o meu carro tem uma buzina bem afinada, é vê-los a gesticular todos indignados, porque eu lhes estou a apitar e a denunciar a sua infracção. Levantem o Cú mais cedo da cama e fiquem na fila, como todos os outros milhares que o fazem, Olha que m****!
Como hoje a cabra que se meteu à minha frente, de bracinhos no ar, a proferir palavras dentro do habitáculo do seu veículo! Estava muito indignada, coitadinha...
- Não tenho medo fofinha! Se quiseres sair daí, vamos lá a um "mano a mano" sem qualquer tipo de problemas. É que eu até preciso de aliviar esta raiva que desceu sobre mim nos últimos tempos!
Odeio que me façam de otária!
Se eu fosse polícia (como gostaria) pedia apenas para me infiltrar nesta travessia e por dia, acreditem, arrecadava umas centenas de milhar de euros. Assisto diariamente a muito mais do que o chico espertismo. Ele é passarem duplos traços contínuos, manobras perigosas, entre outros.
Mas realmente o que me revolta mais é fazerem os desgraçados que até cumprem, passarem por parvos. Não suporto! E não vou deixar de apitar alto e bom som. Lamento!
E se alguém que faz isto me está a ler, que tome consciência que a vida custa a todos. E estar na fila também!
Otários do caneco!

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Só agora reparei nisto...

Nunca aqui falei de quantas visitas tinha. De quantas pessoas me seguiam. De quantos anos tem o blog. Até hoje.
E hoje falo sem qualquer data em especial.
O Blog foi criado em Janeiro 2006. Nem sequer fui ver o dia. Isso não importa.
É quase o meu melhor amigo. Confidente. A minha tábua de salvação quando quero chorar e depositar nele as minhas coisas.
Sempre escrevi para mim... E a pouco mais de 2 meses de completar 4 anos, vi no contador que estou a 5 visitas das 60.000.
Isto é muita visita. Tendo em conta que eu o visito algumas vezes (mas com os IP's mais frequentes bloqueados), é muita gente... é muito clique... muita leitura, ou muita cusquice...
Sim, porque eu sei. Há muita gente que vem aqui pra saber se eu estou bem, ou se eu ando por aí a chorar pelos cantos... Mas nem sempre o conseguem saber. E isso deve entristecer...
Muitas vezes os textos não são publicados nos dias dos acontecimentos. O que leva a que o que aconteceu ontem era uma coisa e hoje já é outra completamente diferente... as realidades estão em constante mutação... e pronto...
No entanto quero dizer que já conheci pessoas fantásticas através deste espaço. Pessoas que deixaram de ser leitores e passaram a ser amigos.
Quero agradecer especialmente a esses. O apoio, o carinho, as palavras. Aquelas que chegam na hora certa e em troca de nada.
E é isto que para mim tem todo o valor.

No entanto agradeço aos perto de 60.000 por mostrarem que o contador funciona...
Continuem aí. Que eu por aqui, caminharei ao vosso lado... sempre com muitos Segredos para partilhar...

P.S. (Epá, que gafe!!! Afinal foi dia 12 Fevereiro de 2006 - fui agora ver!!!! E o que esta data já foi especial para mim... enfim... ainda dizem que não há coincidências!!!)

Pois é,

Diz que no dia 3 de Outubro de 2010 vou estar algures num Estádio, numa Cidade que gosto muito, chamada Coimbra.
Vou aproveitar para passar um fim de semana tranquilo, com direito a visita ao Portugal dos Pequeninos.
Vou tirar muitas fotografias com a minha nova aquisição. (Prenda de Anos e de Natal adiantada dos próximos 5 anos)... Estou a brincar...
Mas cometi um excessozito nos últimos dias. Foi para combater o stress no trabalho. As mudanças e as tomadas de consciência do que está para vir.
Agora só falta comprar a nova agenda 2010, porque eventos é coisa que não falta para apontar...
E como vou estar em Coimbra na data que referi acima, vou aproveitar para ver o Concerto dos U2, que ao que parece, sabiam que eu ia lá estar, e resolveram aparecer...
Vamos ver o que mais me reserva em 2010...
Os planos são mais que muitos. E cada um melhor que o outro!
Vamos ver... vamos ver... uma coisa eu sei. Estará recheado de Segredos Cor de Rosa!

domingo, 18 de Outubro de 2009

E o fim de semana passou...


... e eu não meti no nariz na rua.
Recolhi-me dentro da minha concha e deixei os ponteiros avançar. Sem pressa e sem correrias.
Lembrei-me desta imagem porque me deu uma saudade do Verão. Da minha praia e da roupa leve e fresca. Sim, já sei que estão a pensar que estou louca, porque o calor continua aí. Mas não é o mesmo calor do Verão... aquele em que ao final da tarde me leva a uma esplanada a comer caracóis e uma seven up fresquinha... E agora, por muito que queira não há sítio algum onde eu possa ir comer caracóis com torradas de pão Alentejano.
Mas como há solução para tudo, em breve irei a Vendas Novas comer, não uma mas sim, duas bifanas. Óptimas, deliciosas, inigualáveis.
O fim de semana passou e eu recolhi-me dentro de mim própria. Refugiei-me em casa. De pijama vestido. Vi televisão e apanhei parte do meu filme preferido à bocado no canal Hollywood "O Amor Acontece" e como ando assim dada às sensibilidades, uma lágrima escapou quando o moço diz à moça que ela é perfeita para ele. Parabéns a quem escreveu aquela cena. Simplesmente magnífica.
E dormi. As semanas têm sido muito cansativas. Aulas e mais aulas. Trabalho até tarde e muitas mudanças profissionais.
Fez-me bem recolher. Encontrar-me. Ganhar forças para mais uma semana que aí vem. Nada fácil por sinal.
E o fim de semana passou... e trouxe-me saudades do Verão...

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Ódio de Estimação


Epá que me desculpem os donos e os amantes destas viaturas, mas eu tenho um ódio de estimação por estes carrinhos. Não consigo gostar deles nem à lei da bala.
Nem pensar.
Ainda no outro dia ia na auto-estrada cheia de pressa para a faculdade e uma amostra destas ia atrás de mim, cada travagem mais funda que fazia, o bem dito, abanava tanto, chegando mesmo  a ameaçar cair para o lado... assustei-me mais do que uma vez...
E sim, sei que tem motor Mercedes, e pode ser espectacular e tudo e tudo e tudo. Mas não me convence. Gosto de carros grandes. Robustos, confortáveis e onde caiba tudo e mais alguma coisa...
É quase o mesmo que com os cãezinhos a pilhas... Mas esses pronto. São seres vivos.
Agora isto? Não me conseguem fazer gostar desta amostra... de carrinho...

P.S. Imagem retirada do Google Imagens

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Gostar de alguém que não gosta de nós...

é ... como sentar sozinha numa mesa para jantar o nosso prato favorito. Acompanhada por um silêncio aterrador, entre uma garfada e outra...
é ... construir castelos no ar, esperando o que há-de vir, o que nunca chegará (e nós no fundo sabemo-lo) e tudo aquilo que gostávamos de partilhar com quem não quer partilhar nada connosco.
é ... alimentar o vazio que nos corrói as entranhas.
é ... tentar compreender o que não se compreende, porque nem sequer há matéria sujeita a entendimento.
é ... responder a porquês que surgem em cascata, cada um mais complexo que o outro.

O pior de gostar de alguém que não gosta de nós é quando nos dão miseras esperanças e nos acenam com uma possível e remota reviravolta no coração. Pura ilusão. Quem gosta demonstra sempre e fá-lo de um modo tão espontâneo e natural que nem se nota. Quem gosta não nos faz esperar. Não nos abandona e inventa uma desculpa esfarrapada. Não deixa de atender o telefone ou responder a uma simples mensagem escrita.

Gostar de alguém que não gosta de nós é o principio do deixar de acreditar. É o alimento para a desgraça até que esse sentimento passe ao lugar de arquivo.
É escrever cartas longas e penosas por forma a aliviar o que temos cá dentro. É insultar no silêncio das linhas que a caneta reproduz no papel. É o culpabilizar o nosso mal estar, esperando que vivam algo parecido para que saibam exactamente o tormento que estamos a viver.
É deixar de comer porque o estômago foi inundado de uma angústia que não precisa de alimento. Que cresce com o passar das horas e por vezes nem nos deixa dormir.

Gostar de alguém que não gosta de nós, pode ser o primeiro passo para mudarmos alguma coisa para melhor. Para nos conhecermos de um modo mais verdadeiro. Olharmo-nos com coragem ao espelho e percebermos que se essa pessoa não gosta de nós, ela é que perde. Mas até pensarmos desta forma, o caminho pode ser muito longo e tumultuoso, porque a tendência inicial é pensarmos sempre que algo está errado connosco e não com o outro...
Perfeito disparate.
Gostar de alguém que não gosta de nós ajuda-nos a crescer. A ser mais egoístas (em doses QB que também fazem falta), a olhar mais para o nosso bem estar. Porque um dia, vamos ter todo o gosto em sentarmo-nos a uma mesa e comer o nosso prato favorito, mesmo que à nossa frente não esteja ninguém, vamos sorrir.
Porque afinal demos conta do valor que temos. Enquanto seres. Enquanto mulheres e homens.
Gostar de alguém que não gosta de nós, faz-nos gostar ainda mais de nós próprios.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

O Arco-Íris

Foi a primeira coisa que vi quando a porta do meu prédio se fechou atrás de mim.
Lindo. Brilhante. Cintilante. Com umas cores super definidas. Estava rodeado de nuvens negras, assustadoramente carregadas de chuva.
Fui deitar o saco ao lixo e quando desci a rua fiquei estática a contemplar aquele cenário mais do que perfeito.
Entrei no carro. Não o tornei a ver. Mas interpretei aquela imagem como algo muito bom. Um alento.
Foi a minha inspiração de hoje.
Acho que é a maior e melhor expressão do céu para a Esperança. Porque do meio de umas nuvens negras, emanam aquelas cores fabulosas... Logo, tudo passa a ser possível na nossa vida. Basta que acreditemos.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Será que o facto de...

...não me maquilhar todos os dias,
não usar salto alto,
não perder muitas horas em frente ao espelho,
não passar a vida metida na esteticista e no cabeleireiro (vou lá algumas vezes, mas não faço disso um ritual semanal),
faz de mim menos mulher?

Uso um creme hidratante, tenho cuidado com as mãos e os pézinhos,
estico o meu cabelo, uso um bom shampoo e uma boa máscara...
Isto para mim chega. Sou diferente...

Às vezes dou comigo a pensar, como aconteceu hoje, em que estive quase 2 horas no trânsito e vi ene mulheres agarradas à base, às sombras, ao rímel... E fiquei a pensar nisto...
Será que toda esta indumentária é que faz uma pessoa ser mais mulher ou não????
Tenho as minhas coisas, mas definitivamente que não me acho menos que ninguém... Até porque tenho uma pele óptima (creio que saio à minha mamã nesse aspecto, que está a uns anitos dos 60 e tem uma pele invejável, como muitas de 40 não têm) e não sinto necessidade destes rituais diários de beleza... Até porque a simplicidade sempre foi uma das minhas principais características.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Uma década de Amor...

Fico tão feliz quando tenho ao meu lado pessoas que são felizes. Muito mesmo. Mesmo com desentendimentos, "burros amarrados", birras, ciúmes e outras tantas vezes orgulhos parvos que os fazem vacilar.
Conheceram-se ainda uns adolescentes, no ambiente da escola. Ela com quinze anos e ele com dezassete acabados de fazer.
Parece que a estou a ver, com o "pelo na venta" que a caracteriza, maria rapaz e ao mesmo tempo uma menina tímida, com um sorriso maroto. Cabelo claro e muito despachada...
Ele, tímido e acanhado, ao mesmo tempo que é super atrevido...
Estou tão feliz por testemunhar esta união. Passaram dez anos desde o dia em que começaram a namorar. Já assisti de perto a um destes aniversários de namoro. O oitavo.
Mostrei-lhes parte de Lisboa. Sesimbra. Comemos pastéis em Belém.
Ainda é cedo para casarem, admitem, sempre que são confrontados com esta questão.
Qual será o segredo para esta relação?
Do que posso dizer, acho que a tolerância é uma base muito firme. O entendimento, a partilha, a cumplicidade. O espaço que criam entre as vidas que estão juntas, mas que no dia a dia são separadas.
Calculo que seja sempre ele a derrubar os amuos dela, que com o tempo têm sido menores e menos importantes. Afinal cresceu e hoje é uma mulher. Licenciada. Uma excelente cozinheira, super dedicada a tudo o que se propõe.
Admiro-os muito. Pela entrega, pela luta e acima de tudo pelo Amor que os une.
Passaram dez anos. Viveram a adolescência juntos. Certamente cresceram e aprenderam muita coisa um com o outro.
Mais dia menos dia casam. E eu quero lá estar. Apenas porque não é todos os dias que vemos este tipo de casos de sucesso.
Porque em matéria do Amor, é preciso dar muito. De corpo e alma. Tolerar. Perdoar. Acarinhar, construir e consentir.
O Amor não é mais do que uma luta diária, entre o que se é e o que se pode ser.
É o dar a mão e ter a certeza de que é aquele aperto que tem a intensidade certa.
É naquele peito que se vai adormecer tranquilo. E é aquela imagem que se quer ter, todos os dias ao acordar...
Porque o Amor é apenas o partilhar de um sorriso cúmplice. Que palavra nenhuma no mundo consegue traduzir.
Hoje estou feliz por eles. Porque são meus amigos. E eu adoro ver os que me rodeiam a sorrir.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Do fim de semana...

No sábado fui a uma aula de escrita criativa. Adorei. Simplesmente magnífico. Um grupo de 7 pessoas que tinham aquele gosto em comum. Escrever. Partilhar palavras.
Depois seguiu-se uma festa de aniversário de um menino que eu adoro muito. O meu Di.
Reencontrei pessoas com que já não estava há algum tempo. Rimos muito. Conversámos mais ainda. Política. Maternidade. Educação, entre outros temas.

O blog "Eu e os Malmequeres" foi uma estreia de sucesso. É privado pelo simples facto de que só entra em nossa casa quem nós queremos. Pessoas com quem temos prazer de estar. E por isso resolvi restringir o acesso. Provavelmente me esqueci de um ou outro.
Qualquer coisa, mandem um e-mail que tudo ficará resolvido.

Estou muito feliz. A vida sorri. As aulas começam hoje (para mim), para os outros já começou a semana passada. Mas eu sou uma baldas. Assumida!
Um grande beijinho e muitos Segredos. Daqueles Cor de Rosa. Lindos!

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Passaram 6 anos...

... desde o dia em que te perdi para sempre. O teu corpo já não existe mais. O teu rosto sorridente quando partilhávamos coisas engraçadas.
Sinto tanto, mas tanto a tua falta...
O teu corpo já não existe mais, mas tu continuas a existir em mim como sempre.
O Amor que sinto continua a ser igual e intocável como sempre foi. Não é pelo facto de teres partido que te esqueci. Recordo-te em cada momento feliz que passo e sei que de uma forma ou de outra estás comigo, porque te sinto. Sempre com a mesma intensidade.
Escrevo-te sempre para que saibas que jamais te esquecerei. Jamais te deixarei de Amar.
És e serás sempre uma peça fundamental da minha vida.
Faz hoje 6 anos que te dei um último beijo e o mais difícil dos abraços. O último. O mais sentido e apertado de todos.
Tenho esperança que um dia nos voltemos a ver. Nesse lugar que eu acredito que exista e se chama Paraíso. Sim, eu sei e acredito, que é lá que vives...
Tenho muitas saudades tuas. Foste a melhor avó do mundo...
E eu amar-te-ei para sempre... Como dizem os teus bisnetos... "Daqui até aos Planetas!"

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Odeio...

- Gente que só olha para o seu próprio umbigo;
- Egoístas;
- Insensíveis;
- Pessoas Amorfas;
- Gente que é incapaz de demonstrar compaixão por algo ou por alguém;
- Pessoas que não sabem o lugar onde pertencem;

entre outras...

Enfim... foi só um pequeno desabafo.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Ainda do Fim de Semana...

Andei perto do céu... E esteve um dia fantástico de calor...
Há muito tempo que não caminhava tanto em dois dias... Os meus músculos ficaram completamente destroçados...
Mas já está tudo bem. Foi óptimo.
E quem vai a Sintra, tem obrigatoriamente de comer os Travesseiros da Piriquita, são absolutamente deliciosos!

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

E assim se perde mais um ídolo...

... fiquei triste a ouvir esta notícia mal entro no carro.
Foi um ídolo. Uma referência... Uma ternura... Uma paixão... Um enorme talento...
Sempre que via no repeat o Dirty Dancing e o Ghost...

Certamente que o céu ficou mais rico, com a chegada deste Anjo...
E inevitavelmente o mundo ficou mais pobre...
Não poderia deixar passar isto em branco.

Foto:Google Imagens

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Os últimos dias...























Foram muito intensos... de cansaço... de riso... de partilha e muita gargalhada.
O concerto da Mafalda Veiga no Parque Mayer foi bom, mas não gostei que tivesse os minutos contados. Apetecia-me ouvi-la durante mais umas horas...
Os copos no Bairro Alto foram muito divertidos.
Eu não fazia ideia de ver tanta gente a pé pela capital, pela madrugada...
Ainda vi a Maya, dentro do HardRock Café, o que me fez pensar duas vezes antes de entrar também...
O passeio por Sintra, foi de uma canseira desgraçada. Já tinha as perninhas a tremer de tanto quilómetro percorrido... mas valeu a pena.
Pela vista, pela companhia. Foi um dia muito bem passado.
As imagens falam por si...

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

A rentrée...

... está para breve...
De volta ao trabalho nos próximos dias, aproveito os últimos cartuchos para fazer o que mais gosto.
Praia, piscina, filmes e séries. E por falar em séries, o final do Prison Break deixou-me desolada e de coração partido. Ninguém merece ter de se despedir assim do meu querido Michael Scofield... o meu herói dos últimos tempos.
A par com a Grey's Anatomy, só esta série me fazia ficar horas agarrada ao ecrã quase sem pestanejar...
Chegou ao fim. Vou ter saudades do Sco... sempre inteligente e com a certeza do que ia fazer a seguir...
Sou assim, pego-me muito às personagens e depois choro que nem uma desalmada... Adopto-os como se fizessem parte da minha vida... Aquela em que os sonhos são quem comanda...
Para a semana começa a Rentrée... o que vale é que o mês de Outubro já tem um fim de semana de três dias, que ocorre depois do fecho contabilístico do mês. Tenho de encontrar uma escapadela para quebrar a rotina... São estes pequenos planos que nos ajudam a motivar para o resto do ano feito de ardúo trabalho...
As aulas também estão quase aí. E a minha vontade de aprender é simplesmente magnífica... E o dossier que eu vi na Ericeira Surfshop em tons de lilás? Tipo Organizer A4? Meu Deus, nem com os trinta a dois passos, deixo de lado os corredores do material escolar? Acho que faz parte de mim...
Porque há coisas que nunca mudam... E quer-me parecer que ainda lá vou passar e ver se ele quer fazer-me companhia nos próximos tempos... O Dossier, claro...

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Setembro, o mês das grandes perdas...

Quando se perde alguém que fez parte dos momentos mais felizes das nossas vidas, sentimos uma tristeza sem fim.
Não são precisos parentescos para que sintamos a falta de uma pessoa que parte.
Foi o que senti hoje. Uma perda que se transformará numa saudade imensa.
Recordo um sorriso. Um rosto gasto pelo tempo e pelo sol quente que brilha no Alentejo. Umas mãos cheias de trabalho, assim como uma vida inteira de sacrifício.
Foi assim desde os primeiros dias que a conheci. Adoptei-a como uma pessoa muito especial na minha vida. E acho que o sentimento era recíproco. Até mesmo quando me trocava o nome...
Há momentos que não se esquecem. Que a cumplicidade é tudo o que resta. Que um olhar de aprovação e de desejo de união, valem por tudo.
Quando se perde alguém que se ama muito, falta-nos o chão. Falta-nos aquele colo onde não mais vamos poder deitar a cabeça, esperando que nos mimem...
É o fim de uma parte da vida.
Mas jamais será o fim do Amor, da Recordação e da Saudade.
Do que guardamos no peito. O tesouro mais precioso que possuímos. A memória. Os momentos. O afecto e a partilha.
Desta senhora é tudo isto que guardo. Foi muito especial para mim, tanto que um dia lhe chamei Avó...
E hoje custou-me muito, ter que me despedir dela...

"Até Sempre Avó C.
Guardo-a com todo o carinho e respeito. Dentro do meu coração."
(8 de Setembro de 2009)

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Uma História de Verão - Parte XVII

...
“Não quero que penses mais nela. Acabou-se. A polícia já a levou. Agora vamos ver o que a justiça lhe reserva. Não lhe desejo mal nenhum. Só espero que pague pelo que fez. O desfecho podia ter sido muito mais trágico…”

Aquelas últimas palavras do Lourenço, seguiram-se ao abraço mais apertado do mundo. Ele estava comigo de corpo e alma e com a convicção de nada nos iria separar. Muito menos uma desequilibrada. Não tardaria a que a Verónica fosse apresentada ao juiz que decidiria como seria a pena a aplicar.
Estava morta para sair do hospital. Não tinha a menor razão de queixa, porque o Lourenço fez questão de me levar para o melhor Hospital da capital. Nenhum cuidado me faltava. As enfermeiras não me deixavam sossegada, principalmente depois do segundo incidente com a Verónica.
E eu amava aquele homem de uma forma nunca antes vivida. Tinha plena noção de que era com ele que eu queria passar o resto dos meus dias. Que era com ele que eu queria realizar o sonho de ser mãe. O Lourenço era um companheiro e tanto. Com o seu feitio tão particular, com os seus defeitos acentuados, mas de uma amabilidade extrema, que eu nunca tinha visto em ninguém. Acho que ele teve a lição de vida dele ao perceber com que tipo de pessoa partilhou a casa, uma parte da sua vida e principalmente, a sua família.

Nessa tarde o pai do Lourenço veio visitar-me. Fez questão de nos ajudar nesta fase mais conturbada.
“Minha filha, como foi acontecer uma situação destas. Como é que te sentes?”
E eu desato a chorar no ombro dele. De repente vi o meu pai, sempre tão atencioso com a sua menina, como ele dizia. Muitos anos tinham passado desde a sua morte, mas são feridas que nunca saram. A perda dos pais, quando são a nossa base mais sólida, é um buraco que nunca fecha. Uma ferida que nunca cicatriza. E há momentos em que dói. Dói muito. Mas eu sabia que tinha ali uma nova família, pronta para cuidar de mim. Com o melhor amor do mundo. O que valia por tudo…
“Senhor António, foi o susto da minha vida. Juro-lhe. Eu que já lidei com tanto psicopata, com tanto criminoso, nunca tive tanto medo. Principalmente temi pela vida do seu filho. Que estava a proteger-me. O que o senhor havia de pensar se lhe acontecesse alguma coisa? Não me conformaria… O pior foi da segunda vez que ela tentou acabar comigo. A sorte foi que entraram aqui a tempo de a intimidar. Posso dizer que a minha vida já teve por um fio. Mas agora já está tudo bem. Agradeço muito a sua vinda. Principalmente porque o seu filho também precisa muito de si.”
“Oh filha, nem quero imaginar o sufoco em que tiveste metida. Sabes, ela nunca me inspirou muita confiança em determinadas situações. Sentia que ela não era completamente honesta. Os olhos dela não brilhavam, assim como os teus brilham quando falava do meu Lourenço. E isso às vezes entristecia-me. Porque eu só queria uma rapariga que o amasse. De verdade. E que o fizesse feliz. Mas sabes? Desde que soube que ele estava contigo que eu tive uma grande fé. As coisas só podiam melhorar.”
E apertou-me a mão, gasta de trabalho árduo. Devolvi-lhe o aperto e pisquei-lhe em olho em sinal de descanso. Ele podia ficar tranquilo, porque aquele amor era realmente puro e honesto.

A enfermeira interrompeu-os porque estava na hora de lanchar. O Lourenço fez questão de me ajudar. Ela não se importou. Bebi um iogurte e comi umas bolachas integrais. Nada de especial, em hospitais, os menus são sempre assim. Um pouco sem sal. Sem sabor. Mas a paciência teria de ser agora uma grande amiga. Quanto mais depressa tivesse recuperada, mais cedo podia ir para casa. Mais dois dias e penso que podia ir. Se tudo corresse bem. Depois voltaria para retirar os pontos.
Estivemos mais um bocado à conversa com o pai do Lourenço. Ia preparar tudo em casa para me receber lá para a minha recuperação. Vi-o emocionado a falar de mim. O que me deu também um misto de alguma angústia e muita alegria. “A casa é tão grande filha. Faço toda a questão de te receber.” O facto de me chamar filha demonstrava o carinho que sentia.
Entretanto o Senhor António foi para casa. O Lourenço não quis ir. Entretanto apareceu a Ana Maria e o Diogo ao final da tarde. Levaram-no a jantar qualquer coisa no refeitório do Hospital, porque era escusado tentarem dissuadi-lo a sair dali. Mesmo depois de levarem a Verónica detida. Senti que ele se culpava pela segunda agressão. Por ter ido a casa descansar. Se não tivesse ido, nada daquilo se tinha passado… Mas era parvoíce, porque eu estava absolutamente descansada quanto a ele.

Quando saíram para jantar, as auxiliares levaram-me para me darem aquele banho que não é banho. É uma espécie de limpeza com compressas. Por partes… Agora as pernas e as partes mais íntimas, depois o braço que estava destapado, depois o peito, pescoço e cara… Uma forma de me manterem lavada… O meu cabelo já apresentava algum sinal de sujidade, e eu até tinha pedido ao Lourenço para me trazer o meu shampoo e o creme. A enfermeira prontificou-se a lavar-mo. O que me deixou muito mais bem-disposta. Sempre tive uma estima enorme pelo meu cabelo. Sempre o tratei muito bem. Depois da limpeza deram-me também o jantar. Um peixinho cozido ao vapor com legumes. Sem vestígio de sal. Confesso que não gosto do comer muito temperado, mas aquele estava mesmo ao natural… Fiz um esforço e lá comi tudo. Uma gelatina de sobremesa e estava tratada.

Não tardaram a vir trazer o Lourenço, já eu estava muito mais animada.
“Já tomei banho Amor. Já me lavaram o cabelinho e o corpo que está “destapado”…” Ele sorriu… deu-me um beijo demorado na face… Segredou-me ao ouvido… “És linda de qualquer maneira. Eu amo-te muito!”
“Eu também te amo. Mesmo”. Sorrimos um para o outro e vi que a Ana Maria e o Diogo falavam baixinho. Provavelmente tinham alguma coisa para nos dizer. Andávamos desencontrados há algum tempo.

“Temos uma coisa para vos contar. Era segredo durante mais uns tempos, mas como têm acontecido tantas coisas más, quero dar uma notícia boa e feliz. Eu e o Diogo estamos a pensar casar…”

Eu fiquei estática. A Ana Maria, casar? Mas sim, era uma notícia muito feliz.
“Que óptimo. Só espero que dê tempo de eu recuperar. Não quero ir cheia de cicatrizes ao teu casamento…”
“Claro que sim. Não vai demorar muito tempo. Daqui a dois meses, mais coisa menos coisa. Gostava que tu e o Lourenço fossem os meus padrinhos. O Diogo vai ter a Margarida e o Ricardo. Sabes que não quero grandes coisas. Somos poucos. É só mesmo para oficializar a nossa relação. E ter presentes aquelas pessoas que são para toda a vida, como vocês…”
“Oh Ana Maria, não me faças mais chorar hoje. Já chega. Estou muito feliz amiga. Se há alguém que o merece és tu. Definitivamente. Claro que aceitamos. Com o maior prazer e orgulho.”

O Diogo sorria com o olhar. Quando chegou deu-me um abraço sentido. Vi que ele ficou triste com o que me tinha acontecido. Nem sempre éramos os amigos mais compatíveis, mas quando alguma coisa acontece dentro do nosso núcleo, afecta-nos de uma forma profunda. Senti que foi isso que ele me transmitiu.
“Parabéns Di. Estou muito feliz por ti. E tenho um agradecimento especial a fazer-te. Muito obrigada por teres colocado o Lourenço de novo na minha vida. Agradeço-te com todo o amor que tenho por ele. Obrigada.”

O Lourenço olhou para mim sem saber o que dizer. Sem pronunciar uma única palavra. Deu-me a mão e ficamos ali assim. A contemplar aquele sentimento, que era de longe o melhor de todo o sempre.
Depois da novidade, dos parabéns e agradecimentos, a Ana Maria e o Diogo foram embora. Passado pouco tempo a Margarida mandou mensagem.

“Como está a minha doentinha mais linda? O Ricardo manda as melhoras e beijinhos. Manda também um cumprimento especial ao Lourenço. Adoro-te muito, sabes disso. Até amanhã.”

Pedi ao Lourenço que lhe respondesse. Tinha sido um dia demasiado longo e a minha cabeça já não aguentava muito mais… Sentia-me esgotada.
Acabei por adormecer com o Lourenço a fazer-me festas na cabeça.

Dois dias depois estava de volta a casa. O Senhor António tinha o quarto cheio de malmequeres à minha espera. Fiquei tão feliz a ver aquele cenário… Foi realmente mais do que um pai podia ser, apenas por aquela atitude. Apesar de eu saber que o Lourenço estava por trás disso.
A minha mobilidade estava ligeiramente reduzida com o braço ao peito. Mas eles não me deixavam fazer nada. Tinham feito grelhados com batatinha frita, arroz e uma salada maravilhosa. Estavam atentos ao que eu dizia quando estava internada e comia aquelas “coisas” sem sabor nenhum, ao mesmo tempo que clamava por uma carninha grelhada, um peixinho assado no forno, e eles foram uns queridos. Prepararam o que mais me apetecia comer. Mas para ser honesta, qualquer coisa feita em casa era melhor do que o que andei a comer no hospital.
Soube-me pela vida. De repente senti-me uma menina pequenina rodeada de atenções. O meu prato tinha a carne toda cortadinha, sem ossos… Só não me deu o comer na boca porque eu não quis… Apesar de tudo, sentia-me tão feliz. Com uma paz imensa. Como se aquela gente fosse a minha família de sempre.

O Luís iria passar lá por causa ao final da tarde. Não sei se levava a Bárbara com ele. Ela ainda não podia passar por grandes coisas. Ele tinha ficado muito preocupado por não poder estar ao pé de mim quando fui para o hospital. Mas eu compreendi perfeitamente. Ele tinha de cuidar da mulher, que precisava de todos os cuidados, ainda mais do que eu, que graças a deus só tenho um braço ao peito e um penso na face… Dali a uma semana iria tirar os pontos. Esperava ansiosamente que estivesse tudo cicatrizado para poder, com a maior brevidade possível, voltar aos meus pacientes e à minha vida.
Depois do almoço, o Lourenço perguntou-me se queria ir tomar um café como era hábito fazermos. Mas de repente, senti um bloqueio nas minhas pernas. Tive medo…

“Tenho medo Lourenço. Não te sei explicar. Mas sair deste portão expõe-me demasiado. Eu sei que ela está detida, mas e se ela consegue fugir? Ela jurou que nós não íamos poder ficar juntos. E eu tenho medo. Porque não quero ficar sem ti. Percebes?”
“Claro que entendo. É normal sentires isso. Ainda é muito recente. Mas não temos de ir. Ficamos aqui. Nós até temos uma máquina. Tenho uma ideia, dá-me a mão e vem comigo lá dentro tirar os nossos cafés. Ajudas-me?”
“Com todo o prazer…”

Ele deu-me a mão e puxou-me pra ele. O Senhor António tinha ido beber o café à rua. Beijamo-nos com o maior sentimento de partilha que podia haver. Nós falávamos com o olhar. Era o que eu mais apreciava nesta relação. O facto de termos tanta cumplicidade, tanto afecto. Entendíamo-nos mesmo em silêncio, quando os nossos olhos se tocavam. Sem que uma única palavra fosse precisava para decifrar a mensagem.
Ficamos a namorar um bocado enquanto a máquina aquecia um pouco. Pedi-lhe para bater um pouco de natas, apetecia-me misturá-las no café. E ele fez-me a vontade. Com um sorriso glorioso, de prazer ao satisfazer-me um pedido e um desejo. Admirava estes gestos dele. Nunca me fez nada contra vontade. Tinha prazer em realizar as coisas que eu lhe pedia. Eu sentia que era nas pequenas coisas que mais afinidade tínhamos.

Depois daquele café cheiinho de natas que estava maravilhoso, fomos para o sofá ver um filme que estava a dar na televisão. Eu como não descansava como devia ser há mais de quatro dias, acabei por adormecer no colo do Lourenço. Ele insistiu para eu me deitar com a cabeça no colo dele, sempre tinha o braço mais levantado. Com tanto mimo e atenção deixei-me levar pelo sono.
Quando senti a chave na porta de casa, abri os olhos e fiquei alerta. Ele percebeu o meu estado e tentou acalmar-me. É só o meu pai. E parece que o Luís veio com ele.

Sentamo-nos os quatro à conversa na sala. A Bárbara era a minha primeira prioridade na conversa.
“Olá meu querido. Como estás? E a nossa Bá?”
“Bons olhos te vejam amiga, nem sabes o susto que me pregaste. Mas hoje estás com boa cara. Falei com a Margarida no dia que foste internada e ela estava assustadíssima. E não é para menos. Levar um tiro de uma louca…”
Fez-se silêncio. O Luís percebeu que o assunto era deveras delicado. E preferíamos não referir a origem daquele meu estado. Eu começava a pensar que estava a criar um trauma. Provavelmente iria precisar de ajuda. Talvez um colega me pudesse receber. Não podia permitir que se tornasse obsessivo, este meu medo pela Verónica.

Ao que o Luís referiu, a Bárbara iria começar a fisioterapia dentro de dias. Tem algumas dificuldades com os membros. Quando se cansa mais, tem de parar, porque tem de respirar com muito cuidado. Tem de aprender praticamente a fazer tudo de novo.
“Mas eu tenho muita força em ajudá-la. O nosso Amor manteve-a viva. E isso para mim é tudo!”
Disse o Luís emocionado… Dias difíceis aqueles, em que víamos a Bárbara mais morta que viva. E de repente ao pensar nisso, lembrei-me da minha força nesse momento. Eu é que enfrentei todo aquele cenário porque o Luís não estava preparado para isso. Mas agora, também eu precisava de ajuda…

Um mês depois…

A Ana Maria andava super entusiasmada com os últimos preparativos para o casamento.
Eu já tinha corrido uma série de lojas e ainda não tinha encontrado nada que gostasse. Mas o senhor António tinha uma amiga especial, que era costureira. E convenceu-me a ir lá ter com ela. Que me daria uma ideia do que eu podia levar. Podia confeccionar-me um vestido ao meu gosto… E eu acedi ao seu pedido, porque já estava mesmo farta de procurar, sem qualquer sucesso. Aproveitava para fazer uma surpresa ao Lourenço, levando algo que ele não conhecesse. Queria surpreende-lo. Queria que se orgulhasse de mim. Não pela roupa que trazia vestida, mas sim pela mulher que eu era. Ainda visitei um colega umas três vezes, de forma a sentir-me mais à vontade relativamente ao medo da Verónica voltar a procurar-me. O julgamento dela estava marcado dali a uns meses, mas dada a gravidade da situação ela ficou em prisão preventiva na cadeia de Tires.

Dias depois recebemos a noticia de que a mulher do Alberto tinha engendrado um plano para o matar. Tudo para poder usufruir do Seguro de Vida dele. Ficamos devastados com a noticia. Mas ao mesmo tínhamos plena noção de que ele se deixou levar pelo amor que sentia. Porque ele sabia perfeitamente como ela era. Arranjou dois homens que o esfaquearam em plena rua. E descobrimos porque apesar de calculista, não aguentou os pesadelos que a perseguiam todas as noites e confessou o crime. Denunciando-se a ela e aos cúmplices. Curioso ou não, sempre achei que ela e a Verónica tinham algumas coisas em comum. Agora poderiam alimentar bem essa amizade, visto que estavam as duas na mesma prisão. Quem sabe a partilhar a mesma cela.

Foram dias tristes e dolorosos. Um funeral e o casamento da Ana Maria algum tempo depois. Mas tudo correu pelo melhor. Uma cerimónia pequenina, mas muito feliz. Com muita alegria e amor. Era assim que um dia gostava de me casar. Sem aparências ou segundas intenções. Uma união exactamente pelo motivo que tem de ser. Porque as pessoas se gostam e querem partilhar as suas vidas.

A D. Aurora, a costureira amiga do Senhor António, fez-me um vestido lindo. Extremamente simples, mas que me ficou muito bem. O Lourenço quando me viu sair do quarto assim vestida sorriu. Escolhi uma seda selvagem. Cor de Rosa clarinho.

“Estás ainda mais linda. Adorei. Muito bonito o teu vestido.”
“Obrigada. Não queria que passasses nenhum tipo de vergonha comigo.” Disse-lhe eu a rir…
Ele encolheu os ombros e respondeu.
“Mesmo que fosses de fato treino ao casamento eu nunca me envergonharia de ti. Jamais. Vales por tudo o que és. E não pela roupa que vestes… mas digamos que este vestido marca uns pontinhos a teu favor.”

Rimos os dois juntos abraçados. Mas nesse dia eu senti o Lourenço ligeiramente mais nervoso… Senti que havia algo que ele não estava disposto a contar de animo leve.
Mas deixei passar. Podia não ser nada.
Quando chegamos a casa da Ana Maria, já lá estava o fotógrafo à espera que eu a fosse ajudar a vestir. Ela pediu ao pai do Diogo que a levasse ao altar e ele prontificou-se logo. A Ana Maria não quis casar na Igreja. Escolheu uma quinta muito bonita. Simples que só visto, mas um cenário digno de um livro de conto de fadas, em que a princesa é salva pelo príncipe. Mas se havia alguém que o merecia, era sem dúvida a Ana Maria.

Lá nos despachamos de casa, enquanto o Diogo, mais do que nervoso nos esperava na quinta. A Margarida e o Ricardo iam mandando mensagem para saber em que pé estavam as coisas. Tudo controlado, dizia eu…
O meu braço não estava com o melhor aspecto do mundo. Nem eu conseguia fazer grandes esforços, mas pedi à minha cabeleireira que me deixasse o cabelo solto, para disfarçar as marcas que ainda se notavam na minha pele…

O pai do Diogo estava orgulhoso de levar a Ana Maria até ao seu filho. Gostavam muito dela. E ela deles. Sempre nos ajudaram muito. Sempre estiveram presentes, quando família era coisa que nem eu nem a Ana Maria tínhamos em grande quantidade. Eles tinham-nos acolhido sempre como se fossemos realmente parte integrante da vida deles.
Ela estava linda. Um vestido cor de champanhe, sem grandes brilhantes ou rendados. Nisso éramos muito parecidas. Brilhávamos pela simplicidade que nos caracterizava. O Diogo estava emocionado ao ver a noiva de braço dado com o seu pai.
Pedi ao Luís que levasse a minha máquina e fotografasse enquanto eu estaria no altar com eles a cumprir religiosamente o meu papel de madrinha. Depois tiraria eu algumas fotografias. Nunca perdi esse meu gosto pela fotografia. O Lourenço também gostava. Havia dias em que acordava inspirado e fazia logo sessões pela manhã, seguidos de umas montagens. Já tínhamos vários quadros no nosso quarto com fotografias nossas. Nada de complicado. Eram apenas os nossos momentos felizes. A preto e branco. Eu adorava este tipo de recordações.

O dia passou muito feliz. E quando o sol se estava a pôr na quinta que era virada para o Rio Tejo, o Lourenço foi falar com o Diogo e o Luís e juntaram as pessoas todas à minha volta.
Achei aquilo muito estranho. Mas esperei para ver o que se seguia.
A Ana Maria trouxe um bouquet de malmequeres brancos, verdadeiro, como eu sempre pensei ter se um dia me casasse e entregou-mo. Nada me disse. Por trás dela aparece o Lourenço, com um joelho no chão e pergunta-me se quero casar com ele. Ali, naquele momento, naquela hora. Eu tremi de frio, de medo, de nervoso miudinho. O que poderia eu dizer?
“Eu também gostava de estar vestida de noiva…” Disse eu a rir…
“Mas isso não é problema. Eu pensei em tudo, sabes?”
“Pensaste?! Como assim?”
“Combinei tudo com a D. Aurora e ela fez-te um vestido simples, para poderes casar comigo?”

Estava pasmada com tanta surpresa. Com tanta alegria naquele dia. Acedi de imediato a ir à casa de banho vestir o meu vestido de noiva. Quando lá estava, até a minha cabeleireira apareceu para que nada pudesse estar menos bem. Depois de me vestir, lembrei-me que nem sequer lhe tinha dito que Sim. Que queria passar o resto da minha vida com ele. Que me fazia sentir feliz, todos os dias que tínhamos passado juntos. Que o amava desde o primeiro dia que os meus olhos tinham encontrado os dele.

Quando saí para fora, vestida de noiva e linda que só visto… Meu Deus, nunca me tinha sentido tão linda na minha vida. Estava completa. Senti que muito pouco me faltava. Tinha uma pessoa excepcional ao meu lado que me apoiava e que se preocupava connosco.
Dei o braço ao Senhor António e pedi-lhe que me levasse até ao seu filho, com quem eu queria casar. Ele sorriu e beijou-me a face. Senti que estava nervoso, tal era a responsabilidade de levar a noiva do filho…
Antes de dar a mão ao Lourenço, pedi a todos que ouvissem o que eu tinha a dizer…

“Quero dizer-te perante estas pessoas todas que Sim. Quero casar contigo. Quero que passemos o resto dos nossos dias juntos. Mesmo que haja birras, mesmo que tenhas ciúmes (e eu também – porque sei que vou ter), mesmo que muita coisa haja entre nós para nos separar (e tu sabes que temos um caminho longo a travar neste aspecto), mesmo que todo o mundo conspire contra nós, é a ti que eu quero para casar. Para seres o meu marido. Para seres o pai dos meus filhos. Espero não te desiludir em nada, porque sei que tenho dias em que sou mimada e que tenho crises de existência. Se escolheste casar comigo, tens de levar a embalagem completa. Mas no final de tudo, acho que vai compensar. Porque te amo. Porque sem ti já nada tem o seu verdadeiro sentido. É esta vida exactamente que eu quero ter. E não outra. Não há mais nada que eu queira do que ficar aqui. Sempre ao teu lado.”

Ele encheu o peito de ar e abraçou-me. Apertou-me a mão com força. E o conservador que esperasse que aquelas lamechices terminassem…
Casámos no dia 17 de Julho de 2008, junto com a Ana Maria e o Diogo.

O Luís e a Bárbara casaram no dia 25 de Setembro do mesmo ano.
No dia 28 de Fevereiro do ano seguinte soube que estava grávida. O Lourenço estava tão feliz que redobrou os cuidados que tinha comigo. E ele já tinha tantos. Dois meses depois da primeira ecografia, soubemos que, ao contrário do que seria de esperar, não iríamos ter um bebe mas sim dois. Eram gémeos.

No mesmo dia desta notícia saiu a sentença da Verónica, tinha sido condenada a nove anos de prisão efectiva. Muitas vezes ainda me recordava dela. Com pena. Porque no fim de contas teve um desfecho muito triste. Mesmo saindo da prisão, o retomar da vida nunca mais será o mesmo. A mulher do Alfredo, foi condenada a 25 anos sem possibilidade de liberdade condicional, apesar de ter confessado o crime, a forma como o planeou, foi demasiado horrenda.

No dia que completámos um ano de casamento, soubemos que íamos ter um menino e uma menina. O pai escolheu o nome do menino e eu escolhi o da menina…
Nesse mesmo dia, a Ana Maria também soube que ia ser mãe. Uma verdadeira surpresa. Tinha sido a pessoa a quem a vida tinha apresentado mais mudanças e alterações. Mas ela estava muito feliz no seu novo papel de esposa e futuramente o de mamã...

No dia 8 de Agosto de 2009, foi o dia do casamento da Margarida e do Ricardo.
Nesse dia, já com uma barriga imensa e um calor abrasador, revivi o dia do meu casamento. Eles escolheram o mesmo lugar para fazer a festa deles.
Desta vez fui eu a fotógrafa de serviço. Adorei fazer aquele trabalho.

Era esta a minha verdadeira família.
No dia 29 de Novembro nasceu a Maria Margarida e o Ricardo Lourenço. De boa saúde e com os pais mais babados e felizes do mundo…
FIM 

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Os últimos dias...

...Têm sido um turbilhão.
Desafios, traçar caminhos, adaptações, entre outros episódios confusos...
As relações e os sentimentos nem sempre andam de mão dada. Nem sempre são compatíveis.
Há coisas, que por mais que queiramos, não conseguimos mudar. E não me venham dizer, que quando se quer, se muda. Nalgumas coisas sim. Mas mudar essências é deveras difícil. Se não mesmo impossível... E eu mais uma vez, constatei isto, na primeira pessoa.
Senti-me burra por me ter metido por um caminho que eu sabia que era íngreme. Mas que tinha esperança que tinha sido remodelado. Enganei-me... As raízes eram de tal maneira fortes, que permaneceram. E hão-de permanecer, quem sabe se para sempre...
Agora estou aqui. Novamente sou uma espectadora da minha própria vida. Tento não pensar, para não me desiludir mais...
Respiro como posso. E sigo devagarinho, após levantar-me depois de mais uma queda acentuada, qual "Sobrevivente" do canal Discovery.
A vida segue lá fora. Sem expectativas, sem verbos conjugados, sem mãos dadas, sem partilha ou cumplicidade. Apenas com a certeza de que, há caminhos que se tornam proibidos de se percorrer... Apenas porque terão sempre raízes fortes, que nos farão tropeçar...

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Um fim de tarde em imagens...





















... que dispensam qualquer palavra...
É por isto que não troco a minha terra por outra. Sou da Margem Sul. E orgulho-me disso.
Fotografias tiradas por mim e pela Eva durante a caminhada de hoje...

domingo, 30 de Agosto de 2009

Limpeza de antiguidades...

... tenho uma ligação afectiva muito intensa com os papéis. Com os meus cadernos. Com palavras que escrevi há muitos anos.
Mas desta vez deitei muita coisa fora. Cartas. Tantas cartas. Datadas de 1995, outras de 1998 e 2000...
Umas li apenas sem dar grande importância. Outras fizeram-me ter vergonha. E outras ainda, revelaram os meus sentimentos mais puros naquelas linhas... mesmo assim, decidi desfazer-me delas. Confesso que não eram muito importantes. As importantes estão religiosamente guardadas na caixa do meu primeiro leitor de cd portatil da "Pioneer" que o meu pai me trouxe da Alemanha... São de 1996 e foram durante anos o meu tesouro mais precioso. Depois, tive de me desligar delas e voltar à vida. Visto que foi um caso encerrado e sem sucesso.
Mas o carinho fica sempre. Há sentimentos e formas de Amor que durarão toda a vida. Ainda que não sejam correspondidas, no sentido de terem vingado... de não terem sido uma História de Amor que perdurou no tempo. Apenas existiu naquele momento.
E hoje eu deitei parte da minha vida no Ecoponto... Outros momentos escritos, tais como faxes, cartas e postais, ainda ficaram fechados numa caixa do Ikea... na próxima volta, irão eles tomar o mesmo caminho... o da Reciclagem...
Tal como na nossa vida, é preciso inovar, renovar, reciclar, respirar fundo e seguir... Porque há alturas em que não devemos voltar a olhar para trás!

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

4 Aninhos...

...é a idade que completas hoje... mais uma vez longe... como sempre foi...
Muitos Parabéns Meu Amor. Foste e és em cada dia, uma verdadeira surpresa...
Adorei o dia que passámos na piscina. Tinhas tanto medo, mas ao fim de um par de horas era ver-te aos mergulhos sozinhos, com um sorriso do tamanho do mundo. Lindo lindo, como sempre te digo quando te vejo rir.

Tenho saudades dos dias que dormimos juntos e damos as mãos. Me sinto acompanhada e tu te sentes protegido. Que dizemos piadas sem jeito nenhum, mas que nos dão tanta cumplicidade.
Amo-te muito Tzinho. És o mais lindo menino da tia. Tal como o teu irmão.

Desejo-te, ainda que não te possa ver, o dia mais feliz do mundo... Cá te espero com o bolo mais lindo do mundo!

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

'Tou muita contenti...

... Porque vou mudar de sala aqui no escritório...
Iupi! Finalmente vou ter uma sala com janela para a rua.
Vou poder ver o brilho do sol, ou mesmo a chuva a cair...
E que alegria e inspiração isso me deu...
Quem espera sempre alcança, é altura de se dizer...
E agora vou trabalhar a todo o gás, porque mais uns dias de férias se aproximam...
Apesar dos exames, vou querer aproveitar ao máximo, porque quero estar óptima para a "rentrée"...

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Uma História de Verão - parte XVI

...
Depois do curativo feito, a enfermeira pede à Margarida que entre, para me tentar acalmar um pouco…
“Vou deixá-las a sós… mas depois a Laura tem de descansar um pouco antes do almoço… Foi uma manhã de esforços… e não pode ser…”
Eu tentava limpar as lágrimas, mas elas caíam a fio… Eu imaginava o Lourenço super angustiado por essa auto-estrada fora, sujeito a ter um acidente.
A Margarida tentava acalmar-me o melhor que conseguia, mas ela estava tanto ou mais nervosa do que eu. A imagem daquela faca tão perto de mim, a voz daquela mulher enfurecida a ameaçar-me deixava-me num estado absurdo de nervos.
Nunca a imagem daquela forma. Sempre achei que ela acabava por se resignar. Aceitaria que o Lourenço a deixara de amar. Nunca a vi como uma criminosa. Aquele rosto branco, não aparentava grande simpatia… mas daí a tentar matar-me, vai uma enorme distância…
Percebi, através destes dois episódios que, a vida é realmente uma preciosidade. E que a morte não está assim tão longe, como a vemos no dia-a-dia. Basta um segundo. Basta uma falha e deixamos de fazer parte do mundo dos vivos. E ao pensar nisto, senti medo. Muito medo. Porque havia tanta coisa que eu queria realizar e ainda não o tinha feito. Logo agora que tinha encontrado o grande amor da minha vida. Que tinha encontrado a pessoa que queria passar os dias comigo. Construir uma vida a dois. Sonhar e realizar. Partilhar, muito. Partilhar, tudo. – Pensava eu alto… e a Margarida ouvia-me…

“Olha, o Lourenço chegou. Trouxe a Policia com ele.” – Saltou a Margarida da cadeira…
“Finalmente chegaste. Lourenço, ela não vai descansar enquanto não nos separar. Ela vai voltar a tentar. Ela disse-me…” – disse-lhe eu, agarrada ao pescoço dele…
“Isto não se vai voltar a repetir. A Verónica vai presa. Duas tentativas são por si só algo muito grave. Explicou-me o agente quando vínhamos para aqui… E eu não te vou deixar mais nenhuma vez sozinha. Não vou. Ela não se vai voltar a aproximar de ti. Eu prometo-te. Nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida!”
“Tenho tanto medo! Eu não quero morrer ainda. Não quero. Temos tanta coisa para viver ainda os dois. Não é justo. Mas eu sei que muitas vezes, a própria vida, não é justa. E que muitas vezes, só quando levamos este tipo de lições, aprendemos. Eu sei.”

O Lourenço acabou por me confessar, que durante o relacionamento, ele próprio foi alvo de algumas ameaças por parte da Verónica. Mas nunca lhes tinha dado relevância. Nunca pensou que esse tipo de coisas passassem a actos consumados, como acabara de ter a prova, ao ver Laura com um penso na face e o braço ao peito… Duas tentativas de assassinato num dia. Algo impensável para ele. Com a pessoa com quem partilhou alguns anos de vida, uma casa, a própria família…
Afinal de contas, nunca se conhece ninguém verdadeiramente. Por vezes, confiamos em pessoas que não merecem absolutamente nada de nós, o que nos faz ficar em constante alerta, com quem aparece em nossas vidas. A pureza, a confiança nos outros, tornam-se assim, características absolutamente raras…

A par de todo este meu episódio rocambolesco, soube pela Margarida que a Bárbara tinha alta naquele mesmo dia. E por isso o Luís não podia vir visitar-me. Mas que tinha ficado em choque com tudo o que me tinha acontecido. Havia agora um longo caminho a percorrer entre aquele casal. Ele teria de ajudá-la muito. A luta pela recuperação seria muito dolorosa e as horas gastas em Fisioterapia e em treinos, por forma a que o tempo de internamento e de imobilização fossem esquecidos… Nunca são… Mas que pelo menos, ela voltasse ao que era, antes do acidente… Apesar de haver sempre sequelas irreversíveis. Principalmente as psicológicas. Deixou a promessa de me visitar em casa. Quando eu tivesse alta. O que não devia tardar. Eu não queria permanecer por muitos dias no hospital. Sentia-me mais segura em casa.

“Mal tenhas alta vens comigo para casa. Vou falar com o meu director, preciso de uma Licença sem Vencimento, até estares completamente recuperada…” – Disse-me ele convicto. Como se eu fosse a sua filha mais nova.
Não me atrevi a nada dizer. Senti-me bem a ouvir aquelas palavras. Não tinha família que me protegesse. Só tinha o Lourenço e os meus amigos.
“O meu pai vem da aldeia para nos ajudar. Sabes que ele ficou muito preocupado. Nunca imaginou que a Verónica descesse tão baixo. Mas ele sempre me alertou para um ou outro comportamento. No entanto, eu achava que era normal. Crises de existência, justificam muita coisa…”
“Pois, quem acabou por sofrer a crise de existência dela fui eu. Estou muito triste. Dói-me a cara… Já não me bastava um braço ao peito, ainda uma cicatriz… A imagem destes ataques vai ficar sempre estampada no meu rosto.”
...

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Tirei o dia para Sonhar...

Porque recebi por mail o Catálogo 2010 desta loja. A minha preferida nesta matéria de ambientes... E fiquei deliciada a desfolhar cada folha online. Coisas lindas, simplesmente simples e com toques de "princesa" em cores de rosinha e lilasinhos, como eu tanto gosto...
Ai, ai... Acho que hoje é um dia de suspiros...
Enfim, e como eu acredito que basta Crer para Acontecer. Eu acredito, que um dia a minha casa vai ficar ainda mais linda do que já é, especialmente quando eu tiver o meu Quintal de Sonho...
E já ando a tratar disso...

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Incrível...

... foi o facto de não ter uma única imagem fotográfica do meu fim de semana.
Não me esqueci de levar a máquina na mala. Apenas me esqueci de a tirar de lá...
Mas posso dizer que esteve um calor abrasador. Se durante o dia estariam mais de 40ºC, pela noite, passavam dos 30º na certa...
Muito melão, melancia, água mineral, água da Tapada Grande, assim como mergulhos...
Voltei exausta.

Mas até agora, nada de mau a registar... E ao contrário do que foi a last week, está tudo bem...
(mas convém que seja em letras pequeninas, para que o cenário não mude)...

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Vou de Fim de Semana...

... Para AQUI.
O meu refúgio, o meu porto de abrigo, o lugar onde sou sempre feliz.
Onde recarrego baterias e volto à vida.
Com o maior sorriso de todos.

Porque a próxima semana vai ser de cortar à faca... e eu preciso de muita muita energia positiva.
E vou ao lugar onde a recebo sempre. Da forma mais pura...

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

As palavras que eu hoje precisava de ler...

"Se olharmos para o mar tempo suficiente, para os seus estados de espírito e furores, para as suas belezas e os seus terrores, teremos todas as histórias que quisermos - de amor e de perigo, e sobre aquilo que a vida deixa nas nossas redes. E percebemos que, às vezes, não é a nossa mão que controla o leme e não podemos fazer nada se não acreditarmos que tudo acabará por correr bem."
Retirado do Blog da Ana - Pedaços de Mim...

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Depois de...

... um dia a arrancar os cabelos, um por um...
... cortar os pulsos, vezes e vezes sem conta...
... gritar até que os habitantes de marte me conseguirem ouvir...

Respiro o mais fundo que consigo. Apago a luz do gabinete, meto-me no carro, ligo a música no máximo, canto e vou à manicure.
Porque mereço todos os momentos que me dedico a cuidar de mim. Porque hoje foi um dia cheio de gente estúpida à minha volta. Um dia que só não atirei tudo para o chão e não chicoteei um senhor mais velho, porque sou uma menina respeitadora... Porque ao fim ao cabo, ele não merecia nem um milímetro da minha raiva... e eu considero que o desprezo é a melhor arma que se tem contra quem nada merece...

P.S. Desde ontem que não tenho impressora.
E quer-me parecer que este problema vai perdurar...
P.S. 2 Porque não adoptamos a medida de "Fechar o País" em Agosto?
Assim era férias para toda a gente. Em vez de uns estarem a banhos na praia e outros a esgatanharem-se no escritório. Porque trabalhamos todos para o mesmo. Não é assim?

Somar Fracassos...

Em tempos costumava defender-me de toda e qualquer aproximação dizendo isto.
“Eu não quero somar mais fracassos na minha vida…” e hoje, enquanto conduzia a caminho do trabalho, vinha a pensar nisto…
E afinal a perspectiva mudou. Eu não somei tantos fracassos assim. Um ou dois talvez.
Talvez tenham sido estes fracassos que me tenham ajudado a crescer, a transformar a menina que hoje é uma mulher e muito se orgulha da imagem que reflecte no espelho.
Sempre fiz de tudo pelas pessoas por quem tinha um sentimento nobre. No dia-a-dia sou mesmo assim, e chego à conclusão, que a maioria não o merece. Que hoje em dia há uma percentagem mínima de pessoas que têm sentimentos nobres. E quando os têm, o prazo de validade é tão pequenino que quando damos conta, já expirou... É uma pena, efectivamente. Porque na minha opinião, acho que é devido a este tipo de formas de estar na vida, que tudo à nossa volta perde o valor. Que praticamente tudo, se recicla.
Todos os outros contactos falhados, nem sequer chegam a ser um fracasso. Não têm importância suficiente para chegar a tal. Mas entristecem-me. Muito. Porque tenho este defeito comigo, acredito sempre que existe um ou outro ser igual a mim. Ou parecido comigo, eventualmente. Que ainda carrega sentimentos puros, que a amizade e o amor ainda podem ser coisas boas e inabaláveis.
Portanto, não vou dar mais importância aos fracassos, no fundo só me fortaleceram. Só criaram os muros mais altos e mais intransponíveis. Refinaram-me na selecção dos que quero ao meu lado. Que são cada vez menos, mas que são cada vez melhores…
O que me leva a pensar que até é bom… somar fracassos…

terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Dreams on Fire - A R Rahman

Ando a ouvir isto em Repeat...

You are my waking dream
You're all that's real to me
You are the magic in the world I see

You are the prayer I sing
You brought me to my knees
You are the faith that made me believe

Dreams on fire
Higher n higher
Passions burning
Right on the pyre

Once far, forever yours
In me
All your heart
Dreams on fire
Higher n higher


You are my ocean waves
You are my thought each day
You are the laughter from childhood games

You are the spark of dawn
You are where I belong
You are the ache I feel in every song

Dreams on fire
Higher n higher
Passions burning
Right on the pyre

Once far, forever yours
In me
All your heart
Dreams on fire
Higher n higher

Simplesmente Linda...

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Uma História de Verão - parte XV

...
A viagem até ao hospital parecia não ter fim. O Lourenço continuava a chorar sem parar e eu também. Só pensava que, mais uma vez, a oportunidade para encontrar um caminho tão simples, o de ser feliz, estava comprometido, com este novo episódio…
“Ela vai pagar por isto. Oh se vai. Não posso permitir que as coisas fiquem desta maneira…”
Limpei-lhe as lágrimas com o outro braço, já cheio de tubos, apertei-lhe a mão com o máximo de resistência que pude. Ele aproximou a sua cabeça da minha e eu segredei-lhe ao ouvido. “Vai tudo ficar bem. Nós merecemos isto. Ninguém nos pode separar…” E adormeci… Soube mais tarde que me deram um calmante, para que pudesse descansar de todo aquele reboliço…
Mal cheguei, dei entrada no bloco operatório, de forma a retirarem a bala. Pelas minhas contas fiquei lá dentro umas quatro horas. Só me lembro de ter acordado na manhã seguinte, completamente tonta, com vómitos e um peso no braço que estava amarrado ao peito. O Lourenço dormia num cadeirão ao meu lado. Mal posicionado e com um ar de quem tinha sido vencido pelo cansaço. Não o acordei. Tentei, também eu, descansar um pouco, mas realmente aquela má disposição não me dava grande margem para isso.
Toquei na campainha e veio uma enfermeira jovem, de uma simpatia extrema. Arranjou-me um saco para eu vomitar. E descansou-me que era normal acontecer, visto eu ter sido submetida a uma anestesia. Perguntei-lhe de imediato, como estava o meu braço…
“Retiraram a bala, mas o músculo foi afectado. Assim como alguns tendões. Agora tudo depende da forma como o seu organismo repare este dano. Mas a operação correu bem. Vamos acreditar que tudo ficará bem. Tem dores?”
“Dores propriamente não. Sinto uma pressão forte. Não sei se é normal.”
“Sim, é normal. Os tecidos agora irão reconstruir-se por si só. Mas ainda vai ter de ficar por aqui alguns dias… Se precisar de alguma coisa, não hesite.”
“Por acaso, sinto alguma fome, será que já posso comer alguma coisa?”
“Posso trazer-lhe um chá e umas torradas. De momento é tudo o que pode comer…”
“Óptimo. Qualquer coisa serve. Ontem acabei por não jantar… nem tive tempo disso…”
“Sim, já ouvi a sua história. Demasiadamente triste. Mas devo dizer-lhe, tem um companheiro e tanto. Ele estava de rastos. Devastado. E só adormeceu porque devia ser estar exausto, não a deixou nem por um instante…”
Olhei para ele, todo “torcido” naquele cadeirão e agradeci ao meu anjo da guarda, por manter-me viva e por me ter feito encontrá-lo…
“Bem, vou buscar o chazinho… até já…”

Continuei a olhar para o Lourenço enquanto dormia… Chamei-o para que fosse para casa descansar. Não estava em condições de dormir naquele cadeirão mal amanhado. Enquanto ele ia, que viesse a Margarida um pouco fazer-me companhia.
“Amor, acorda. Sou eu…”
Ele abriu os olhos e sorriu. Eu retribui-lhe o sorriso.
“Como estás? Como te sentes? Que susto que apanhámos. Quando vi aquele sangue todo, fiquei em pânico. Só pensava que não podia deixar que a vida nos separasse. Não podia…”
“Xiu… não digas nada. Estou bem. Tenho algumas dores. Estou um pouco agoniada, mas isto também já deve ser fraqueza… a enfermeira foi buscar-me um chá…”
“Precisas de mais alguma coisa?”
“Não. Só quero que vás para casa descansar um bocadinho. Estás exausto. Olha bem p’ra ti. A Margarida que venha cá ter comigo. Deve estar impaciente por saber de notícias.”
“Sim, elas estiveram um pouco comigo, mas depois disse-lhes para irem embora. Depois ligava quando tu acordasses…”
“Então faz isso. Liga-lhes e vai descansar. Eu estou bem. Mas olha, tem muito cuidado. Por favor. Não quero que nada de mal te aconteça também a ti. O que disse a Polícia?!”
“Apresentei queixa. Eles iam procurá-la, depois diziam-me alguma coisa. Só espero que a apanhem rapidamente. Só de me lembrar, apetece ir a correr atrás dela e fazer-lhe o mesmo…” – Visivelmente perturbado ao falar do sucedido, estava o Lourenço.

Enquanto eu comi, ele foi lá fora ligar à Margarida que se prontificou a vir. O Ricardo fez questão de vir com ela. A Ana Maria tinha uma reunião importante, voltava ao final do dia, para a visita, com o Diogo.

Aquelas torradas souberam-me pela vida. Não comia nada há imenso tempo.
Algum tempo depois entra-me a Margarida pela sala adentro. Com dois malmequeres escondidos atrás das costas.
“É p’ra te dar a maior força do mundo. Foi o Lourenço que pediu que trouxesse… Aliás, ele pediu um, e eu trouxe outro… Como te sentes minha querida?”
“Agora estou um pouco melhor. Estava cheia de fome. Mas ainda estou um pouco zonza da anestesia… a enfermeira tem sido incansável. Manda o Lourenço ir dormir. Ele deve estar super cansado…”

Deu-me um beijo enorme na testa e disse:
“Mas eu volto. Não penses que me expulsas assim. Amo-te muito.”
Pedi à Margarida que me levantasse um pouco a cabeceira da cama. Já não tinha grande posição para estar. O corpo começava a dar sinal de horas na mesma posição…
“Tens de ter paciência. Eu sei que não deve ser fácil para ti estares agarrada a essa cama. Tu que és sempre tão activa e andas sempre de um lado para o outro!”
“Sim, o que mais me custa é estar aqui sem me poder mexer. Preciso de um favor, liga-me para a clínica para me desmarcarem as consultas para os próximos tempos. Não sei quando poderei voltar…”
“Claro, com certeza. Vou só ali fora ligar…”

Enquanto a Margarida foi telefonar para a Clínica, vi entrar uma pessoa vestida de enfermeira no meu quarto. Mas não era a mesma que tinha vindo antes… Achei estranho, mas ao mesmo tempo normal. Quando me virei na cama para falar com ela, percebi que era a Verónica. Gelei. Tentei gritar, mas ela encostou-me uma faca ao pescoço, fiquei de de tal ordem nervosa, que a minha respiração bloqueou… a minha sorte é que a Margarida ao voltar, apercebeu-se da minha aflição…
“Por favor, ajudem…” – Gritou a Margarida enquanto que a tentava desviar de mim…
A enfermeira entra pelo quarto adentro com o segurança e imobilizam-na…
Com o impacto de a tentarem desviar de mim, ainda me fez um corte na cara. O Segurança levou-a para uma sala segura, enquanto a Polícia vinha buscá-la…

A enfermeira pediu-me mil desculpas, enquanto eu chorava compulsivamente.
“Não sei como ela entrou aqui. Podia ter acontecido uma desgraça. Meu Deus, ela está completamente cega. Tenho de lhe tratar desse ferimento…”
Eu continuava a chorar, sem conseguir proferir uma única palavra. Peguei no telemóvel e liguei ao Lourenço.
“Desculpa estar a acordar-te…”
“O que se passou, está a chorar porquê? Estás pior?”
“Não. A Verónica veio aqui. Pôs-me uma faca ao pescoço… Ela vai matar-me. Não acredito nisto. Ela vai voltar, outra vez. Tenho medo…”
“O que? Eu não te vou deixar nem mais um minuto sozinha. Vou já para aí…”
Desligou-me o telefone na cara e eu fiquei sem dizer mais nada…
...

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Uma História de Verão - parte XIV

...
Desmarquei as consultas e liguei ao Lourenço. Ficámos ambos felizes com esta notícia. E o nosso encontro para mais logo continuava de pé.
Saí e encontrei o Luís que me esperava à porta do Hospital. Pela primeira vez nas últimas semanas vi o seu sorriso. Abraçou-me e agradeceu-me vezes sem fim. Como se houvesse necessidade disso.
Subimos o elevador. Procurei o médico enquanto ele pediu à enfermeira se podia ver a Bárbara de olhos abertos. Ela disse-lhe que sim.

Encontrei o médico completamente estupefacto. Sorridente e com uma esperança fora do comum.
“Ela vai ficar bem. No fundo apenas nos pregou um enorme susto. É uma mulher muito forte!”
Eu só lhe conseguia dizer: “Obrigado. Muito obrigado. Por tudo o que fez pela Bárbara. A forma como todos a trataram. Tenho a certeza de que isso foi fundamental na sua recuperação. Um grande obrigada a toda a equipa que foi incansável. Com ela e connosco. Permitindo sempre a nossa passagem por aqui.”

Estava desejosa de a ver. Ver aqueles dois a sorrir um para o outro. Cúmplices, como só eles conseguiam ser. Se havia um casal que eu não me cansava de elogiar eram eles. A Bárbara foi realmente um sopro de ar fresco na vida do Luís. Quando ele já não acreditava que podia amar de novo. Teve a maior prova de que isso são pensamentos que ocorrem quando o coração está cego, surdo e mudo.
Deixei-os à vontade e voltei à clínica. Como tinha desmarcado as consultas, aproveitei para colocar uns relatórios em dia. O Lourenço ficou de me ligar quando chegasse a casa. No entanto, eu queria ir cedo para tomar um bom banho, arranjar-me, para depois ir ter com ele. Estava cheia de saudades. Com todos estes turbilhões de sentimentos, tínhamo-nos afastado um pouco. E eu queria recuperar isso. Queria que a nossa relação assentasse numa base sólida e sem este tipo de conflitos. Não havia motivos para tal.
Mal entrei em casa, coloquei a água da banheira a correr. Apetecia-me um banho relaxante. Ao fim de uns minutos o meu telemóvel tocou em sinal de mensagem. Era o Lourenço.
“Acabei de chegar a casa. Quando quiseres podes vir. Espero-te ansioso. E cheio de saudades…”
Não lhe respondi. Pousei o telefone na mesa da entrada e mergulhei naquela água quentinha. Fechei os olhos e respirei fundo. O facto de a Bárbara ter acordado e estar a recuperar, tirou-me um enorme peso dos ombros. Sorri no instante seguinte. Pensar que o Lourenço me esperava, animou-me. Senti-me feliz. Amada. É tão bom quando temos alguém que nos espera, não é?
Depois do banhinho tomado, vesti as minhas calças de ganga preferidas. Uma camisa branca com riscas azuis e uns sapatinhos brancos a condizer. Adorava vestir-me desta forma simples, mas que me dava um ar elegante e leve. Olhei-me várias vezes no espelho. Gostei da imagem projectada. As coisas começavam agora a fazer sentido. Eu queria que a minha vida fosse ao lado do Lourenço. Sentia-o. Mas não encontrava explicação para a nossa forte ligação. Se calhar tinha de me contentar com o que sentia. E perder a esperança de explicar sentimentos.
Saí de casa com um ar altivo. Como se a felicidade me esperasse na primeira esquina. O que não era, de todo, mentira… Não era bem na primeira esquina, mas eram uns quilómetros mais à frente…

Estacionei o carro à porta. Telefonei para que me abrisse o portão… Aquela voz desarmava-me sempre quando falávamos. Como se houvesse uma ligação transparente por trás das palavras que partilhávamos.
Mal abriu o portão, eu saltei para os braços dele. Abracei-o com toda a força que tinha e segredei-lhe: “Não vamos mais permitir que nada interfira neste nosso bem-estar. Não quero perder dias em que podemos estar felizes, por chatices sem importância. Não quero mais isto…”

E quando o Lourenço ia fechar o portão por trás de mim, aparece a Verónica, de arma em punho. Aos gritos. Cheia de raiva e ódio. Apontando na minha direcção. Eu continuei de costas, mas pela cara do Lourenço, ela estava disposta a arriscar tudo… “Não tenho nada a perder” – Gritou.
Fiquei em pânico. Senti a vida fugir-me por entre os dedos e nada podia fazer. Aquele "Não tenho nada a perder!" ecoava dentro da minha cabeça num modo repetitivo...
Eu sabia que a minha alegria ao sair de casa naquele dia, era fora do comum. A Bárbara ter acordado, eu ter feito as pazes com o Lourenço, tudo isso me passava em flashes pela memória. Ao mesmo tempo que oiço…
“Lamento Lourenço. Mas não vais ter esta oportunidade para seres feliz.”
Ele nervoso, não deu parte fraca, mas vi aquele olhar de pânico. Sussurrei-lhe: “Haja o que houver, amo-te tanto. Sempre amei. Todos estes anos.”
Fechei os olhos e ouvi o disparo. Senti uma dor no ombro. A bala atingiu-me o braço. E eu desmaiei. Lembro-me de acordar com o Lourenço aos gritos a chamar por mim. Quando abri os olhos vi-o devastado. Percebi que era realmente importante para ele. Que a vida nos tinha dado provas de que tínhamos de lutar e muito, para podermos ficar juntos.
Calmamente pedi-lhe para chamar o 112 para me levarem ao hospital. E que ligasse à Policia para encontrarem a Verónica. A ferida originada pela bala começava agora a fazer-se sentir com mais intensidade. E o sangue que tinha perdido já era mais do que muito.
Ouvia o Lourenço chorar ao telefone enquanto eu continuava ali deitada à espera… Sentia-me fraca. Com frio. A perder os sentidos. E nesse instante ouvi a voz da Margarida. Chorava enquanto me abraçava. “Tu és forte. Tens de ultrapassar isto. Eu não te vou deixar nem por um minuto. E o barulho da Ambulância começou a sentir-se mais perto. Os bombeiros transportaram-me com todo o cuidado. O Lourenço não me largou nem por um instante e a Margarida esperou pela Ana Maria para depois irem ter connosco ao hospital.
Foi um momento muito difícil para mim. Não imaginava que alguém pudesse descer a este ponto. Por um homem.
Mas o que é certo é que eu estava ferida. Com bastante gravidade.
...

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

E o Fim de Semana foi assim...



Cheio de uma coisa e outra.
Terminei a quinta temporada da Grey's e chorei baba e ranho em muitos episódios.
Adoro ver a Lexie com o Sloan. E não gostei nada do final desta Temporada.
A ver vamos o que nos reserva a próxima...
As outras imagens são num lugar absolutamente Fascinante. Portinho da Arrábida.
Claro que as fotos são da minha autoria.
Boa Semana a todos!

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Pois bem,

depois de uma semana do mais cansativo que há, vou recolher-me aos meus aposentos.
Aproveitar o Sol, a praia e o fim de semana na Paz.
Se eu desaparecer por uns tempos, não estranhem. Há alturas em que temos de nos recolher dentro de nós próprios. Respirar o mais fundo que conseguirmos (e vou fazê-lo ao pé do mar - porque é aí que o ar é o mais puro de todos).
Não adianta termos um número significativo de cursos técnicos. Anos e anos de experiência profissional. Uma Licenciatura, um Mestrado, ou mesmo um Doutoramento. Uma vida cheia de trambolhões e quedas acentuadas... Porque, se não tivermos inteligência suficiente para percebermos o que se passa à nossa volta. Esperteza quanto baste para decifrar todos os enigmas que nos rodeiam, então meus queridos, o melhor é mesmo nos atirarmos ao Rio. E de preferência de uma ponte bem alta, assim como a 25 de Abril... Para que a altura nos atenue a queda e nos congele. Tudo aquilo que temos cá dentro.
Até breve.

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Excessos de Segunda Feira...

Hoje deu-me para a cozinha. Coisa rara aqui por estas bandas...
Fiz um bolo de bolacha, espero pacientemente e contraditoriamente ansiosa que arrefeça...
Mas só amanhã o vou provar, depois do almoço...
Depois da loiça lavada, e como a menina Miss Glitering - às 9 no meu blog - falou disto, mal saí do trabalho fui a correr ao Pingo Doce e comprei uma embalagem de Petit Gateau... Epa, acho que vou só ali à cozinha, abrir o congelador, abrir a caixinha milagrosa que trás quatro maravilhas daquelas... Tirar um e colocá-lo dentro do micro ondas e esperar pacientemente (daí eu não servir para a cozinha - não sou nada paciente) durante 1 minutinho para ver borbulhar todo aquele chocolate e "alambazar-me" sentada, no mais confortável do meu lar... Desfrutar do meu sofázinho...
E assim começa a minha semana... Mudei a cara aqui do estaminé... já precisava de umas alterações...
Agora, se me dão licença (e porque por vezes sou egoísta - mas também o bolinho mal dá para uma pessoa - por isso vou comer o segundo) vou cometer mais um excessozinho...
Hoje tenho desculpa... Afinal, é segunda-feira...

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Desabafo de Sexta-Feira...

Sinto a tua falta. Mesmo muito...
Fecho os olhos e sinto a tua mão a tocar na minha face.
O teu beijo terno e quente...
Oiço músicas que te trazem à minha memória...
Volto a fechar os olhos e vejo-te. Damos as mãos e ficamos assim...
Numa sintonia perfeita... Só nossa...
A cumplicidade é das melhores coisas do mundo, entre um casal, não é?

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Uma História de Verão - Parte XIII

...
Como qualquer noite de sono, acordei muito melhor. Quando cheguei à clínica tinha um ramo de malmequeres em cima da secretária. Calculava que fossem do Lourenço. Eram iguais às que me tinha dado no sábado, arrancadas do quintal do pai dele.
“Tenho tantas saudades tuas. Não consegui dormir sentindo a tua falta. O teu cheiro ainda estava na minha almofada. Liga-me, por favor. O maior beijo do mundo. O teu, Lourenço!”

Sorri e peguei no telemóvel para lhe mandar uma mensagem escrita, porque o primeiro paciente já me aguardava na sala de espera. Não gostava de fazer ninguém esperar.
“Foste muito injusto. Ainda estou a digerir as coisas menos boas que me disseste. Devias pensar primeiro antes de falar. Já não somos crianças em fases de crises existenciais. Mas estou quase a desculpar-te. Estas flores animaram o meu dia. Depois telefono-te ao almoço.”

Em três minutos ele respondeu de volta.
“Mais uma vez desculpa. Posso ir buscar-te para almoçarmos? Precisamos de falar!”

Não respondi. Mandei entrar o paciente e fi-lo esperar. Só depois da terceira consulta é que lhe dei a minha resposta.
“Sim. Pelas 13h.”

E o diálogo via novas tecnologias ficou-se por ali.
As flores ficaram na minha secretária a olhar para mim todo o dia. Sentia-me tão bem a contemplar aquela imagem. Só me remetia para a manhã de sábado. A imagem do Lourenço com o tabuleiro do pequeno-almoço perfeito. E num cantinho da outra mão trazia as minhas flores preferidas. E agora ao recordar-me, fiquei a pensar como ele sabia que eu adorava malmequeres. Cheirava-me que isso estava incluído nas conversas secretas que ele mantinha com os gémeos.

A par de todos estes pensamentos, o pesadelo que todos estávamos a viver, congelava-me a alma. Pensar que a Bá podia não recuperar o sorriso. Pensar que podia ficar um vegetal para o resto dos dias… Mas ao mesmo tempo eu tinha uma esperança feliz. De que aquele Amor a ia salvar. Que se alguém merecia realmente uma oportunidade, eram eles. E eu queria assistir àquele casamento. Aos votos de felicidade estampados naqueles rostos. E como dizem que quando pedimos muito uma coisa, ela acontece. Eu pedia insistentemente que a Bárbara acordasse.
No meio de mais uma consulta, liguei à Margarida. Além de querer saber o que se passou para já não ter ido à casa da Ana Maria, queria saber se havia alguma evolução. Ela tinha ficado de acompanhar o Luís naquele dia. Tentávamos ao máximo que o nosso amigo, passasse o menor tempo possível sozinho.
“Estou Margarida, como estás?”
“Olá meu amor! Como estás? Ontem o Lourenço estava um pouco estranho. Passou-se alguma coisa?!”
“Sim. Ele estava chateado. Mas é um assunto quase resolvido. Ele vem aqui agora almoçar comigo. E tu? Não apareceste mais ontem. Não me digas que te raptaram? E as coisas no Hospital, era isso que queria saber…”
“Falei com o médico hoje. Confirmou-me que a Bárbara está estável. Não houve grandes alterações. O que no caso dela é muito bom. As escoriações estão a tratar-se. Vamos ver como ela reage nos próximos dias. Mas ele pareceu-me optimista. Principalmente porque lhe fizeram uma Ressonância Magnética e ela não tinha hemorragias internas. Tem um traumatismo craniano, mas isso foi do embate violento. Ele tinha receio que ela tivesse órgãos perfurados, mas ao que parece não. O que é um óptimo sinal.”
Suspirei com algum alívio.
“A sério?! Devido ao prognóstico, acho que a situação é óptima. Ele estava tão alarmado no início. Mas coitado, não fazia a menor ideia de como ela estava por dentro. É o que eu sempre pensei. Ela é uma verdadeira lutadora. Continuo a pedir a todos os anjinhos que a salvem. Eles merecem ficar juntos. Acho que foi um verdadeiro susto. Para todos nós. Para que olhemos para a vida com olhos de ver. Entendes? E tu? Já olhaste para a tua vida?”
Ela fez algum silêncio.
“Laura… Eu amo aquele homem. Ontem ele levou-me a jantar e confessou-me tudo o que sentia. O que foi a vida dele nos Estados Unidos. As mulheres que lhe passaram pelas mãos. Senti que ele foi honesto. O que é que tu achas?!”
“Eu… Eu estou muito feliz. Eu sempre soube desse vosso sentimento. Eu falava muito com ele por e-mail, enquanto esteve fora. Sinto que é honesto e acima de tudo acho que ele voltou para resolver este caso mal resolvido que tinha na vida dele. Acho que deves arriscar. Ambos merecem e isso é o mais importante de tudo.”
“Oh Laurinha, nem sei o que pensar. Sinto-me uma adolescente apaixonada. Deixei-me levar. Passámos a noite juntos. O Sérgio já saiu lá de casa a semana passada. Tive de ser sincera com ele. Não podia mais adiar a sua vida. Achas que fiz mal?”
“Claro que não. Não se pode adiar aquilo que está à frente dos nossos olhos eternamente.”
“Por isso é que eu gosto sempre de falar contigo. Tu sabes de tudo. Agora vai lá almoçar com o Sr. Eng. Não o faças esperar mais.”
“Só lhe faz é bem esperar. Ainda não me esqueci do que me disse. E aceitei este almoço para lhe dizer, olhando-lhe no mais profundo daqueles olhos. Eu não sou a ex mulher que fazia dele gato e sapato. Não preciso disso. As pessoas são livres de fazerem a sua vida. Eu posso não gostar de certas amizades que ele tem, mas tenho de respeitar. Porque são importantes para ele. E nada mais. Ele tem de fazer o mesmo. Principalmente pela situação delicada do Luís. Eu não lhe admito!”
“Oh querida, claro que não. Ele não está ainda habituado a nós. De certeza. É impossível alguém ver alguma maldade entre ti e o Luís. Ele ama aquela mulher, basta olhar com olhos de ver a forma como ele a olha deitada naquela cama sem se mexer.”
“É verdade. Bem, vou almoçar também. Um grande beijinho. Depois diz-me como foi o almoço!”
“Com certeza. Eu digo como correu. Gosto muito de ti.”

Estes telefonemas com a Margarida eram um banho de alma. Ela acarinhava-me como ninguém. Adorava aquela menina. Tínhamos uma cumplicidade única. Ríamos de coisas que só nós achávamos graça. Como que uma linguagem próxima nos unisse.
Mal desligámos, respirei fundo. Inspirei o ar que me alimentava a vida. Nunca me sentia só porque tinha uns amigos fantásticos. Trocava toda a minha família por estes amigos.

Uns minutos depois a minha recepcionista avisou-me que o Lourenço me esperava. Queria resolver este problema o mais breve possível. Quando cheguei perto quis dar-me um beijo, mas eu virei a cara. Ele tinha de perceber a injustiça que tinha cometido para comigo.
“Já percebi que ainda não me desculpaste!”
“Temos muito que conversar, por isso aceitei este convite para almoçar contigo.”
“Eu sei que cometi um erro gravíssimo. Vi coisas onde nunca poderiam existir. Desculpa.”
“Apesar de ter ficado muito magoada contigo, fico feliz que reconheças o erro. Confesso que me coloquei no teu lugar e pensei que se assistisse a uma proximidade com alguma amiga tua, como a que tenho com o Luís, certamente sentiria o mesmo. Mas tens de confiar em mim. Só assim pode resultar. Caso contrário é melhor nem tentarmos nada juntos. Eu não te quero controlar, jamais. Quero que vivas a tua vida como tu próprio o entenderes. Se fizeres mal, estarás a fazê-lo mais a ti do que a mim. Eu não sou nem quero ser tua dona. Não sou esse género de pessoa. Por isso quero que me respeites acima de tudo. E só te vou dizer estas coisas uma vez. Não o voltarei a repetir. Por isso espero que assimiles bem.”
“Nem sei o que dizer. Só te posso dizer que vou tentar ao máximo não voltar a cometer este erro. Não quero que as coisas comecem mal entre nós. E por um disparate da minha cabeça. Nada disso. Tens-me tratado tão bem e eu agora estava quase a estragar tudo. Diz que me desculpas…”
“Pronto. Não se fala mais deste assunto, nem nada que se pareça, está bem?”
“Obrigada e desculpa outra vez.” – Inclinou-se para me dar a mão. Sorriu-me e olhou-me daquela forma que só ele tinha. Desarmava-me por completo.
“Logo espero-te em casa do meu pai. Vou preparar uma surpresa para nós. Esta noite sem ti foi muito triste. Senti muito a tua falta.”
“Ai foi? Eu não senti nada. Adormeci até de manhã… tranquila e serena…” – trocei dele enquanto lhe sorria…

Tornou a deixar-me na clínica para mais uma tarde de trabalho. Despedimo-nos com um beijo que valeu pelas horas de ausência e pelos beijos que deixámos de dar… Fiquei a pensar na surpresa que teria para mim.
Quando cheguei à clínica, o meu telefone começou a tocar. Era o médico da Bárbara. Disse-me que ela tinha acordado e que apesar das limitações, ela poderia voltar a ter uma vida normal. Eu fiquei tão feliz, tão radiante, que mal podia esperar para contar ao Luís. Tinha sido a melhor notícia dos últimos tempos.
“Estou Luís? É a Laura, tudo bem? Onde estás?!”
“Olá Laurinha. Vou a caminho do Hospital. E tu? Como estás?!”
“Eu estou feliz e tenho notícias boas para ti. A nossa menina acordou. E vai ficar tudo bem. Ligou-me agora o médico.”
“A sério? Não me digas. Meu Deus, ela não desistiu de mim. Do nosso Amor. Ela vai viver. Obrigada Laura. Muito Obrigada. Estou tão feliz.”
“Queres que eu vá aí ter contigo? Assim falávamos os dois com o médico.”
“Não te importas Laurinha? Sentia-me melhor se estivesses comigo.”
“Claro que não me importo. Vou pedir para me desmarcarem as consultas. E vou ter contigo. Até já.”
...

terça-feira, 21 de Julho de 2009

Os dias passam...

... e eu mal tenho tempo para respirar. Para escrever.
As férias de uns, aumentam o trabalho de outros. É neste último grupo que estou inserida.
Tenho o livro da Pipoca quase lido. Está muito giro. Espectacular. Muitos parabéns.
Espero em breve voltar a sentar-me com o meu computador no colo, para terminar a história que comecei... Sim, porque eu não sou de deixar nada incompleto...

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Eu já tenho o meu...

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Fui ver isto...


...e fiquei encantada com os olhos do moço... só acho que tem umas orelhitas a atirar para o "dumbo", mas ninguém é perfeito... foram as melhores imagens que encontrei. Um filme soft, mas giro. Gostei.
"O lutador - a Lei das Ruas" estreia amanhã.
Imagens retiradas Daqui

Perdidos e Achados...

Será que só acontece comigo, perder coisas dentro de casa?
Como eu costumo dizer, por vezes arrumo as coisas tão bem arrumadas que desaparecem. Há alturas em que surgem misteriosamente e me dão um enorme sorriso. Outras há que, nunca mais encontro os objectos perdidos.
Ontem foi um dia de um reencontro feliz. Uns calções que andavam desaparecidos desde o Verão passado, apareceram e a minha mãe encontrou-os em casa dela... quando me disse: "vai ali à minha mala ver o que está ali..." e eu bem mandada que sou (e curiosa também), fui lá espreitar... e eis que os desgraçados por quem tanto procurei, apareceram. No meio de uma roupita que por lá andava. Confesso que já tinha andado a ver no sítio em questão, mas dado o tamanho minúsculo dos ditos, provavelmente ainda lhes toquei, mas sem sucesso à vista!
E agora pronto, reencontramo-nos para passarmos mais uma temporada juntos. Toda a atenção é pouca, não vão os pequenotes voltar a desaparecer...
Quem não teve o mesmo fim, foram os cartões de memória (e aí vão dois desaparecidos)... Mas pronto, tudo se resolve, e como os backups já estavam feitos, comprei outros para os substituir e ficou tudo bem...
Será que só me acontece isto a mim? Perder coisas dentro da própria casa?
Gostava de saber o que têm a dizer...

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Irrita-me solenemente...

... saber que há pessoas que não descansam enquanto não massacram os outros até à exaustão. Só mesmo com o objectivo de chatear e de causar transtorno.
... aquele tipo de pessoas que vive a vida dos outros em tamanho pormenor que até assusta. Sou honesta, a mim faz-me tanta confusão.
Se todos temos a nossa vidinha, porque não remamos cada um o nosso barquinho e deixemos os outros remar o seu? É que por vezes ainda dou o benefício da dúvida. Será que sou eu que vejo coisas onde não existem? Será que sou eu que sou muito esquisitinha para este tipo de comportamentos me causarem confusão?
Mas depois tenho provas, mais do que confirmadas que não é nada disso.
Há gentinha que abdica da sua própria vida, em prol de viver a dos outros...
Tal é a tristeza do caminho que escolheram...

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Só passei por aqui...

... para escrever que estou muito muito feliz.
Que sinto uma paz tranquilizadora.
E que vou ter mais um fim de semana cheio de amor, carinho e muitos sorrisos partilhados.
Não há nada de mais importante na minha vida...
Em breve vou realizar uma coisa que eu gostava muito muito.
Começo a acreditar que quando pedimos muito uma coisa ela acontece. Pelo menos comigo tem resultado.
AQUI VOU SER MUITO FELIZ!
Pronto, agora já posso ir fazer uma naninha boa...

Para aliviar os dias...

Penso nas próximas férias. E recordo os dias bons que passaram.
Vou fazendo os exames que me faltam. Apesar de ter de repetir o ano na Faculdade, isso não me pesa na consciência. Porque tenho feito de tudo à minha medida. E não me tenho dado mal...
Mas como o primeiro semestre me passou ao lado, lá terei de integrar a turma dos caloiros em Setembro.
O mais importante de tudo é a paz que me acompanha. Os sorrisos que andavam escondidos e que agora têm um encanto muito maior.
E agora vou só ali (quero dizer, aqui mesmo) stressar um bocadinho com o trabalho. Hoje não estou nada inspirada para estar aqui a brincar aos escritórios de contabilidade e recursos humanos. É nestes dias que penso que escolhi a profissão errada...

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Habituava-me rapidamente a viver sempre assim...






E foi assim o meu fim de semana...
Quem me dera estar esparramada naquelas espreguiçadeiras,
mergulhar naquela piscina e tomar todos os dias aquele pequeno-almoço... Foi muito especial...
Certamente repetirei, qualquer dia destes... por aí...

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

A Cinco Meses dos Trinta...

O que confesso hoje é o meu Grande Amor pela Música.
Não sou fanática de nenhum cantor/banda em especial. Gosto de muitas músicas. Umas mais calmas, outras mais animadas. Desde Cheb Mami, Oliver Shanti, passando por Him ou 3 Doors Down, Tiesto e outros mais... Tudo depende do momento, da inspiração, do meu estado de espírito.
Todos os dias quando o meu telefone me desperta, coloco-o de imediato a tocar.
Entro no banho e a música rola. A maioria das músicas que me acompanham estão no meu telefone. Que uso também como leitor quando vou à caminhada ao final da tarde...
Este é sem dúvida um objecto que não dispenso. Primeiro porque me faz estar perto de todos aqueles que são importantes para mim. Em segundo porque tem lá muitos dos meus Segredos!

domingo, 28 de Junho de 2009

Uma História de Verão - Parte XII

...
“Se o Luís perder a Bárbara vai ser muito complicado. Ele não está preparado. Aliás, ninguém está. Quem é está preparado para perder o Amor da sua vida? Pensar que nunca mais a poderemos olhar, falar com ela. Vê-la sorrir. Ver que completava a vida do meu querido amigo. Ver que era a mãe que ele queria para os filhos dele. E agora, deitada naquela cama, imóvel. Cheia de traumatismos… Nem sei o que pensar…”
“Não penses em nada. Faz apenas o que prometeste e pediste ao Luís. Vamos acreditar que ela vai recuperar. E ter muita fé. Temos de sentir exactamente aquilo que lhe pedimos. Se não, que tipo de credibilidade temos nós? Pedir algo em que nem acreditamos. E tu? Sempre a mais optimista do grupo. Sempre com uma fé inabalável. O que passa contigo?”
“Estou muito triste. A perder todas as forças perante este cenário. Não me leves a mal, mas estou a raciocinar sobre toda a informação que o médico me deu. E penso que se estivesse no lugar do Luís, preferia morrer a ter de ver a pessoa que amo morreu. Entendes isso?”
“Claro que entendo Laura. Mas agora não és mais sozinha. Tens-me a mim. Eu só quero estar ao teu lado e fazer-te sentir acompanhada todos os dias. Percebes? Já chegaram os anos em que a vida nos separou. Estás disposta a aceitar-me na tua vida?”
“Oh Lourenço… só tenho que agradecer toda a tua companhia e apoio. Obrigada. Ainda estou a digerir a nossa aproximação. Mas o facto é que me tenho sentido muito melhor desde que apareceste na minha vida. Adorei passar a noite contigo. O teu mimo. O teu aconchego. Não há nada no mundo que seja superior a isso. A sentirmo-nos amados. A partilhar as nossas vidas. Seja de planos, seja de realizações. Sim. Quero que faças parte da minha vida. E no dia que não quiseres mais partilhar os teus sonhos, diz-me. Sem rodeios ou meias verdades. Sê honesto, simplesmente.”
“Já tínhamos falado sobre isso. Agora vamos subir. Vamos ver se eles precisam de alguma coisa!”

Antes de me desencostar do muro, limpou-me as lágrimas e beijou-me ternamente.
“É aqui que quero estar. Ao teu lado.”
Não deixou que eu pronunciasse mais nenhuma palavra. Deu-me a mão e dirigimo-nos de novo para o andar onde a Bárbara se encontrava internada. Ao chegarmos ao piso estava lá a Margarida. Não entrou porque a enfermeira lhe disse que já lá estava muita gente. Esperámos cá fora todos juntos.
“O Ricardo está lá dentro com o Luís. Mas devem estar a sair…” – disse-lhe o Lourenço piscando-lhe o olho…

Senti que ela estava impaciente. Não olhava nos olhos do Ricardo há muito tempo. E como diz o ditado: “Olhos que não vêm, coração que não sente!” e neste caso acho que esta frase se aplicava na perfeição.
Minutos depois sai o Ricardo com o ar mais abalado do mundo. Ninguém conseguia ficar indiferente ao estado da Bárbara. Mas ao ver a Margarida, abraçou-se a ela com uma força comovente. Ela retribuiu o abraço. Olharam-se nos olhos e a magia era evidente. Apesar de ninguém dar o braço a torcer… A distância a que estiveram sujeitos, criou-lhes defesas imensas. Como muros intransponíveis. Mas que eu não acreditava que se mantivessem erguidos por muito tempo… Conhecendo eu a Margarida e o Ricardo, em pouco tempo, voltariam à cumplicidade de outrora e quem sabe não assumiam o que sentiam.

Eu tornei a entrar no quarto da Bárbara. Desta vez para tornar a levar o Luís connosco. Não queria que ele continuasse a contemplar aquele estado de “desgraça” que ela aparentava. Mas eu estava confiante, algo me dizia que ela ia melhorar. O facto de ter acordado por si só era um belíssimo sinal. Apenas tínhamos de ser pacientes e aguardar que os médicos nos comunicassem os próximos passos a seguir.
Voltámos à casa da Ana Maria, que já tinha junto com o Diogo, o jantar feito á nossa espera!
À saída do hospital, o Ricardo pediu á Margarida que o acompanhasse. Eu pisquei-lhe o olho e ela percebeu que a mensagem que eu lhe queria transmitir.

Eu e o Lourenço levámos o Luís para que pudesse comer alguma coisa de jeito em casa da Ana Maria. Desde o acidente, que a sua alimentação estava completamente remetida para segundo plano. E sem essa fonte de energia, mais dificilmente ele iria conseguir levar a bom porto o tempo de espera que tinha pela frente.
A Margarida e o Ricardo tardaram em chegar. Calculei que ele a tivesse levado a um qualquer lugar para conversarem. Estavam afastados quase há um ano. Muita coisa haveria para dizer.
Depois do jantar eu e o Lourenço saímos. Não iríamos lá voltar a dormir. O espaço da Ana Maria estava mais do que comprometido com a estadia do Luís por lá e acima de tudo, eu percebi que o facto de dar todo o meu apoio ao Luís estava a melindrar o Lourenço. Facto que achei normal, porque se me colocasse no lugar dele, sentiria da mesma forma. Por isso nessa noite, achei que tínhamos que falar. Explicar tudo muito bem explicado, para que desde início não se criassem dúvidas entre nós.
“Queres ir ficar hoje comigo em minha casa?” – disse-lhe para que percebesse que eu estava disposta a deixá-lo entrar na minha vida.
“Eu?! Dormir em tua casa?! A que se deve essa mudança repentina de comportamento?” – Disse-me enquanto me olhava de lado…
“Sim, estou disposta a deixar-te entrar na minha casa. A deixar que durmas na minha cama! Acho que é uma prova mais do que evidente de que eu quero tentar. Que eu me predisponho a dar uma oportunidade à minha vida.”
“É uma surpresa. Gostei. Mas hoje acho melhor que fiquemos a dormir cada um em sua casa. Têm sido dias muito difíceis, preciso de estar sozinho.” – Respondeu ele sem me encarar.
“Tudo bem. Como queiras. Quando voltares a saber o que queres de mim, diz-me. Só preciso de ir buscar as minhas coisas em casa do teu pai e depois peço-te o favor de me deixares em casa…” – Disse-lhe eu mantendo toda e qualquer distância. Sentia-me a ferver por dentro. Apesar da proximidade, senti que ele estava roído de ciúmes sem fundamento. E eu não iria ceder. Não ia deixar de dar todo o apoio ao meu irmão de coração, só porque ele sentia ciúmes. Sabendo ele o quanto o Luís amava aquela mulher que estava entre a vida e a morte.

Quando me deixou à porta de casa esticou-se para me dar um beijo. Não retribuí. Despedi-me com um seco “Boa Noite!”, bati a porta e nem olhei para a cara dele. As lágrimas estavam quase, quase no limiar de cair, mas eu perante homem nenhum demonstrava a minha fraqueza. Tinha aprendido isso com os meus pacientes. Quantos homens eu tinha atendido que tinham ficado com o coração despedaçado, porque foram abandonados pelos Amores das suas vidas? Já lhes tinha perdido a conta. E via a minha própria vida entrelaçada na vida deles. Tal como eles se entregaram de corpo e alma ao Amor. Também eu vi a minha vida desfeita pelo mesmo motivo. E não me venham dizer, como tantas vezes oiço, que o melhor é ser sozinho. Ninguém é feliz sozinho. Ninguém é feliz sem partilhar. De que adianta contemplar o mais lindo nascer ou pôr-do-sol, se não tivermos alguém ao nosso lado a quem dar a mão? Alguém que olhe no mesmo sentido que nós? Alguém que nos olhe nos olhos e nos demonstre segurança, Amor e esperança? Ninguém. E quem o teima em afirmar, é para se convencer disso mesmo. Ainda que não o sinta. Porque a maioria das vezes escondemos os verdadeiros sentimentos que sentimos.
O Lourenço ligou-me ainda duas vezes. Mas eu não atendi. Não queria discutir. Estava exausta. Mal tinha dormido na noite anterior. Só precisava de um duche bem quente. Escovar os dentes e deitar-me na minha cama. Dormir uma noite, o melhor que conseguisse.
Como não respondi, deixou-me uma mensagem escrita.
“Perdoa-me. Fui tão burro e injusto. O Luís precisa de nós unidos. Mais do que nunca. Não merecias. Se me conseguires perdoar, responde-me. Eu gosto tanto de ti…”
Em parte senti algum alívio pelo facto dele ter reconhecido o erro. Mas ainda era cedo para lho demonstrar. Precisa dormir e descansar. No dia seguinte logo se veria o que iria fazer.
...

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Hoje não me apetece...

























.... escrever...






Só me apetece mostrar imagens que nenhuma palavra traduz.



quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Ainda o regresso...

Pois é... na 3ª feira o meu estado agravou-se. Depois uma tarde passada em reunião com o Ar Condicionado no máximo e os restantes presentes a fumarem compulsivamente, cigarro após cigarro. Perdendo tempo com trabalho que já deviam ter levado feito para a reunião, aqui a menina apanhou uma camada de nervos ou tão pouca, que foi pra casa num estado super alterado.
Para ajudar a aumentar a tensão, acordei na 4ª feira cheia de dores de garganta e com a cabeça a explodir a cada passo que dava... Moral da história, depois de um dia de trabalho compulsivo (devido á tarde perdida na 3ª), de casaco vestido, a tremer de frio vou a correr para o médico. Toma lá uma injecção de penicilina que é para arrebitares e amanhã passas por cá para apanhares outra. E tomas uns ben-u-rons para atacar essa febre...
Agora apenas sinto um ligeiro desconforto no meu rabo. Mas é curioso, a pica de hoje mal a senti e a de ontem ainda me doi aqui compulsivamente... Realmente há bons profissionais em todas as áreas e outros que... enfim... limitam-se a fazer o seu trabalho... o resto? Não interessa nada...

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Não tenho título para isto...

Mal toquei na história. Foram uns dias em que saí fora do corpo para me analisar. Para me observar. Sentir-me. Perceber quem sou. O que faço aqui. E não é que tive um orgulho enorme?
Fui babysitter a maioria dos dias destas férias. A experiência mais gratificante e feliz que tive até hoje. Senti que parte de mim nasceu mesmo para isto. Mimar, cuidar, ralhar e sorrir.
O que mais me custa no regresso é ter de deixar aquelas alminhas em casa. Para aturar gente que pouco ou nada me toca cá dentro. O oposto deles.
Assim que surgir a oportunidade voltarei a escrever.
Só posso dizer uma coisa. Estou de volta. Mas sem vontade nenhuma!

domingo, 14 de Junho de 2009

O Sol deu lugar à chuva... Mas o calor ficou...

Estou a escrever do único lugar onde vejo as estrelas brilhar no céu. Aqui o seu brilho é tão luminoso que me ofusca o olhar. Perfeito demais para existir em lugares onde haja muita gente para o poder contemplar. Esta terra é quase um esconderijo e por isso eu acho que as estrelas brilham mais aqui do que em qualquer outro lugar.
Os eucaliptos deixam-me respirar fundo, um ar quase a tocar o limiar da pureza. Sento-me na sua sombra contemplando tudo aquilo que de natural existe por aqui. Que é quase tudo. Com os anos muita coisa tem evoluído, mas a maioria mantém-se quase inalterada.
O som dos pássaros que passam. As andorinhas que constroem os seus ninhos livremente e o que eu mais adoro, as cegonhas. Mantêm os seus ninhos perfeitos em postes de electricidade onde se juntam em grupos de três ou quatro por ninho. Muito especial o tempo que passo a contemplar as suas vidas.
Sabe-me sempre muito bem. Como da primeira vez. Chegar a este lugar que me viu crescer. Que me ensinou tanto da infância para a adolescência. Tomava banho num alguidar enorme, ali naquele quintal que vejo daqui. Com água aquecida num tacho enorme ao fogão. Nunca consegui aguentar a água fria. Mesmo com a intensidade do calor que faz por estes lados.
Todos os anos eu me apaixonava pelo mesmo rapaz. Um emigrante em França, que vivia na mesma rua. Todos os anos a saga repetia-se. Trocavam-se cochichos entre as meninas e os meninos. Recados carregados de inocência e de paixões assolapadas cuja data de validade era o tempo que duravam as férias de verão. Ficava destroçada na noite que sabia que ele voltava a Paris. Pela madrugada, sem que a minha avó notasse, ficava acordada a ouvir o carro dele partir. E desejava-lhe a melhor viagem do mundo. Na esperança que o Inverno passasse o mais rápido possível, para nos voltarmos a ver.
Ele nunca gostou de mim. Mas nem isso me importava. Porque quando eu me deliciava a olhar para ele e ele retribuía o olhar com aquele sorriso, eu era a menina mais feliz do mundo. Sentia que nada me faltava. Lá de vez em quando sentia saudades da minha mãe, mas a brincadeira não deixava grande tempo para esses saudosismos.
Foi assim até à maioridade. Depois disso, a independência sempre me deu liberdade para cá vir quando quisesse. O Joel casou entretanto. Continua a viver em paris e nunca mais me lembro de o encontrar. Pensei na altura que o tempo passa por todos nós e que um dia seria eu a casar e a seguir a minha vida. De uma maneira ou de outra. O tempo não pára e nós por vezes somos rebocados ao sabor do vento. Deixamos que a vida se encarregue de nos guiar. Como aconteciam nos três meses de férias de verão. Intensos e felizes.
Ainda não me casei, mas continuo a acreditar que um dia terei a minha própria família. Um dia os meus pais serão para os meus filhos a mesma referência que os meus avós foram para mim. A mais importante, posso dizê-lo. Com eles soube o que era o amor incondicional. A liberdade. O mimo. A tolerância. O que eram as falhas da vida mas acima de tudo a luta que teríamos de travar ao longo do caminho. Quer por um emprego, quer por manter uma família unida. Orgulho-me de ter nascido nesta família porque me deram tudo aquilo que sou hoje. Ensinaram-me a maioria das coisas. Especialmente a nunca desistir, independentemente do número de quedas que existirão ao longo dos anos.
E é assim que me quero preservar. Com orgulho de mim. Naquilo que sou. Pelo que luto. E continuarei a adorar esta terra que me viu crescer. Que me ensinou o que era a paixão e o amor. Que as desilusões amorosas existem. E não é por o rapaz que gostarmos não gostar de nós, que a vida pára. Apesar de por vezes parar um bocadinho e durante algum tempo não pensarmos em mais nada. Mas é mesmo assim.
O Sol que todos os dias se põe atrás destas planícies e nos aquece tanto os dias, é o mesmo que desponta nas manhãs frias de Inverno e ilumina o caminho.
Foi bom vir aqui, mais uma vez.
Amanhã estarei de volta a casa. Porque também adoro o regresso à minha cama. Aos meus lençóis e àquilo que, eu sozinha construi.
Talvez ainda volte este ano. Com uma enorme certeza.
Aqui sou sempre recebida de braços abertos!

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A Pipoca pediu...



...e como não sou egoísta, partilho este pequeno paraíso convosco... É um lugar mais do que perfeito. Já não é tão secreto como antigamente. Mas é muito meu...
Continuo a ser muito feliz aqui. Quando voltar partilho mais imagens.

Beijo Grande

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Férias


Até dia 22...
Espero terminar a História de Verão até lá!
Muito obrigada por todo o apoio e incentivo que me têm dado na escrita destas palavras!
Beijinhos Grandes...

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Uma História de Verão - Parte XI

...
Disse à mãe do Luís para ir para casa descansar, porque não ficava ali a fazer nada. Se houvesse alguma alteração, eu comunicava com ela. E assim foi. Ao fim de algum tempo, levámos o Luís connosco.
Quando chegámos à casa da Ana Maria já era bem tarde, mas arranjamo-nos como podíamos e ficamos todos lá a dormir.
“É assim que funciona a nossa amizade. Quando é preciso, estamos cá uns para os outros. O nosso fim-de-semana era assim interrompido.”
“Achas que isso me importa de alguma forma? A mim basta-me que esteja contigo. E estarei aqui até me quereres ao teu lado. Admiro-te muito por este teu lado humano.”

Não consegui pregar olho a noite inteira. Passei mais de uma hora no terraço a olhar para o céu estrelado e falei, esperando que alguém no céu me ouvisse. E que salvasse aquela menina que estava deitada naquela cama. Porque ela ainda tinha toda a vida para viver. Tinha um casamento marcado e acima de tudo, tinha alguém que a amava da forma mais pura. Não era justo.
Quando percebeu que eu não estava na sala, o Lourenço veio ter comigo. Ouviu tudo aquilo que eu dizia enquanto chorava pela impotência de nada poder fazer. Criticou-me quando eu disse, que era preferível que me tivesse acontecido a mim em vez dela - “És tão cruel. Como podes dizer isso? E eu? Como é que eu ficava numa situação como a do Luís?! Não tornes sequer a pensar numa coisa dessas.” – E naquele instante percebi que já não estava sozinha. Que o rumo da minha vida se havia alterado. Eu tinha desprezado aquilo que tinha tido de mais precioso. A oportunidade de deixar que alguém me amasse e cuidasse de mim. Porque gostar de alguém é isso. É dar sem questionar. É ficar ali ao lado em silêncio, quando é caso disso. É gritar para chamar à atenção e ralhar quando for o momento.

A noite passou-se e quando eram umas cinco da madrugada, o meu telefone toca. Era o Dr. Responsável pela Bárbara.
“Bom Dia, só lhe quero comunicar que houve uma ligeira melhoria no quadro clínico. A Bárbara acordou do coma, mas nós tivemos de o induzir novamente porque ela está muito magoada fisicamente. Se houver mais alguma alteração, eu comunico, fique descansada.” – Adorei a prontidão daquele médico.

Não disse nada ao Luís, deixei que descansasse o máximo, porque já sabia que ele queria passar o dia no hospital ao lado dela.
A Ana Maria tinha-lhe dado uns comprimidos fortes para ele dormir. Certamente acordaria com outro tipo de discernimento. Se é que havia alguma forma de discernimento, capaz de o ajudar num caso tão complexo como este.
Ao pequeno-almoço contaria o que o médico me havia dito.

O Ricardo, ligou ao Lourenço nessa manhã. Precisava que alguém o fosse buscar ao aeroporto. Como fez escala em Madrid, aproveitou para pedir boleia. Recém-chegado dos Estados Unidos onde tinha ido fazer um MBA em Gestão Financeira
A Margarida tinha sido o grande amor da vida do Ricardo. E o Ricardo da vida da Margarida. Mas nunca ninguém foi capaz de assumir o que sentia. Apesar de ela nunca me ter contado. Eu vi o brilho nos olhos dela, quando se falou que ele devia estar a regressar do outro lado do mundo. Sei que ele também veio para assistir ao casamento do Luís. Tinha sido convidado para ser o padrinho, junto comigo!
Quem sabe não seria esta cerimónia a aproximá-los. Custa-me ver pessoas amarem-se em silêncio. Perder oportunidades sem arriscar. Sem tentar. Sem partilhar. Lutando contra aquilo que sentem.

Não tardou a que o Luís se levantasse. Tinha de me sentar com ele para termos uma conversa importante sobre a Bárbara e o seu estado clínico. Não queria alimentar-lhe esperanças para que ele as voltasse a perder umas horas mais tarde. Queria ser directa e honesta.
“Bom Dia meu querido. Descansaste bem? Preciso de falar contigo. O médico ligou-me agora de manhã. Tenho notícias.”…
“O médico já ligou hoje? E não me acordaste para eu falar com ele? Porquê!?”…
“Porque tu precisavas de descansar. E porque eu iria compreender melhor o que ele tinha para me dizer. E muito mais facilmente eu te conseguia explicar a situação. Será que posso agora dizer?!”
“Claro. Desculpa minha querida. Diz-me como está a minha Bázinha!”
“Então é assim. A Bárbara acordou do coma – os olhos dele sorriram e deram-me um sorriso a mim – mas calma. Eles tiveram de o voltar a induzir porque ela estava com muitos traumatismos físicos. No entanto isto significa que ela foi uma lutadora. Não se rendeu aos ferimentos. Entendes?! Mas quero que fiques alerta porque o estado continua grave. Mas tivemos um bom sinal.”
Abraçou-me com tanta força e chorou de emoção. Eu chorei com ele. Não me consegui conter. O Amor que sentia era a coisa mais pura a que eu tinha assistido.

Tomou um duche rápido, enquanto isso preparei-lhe um pequeno-almoço e lá fomos. O Lourenço e o Diogo já tinham saído para apanhar o Ricardo no aeroporto. Iriam contar-lhe do acidente da Bárbara. Provavelmente iriam ter connosco ao hospital.
O Luís estava em silêncio. Pouco ou nada disse enquanto mexia o café. Provavelmente tinha a cabeça a mil. A pensar e repensar na informação que eu lhe tinha transmitido. Juntando todos os sentimentos que nutria. Mais todos os fantasmas que o perseguiam… Confuso, mas real. Acredito que era isto que se passava na cabeça do Luís.
“Vamos então, disse-me ele enquanto pousava a chávena no lava-loiça.”
“Sim. Estou pronta.”

Fiz questão de levar o meu carro. Não queria de modo algum que o Luís passasse por qualquer tipo de concentração mental. Ele manteve-se em silêncio e eu também. Na rádio passava uma música do James Morrison com a Nelly Furtado. Mal se ouvia. Mas o “Broken Strings” acompanhou-nos durante o caminho até estacionar no Hospital.
“Estás bem, Luís?”
“Sim. Preciso mesmo de a ver. Tenho muitas saudades. E muita esperança. Não a posso perder. É a pessoa que eu escolhi para passar o resto dos meus dias. Amo-a da forma mais pura que podes imaginar. Isto pode não durar grande tempo. Mas o que eu quero agora, é que mesmo ela estando a dormir, saiba que nunca saí daqui. Que o nosso Amor nos uniu. Afinal de contas o que é o casamento? Não é mais do que a união entre duas pessoas. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Mesmo que o nosso casamento não se chegue a concretizar, porque eu penso nisso infelizmente. Ela é a minha mulher. A minha esposa!”
Fiquei sem palavras. Abracei-o com toda a força e segredei-lhe: “Vamos acreditar! Pelo Amor! Pela pureza deste Amor que vos une!”
“Não sei o que seria de mim sem ti. O teu apoio tem sido fenomenal. Obrigada Laura. És uma mulher e uma amiga muito especial. És muito importante para mim. Espero que o Lourenço faça de tudo por ti. Porque dificilmente encontrará outra pessoa com o teu valor…”
“Agora não estamos aqui por mim. Estamos por ti. Tudo vai ficar bem.”

O elevador abre-se no piso onde a Bárbara estava internada. O Luís seguiu para a ver e eu procurei o médico no gabinete. Queria ficar a saber todos os pormenores. Se havia alguma alteração de prognóstico.
O médico não estava, mas ainda consegui trocar umas impressões com a enfermeira de serviço. Confessou-me que o estado traumático era grave. Mas o facto de ela ter acordado por ela própria era um óptimo sinal. O seu cérebro estava activo e consciente. Ela mal abriu os olhos tentou gritar desesperadamente. Mas como estava toda entubada, foi mais complicado lidar com a situação.
O estado dela mantinha-se estável. Não deixava, porém, de ser uma situação bastante grave!

Depois da breve conversa, dirigi-me ao quarto. Fiquei a admirar aquele cenário. O Luís estava devastado a olhar para ela naquela situação. Achei que me devia aproximar. Coloquei-lhe a mão no ombro e sorri. Vamos ter fé. A Bárbara precisa que acreditemos nela. Ela vai conseguir. Vamos pedir a todos os anjos que a salvem.
Apertou-me a mão com toda a força e encostou-se a mim a chorar. “Porquê Laura?! Diz-me porque é que isto tinha de nos acontecer. Logo agora, que toda a nossa vida estava a começar!”
“Não te sei dizer o porquê. Só te sei dizer que acredito na força dela. Por momento algum acreditei que ela pudesse desistir de viver. A Bárbara está a lutar contra tudo de mau que lhe aconteceu. E vai conseguir. Não consigo pensar sequer noutra hipótese. O facto de ter acordado sozinha é um bom indicador. Ela está a reagir. Apesar de a vermos neste estado lastimoso de hematomas e nódoas negras. Ela tem muita força. Também quero ver-te forte. Tal como a Bárbara gostava de te ver.”

Não tardou a que o Lourenço me estivesse a ligar para saber se estava no Hospital.
Encontrámo-nos cá fora. O Ricardo estava lindo. Aqueles olhos verdes expressivos e aquele sorriso lindo. Cumprimentamo-nos com um abraço imenso. Apesar de não sermos muito presentes na vida um do outro, eu admirava-o. Apesar de todo o sucesso profissional que tinha, nunca deixou de nos procurar. De tempos a tempos ligava a dar notícias. Trocávamos e-mails longos, como as cartas que se escreviam antigamente. Daí eu saber que a Margarida continuava a ter um lugar importante naquele coração.
Expliquei-lhe onde estava o Luís. Ele seguiu as indicações e ficaram por lá os dois a conversar.
Vim com o Lourenço até à rua. O cheiro a Hospital transtornava-me muito. Pedi-lhe desculpa pela minha ausência, mas ele tinha de entender que o Luís precisava de mim.
“Não tens de te desculpar! São os nossos amigos. Precisam de nós.”

Sem grandes conversas abraçámo-nos num silêncio calmante. Toda esta história tinha mexido muito connosco. De um segundo para o outro, tudo o que tínhamos dado como certo, fugia completamente ao nosso controlo… Acho que era mais uma prova que a vida nos estava a dar. De que temos de viver momento após momento. Sem grandes preocupações. Amando quem amamos, o mais possível. Dizendo e dando provas disso mesmo. Porque no dia em que achamos que estamos preparados para o dizer, poderá ser tarde para o fazer…
...

Sinto-te em mim...

Como no primeiro dia. Como no primeiro toque.
Tu nem consegues imaginar como que é bom sentir-te…
O toque da tua pele, o teu cheiro, o teu sorriso. O som da tua voz. Tão perfeito…
Apareceste caído num pára-quedas todo o terreno, com uma magia indefinida.
E eu apaixonei-me por ti. Como da primeira vez que me apaixonei de verdade. Tinha 15 anos.
Só quem gosta de alguém com o coração todo, entende o poder de uma paixão na nossa vida. É como se tudo o resto perca importância. A nossa vida enche-se de sonhos e de planos. De filmes e de parvoíces que partilhamos junto com os sorrisos e os momentos cúmplices.
Já reparaste que nós dois temos isto tudo e muito mais? Somos mais parecidos que diferentes...
No primeiro dia que nos vimos eu tremi. De medo e de nervoso miudinho. Sabia que não me ias passar a ser indiferente. Que irias revoltar todo aquele mundo que eu gosto de ter controladíssimo e sem grandes surpresas. Mas foi bom. Foi óptimo.
E como um dia escrevi, “Por que é que quando as borboletas do Amor e da Paixão se soltam dentro de nós, sentimo-nos de novo com todo o poder da realizar tudo? Achamos que temos o mundo na palma da mão.”, era exactamente isto que sentia quando os dias passavam e estavas comigo em pensamento, depois de estares ali, ao meu lado.
Sinto-te em mim com uma intensidade única. Como se fosses uma camada da minha pele, fina e delicada. Macia e brilhante.
O teu olhar tímido nunca me abandona. Os momentos em que te segredei ao ouvido o quanto eras especial para mim. Lembras-te do primeiro beijo? Foi tão desastrado. Mas o segundo, o terceiro e todos os outros foram mais do que perfeitos. Foram mágicos e especiais. Demos parte de nós naqueles instantes. Porque para mim, gostar de alguém é apenas partilhar a profundidade do nosso sentir. E quando fazemos amor com uma pessoa entregamos parte de nós. Deixamos lá a nossa maior pureza junto com o prazer que damos e sentimos. É desta forma que te sinto em mim. Tão pura e demasiado honesta.
Sonho contigo porque já não te posso ter. Porque as vidas podiam ser aquilo que cada um quisesse ser, mas não são. Não há lâmpadas mágicas como na história do Aladino. Em que temos direito a pelo menos três desejos realizados. Mas não me importo. Porque enquanto te sentir em mim, estarei completa. Porque fui feliz. Vivi cada momento como único e com toda a entrega possível. Acho que esta é a verdadeira magia da vida. Termos a capacidade de nada esperar. Ganhar coragem e aceitar sem questionar ou resignar. Cada um é o que é e o que pode ser naquele momento.
Sinto-te em mim. Todos os dias. E enquanto assim for. Serei uma pessoa completamente feliz.

O Teu,
Segredo Cor de Rosa


E porque um "Já (não) te sinto em mim", deu origem a um "Sinto-te em mim" e a Lua Escondida não se importou que eu voltasse a participar, aqui está este meu segundo contributo...

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Paixão Platónica...(O meu Segredo)

Desde que vim para esta empresa (e vai fazer 4 anos) que tenho uma paixão platónica por um vizinho. E hoje apetece-me falar disto. Vou apelidá-lo de Mr. B.
É daquelas coisas que se sente e não se explica. É uma quimica que eu nem sei. É aquele sorriso malandro que ele me atira na hora de almoço, quando desço para o café na rua com os meus colegas do Armazém... Nunca gostei de pessoas assim lindas de morrer. Belezas declaradas. Mas ele tem um encanto especial. E não é ser convencida, mas acho que o Mr. B. também simpatiza comigo...
Nos últimos dias, pela hora de saída estava sempre lá fora e fazia questão de pronunciar um simpático "Até amanhã!"...
A semana passada trancou-me o carro ali no estacionamento. E quando o veio tirar para eu poder sair, teve a lata de me dizer que tinha sido propositado. Ao que lhe respondi, que lhe admirava a honestidade...
Não fosse ele casado e eu contava-lhe uma das minhas historinhas de encantar... Adormecia-o ao colinho e tudo...
Mas não posso. Talvez não queira que esta magia se perca... Fico-me pelos "ses", pelos sorrisos enternecedores e pelas palavras que vamos trocando...
Porque na maioria das vezes que as Paixões Platónicas se transformam, dos pensamentos aos actos, o resultado final nunca é o melhor... Logo, posso dizer que estou bem como estou.
Com o carinho do Mr. B. e aquele sorriso que não tem preço nenhum...
Os meus pensamentos? Esses ficam só comigo... São o meu Segredo...

sábado, 30 de Maio de 2009

Uma História de Verão - Parte X

...
Fomos tomar um banhinho os dois. A cumplicidade começava a fazer-se notar, os olhares e os sorrisos partilhados. O Lourenço quis levar a “Bimby” para fazer uns sumos e umas sobremesas enquanto nós tratávamos do resto da ementa… Já se sabia que a tarde ia ser passada à mesa!
Num ápice chegamos lá e já lá estava também a Margarida. Desta vez sozinha. Achei estranho, principalmente porque ela estava com um ar tristonho. Mas assim que houvesse uma oportunidade, ela haveria de me explicar. Sentia tantas vezes ao olhar para a Margarida, que os olhos dela me falavam em silêncio. A nossa amizade era do mais puro que podia haver. E acho que ela se sentia melhor a falar comigo sobre certas coisas, do que com a Ana Maria. Eu nunca a julgava. E a Ana Maria revoltava-se e dizia-lhe coisas que não eram fáceis de ouvir. Eu era capaz de lhe dizer o mesmo, mas de outro modo. Acarinhava-lhe a alma e aconchegava-lhe os caracóis, como se a menina não tivesse crescido. Porque a partir do momento em que somos mulheres, ganhamos uma sensibilidade para as coisas, completamente diferente. Eu própria o sentia. E depois dos trinta esta sensibilidade triplicava-se.
Sempre fiz questão de demonstrar o quanto as adorava e o quanto me podiam chatear sempre. Até passarem todos os maus bocados, porque eu só as queria a sorrir de novo.

Quando nos sentámos à mesa eu perguntei pelo Alberto. Ninguém soube responder. A Ana Maria ainda comentou que o viu no supermercado na semana anterior, mas que ele se esgueirou por outro corredor, para nem sequer que ter de a cumprimentar. Era a prova mais que precisa de que o Alberto voltava à mesma vida de outrora com a sua companheira. E admitir que se comete o mesmo erro duas vezes, não é fácil para ninguém.
“Quando ele estiver desesperado, ele aparece!” – comentou o Diogo.
“Só lamento é que as pessoas só se lembrem dos outros, quando estão em situação de emergência. Ser amigo é muito mais do que isso…” – Intervim.
“Ele que não me torne a bater à porta. Uma pessoa faz das tripas coração para ajudar os outros e depois nem um simples cumprimento são capazes de dar.” – Exaltou-se a Ana Maria.
“E o nosso Luís tem dado notícias? ” – perguntou o Lourenço.
“Sim, é verdade. Para a semana temos a despedida de Solteiro dele. Temos de pensar em qualquer coisa para nos divertirmos. Umas strippers, umas cervejas e fazemos a festa…” – Diz o Diogo piscando o olho, em jeito de provocação – “Estava a brincar! Sabes que já passei essas fases. E certamente o Luís também não quer isso.”
"E o Ricardo? Como estão as coisas lá pelos Estados unidos?" - questionou o Diogo.
"Está por aí a chegar. Enviou-me um e-mail a dizer que chegava por estes dias. Andava à procura de voo!" - Respondi eu.
A Margarida quando ouviu o nome do Ricardo colocou-se em sentido. Eu percebi que aquele gesto foi natural. A maioria nem reparou. Aquela história antiga, estava muito mal resolvida...
Enquanto eles discutiam que tipo de despedida iriam preparar para o nosso luís, nós mulheres deliciávamo-nos a experimentar sobremesas na Bimby, ao mesmo tempo que as minhas queridas me bombardeavam de perguntas, como havia sido a noite anterior. Mais parecia um inquérito para a Policia Judiciária, como se eu fosse um presumível arguido num processo mediático.
Não respondi à maioria das coisas porque o meu olhar e o meu sorriso denunciavam-me assim que eu tentava esconder ou passar à questão seguinte.
Ainda era muito cedo para qualquer tipo de previsão ou balanço. Mas eu sentia-me bem, era notório.

Aquele final de tarde tornara-se perfeito. Estava rodeada das pessoas que eu mais amava na vida. E sentia que o Lourenço me preenchia muito mais do que eu pudesse adivinhar. Que a ideia que tinha dele, enquanto pessoa não correspondia em nada à realidade. E era uma das coisas que mais prazer me dava, enquanto ser, surpreender-me com alguém, pelo lado positivo.
Claro que a Ana Maria não nos deixou ir embora assim facilmente. Ficámos para jantar. Por isso os meninos ficaram em casa a ver o jogo de futebol e nós fomos as três até ao Centro Comercial ver umas montras e comprar uns petiscos para a noite que se adivinhava longa…
Quando por lá andávamos a ver roupa e sapatos, liga-me o Luís a chorar.
“A Bárbara teve um acidente e está em nos Cuidados Intensivos no Hospital. Preciso de ti. Por favor, ajuda-me” – eu em pânico, a tentar raciocinar a mil á hora para não cair em tentação de lhe dizer um disparate – “Já vou ter contigo. Tenta manter a calma. Até já!”
Mal desliguei elas perceberam logo que algo grave se passava. Deixámos tudo para trás e no caminho ligámos para eles a avisar. O Luís precisava de todo o nosso apoio. Como é que isto poderia acontecer a quinze dias do casamento.
A Ana Maria levou-nos até casa dela onde o Lourenço se prontificou a levar-me ao Hospital. Eles ficaram. De nada iria adiantar irmos todos. Eu quando lá chegasse ligava a dar mais notícias.
O Luís estava irreconhecível. Mal me viu ao fundo do corredor correu para mim. Não consegui conter as lágrimas por ver no desespero em que ele se encontrava. Tentei acalmá-lo da melhor forma que pude, mas não havia muito que eu pudesse fazer. Há dores tão finas que nos dilaceram em fracções de segundo, e moem, moem como que uma tortura constante.
Tentei que me contasse como havia sido o acidente, mas ele não sabia grande coisa. Só falava do telefonema que tinha recebido do Inem. Soube mais tarde, pela mãe do Luís que a Bárbara tinha sido apanhada numa ultrapassagem mal calculada. E que não tinha culpa nenhuma. No fundo era isso que estava a revoltar o Luís. Eu conhecia-o como ninguém.

Tentei falar com o médico responsável por ela, mas pelo que consegui apurar junto das enfermeiras, o caso era demasiado grave. O Lourenço ficou sentado na sala de espera com o Luís, enquanto eu engolia em seco e tentava ajudar da melhor maneira que sabia e podia. Há olhares que nos dizem mais do que qualquer palavra e quando o médico da Bárbara me olhou nos olhos eu vi. Vi que o coração dela estava prestes a parar. Que só um milagre daqueles é que a poderia salvar. Eu sabia isso, mas não quis crer que o meu "mano" iria viver uma perda desta natureza. Combinei com o médico nada dizermos, até haver mais alguma alteração no quadro clínico da paciente. Admirei o gesto do Senhor. Percebeu o quanto o Luís era importante para mim.
Voltei à sala de espera e disse-lhes:
“Vamos aguardar por mais alguma evolução. A situação é grave, não vos posso mentir. Mas vamos manter a fé. O amor que a Bárbara tinha por ti, e o quanto ela queria este casamento, vai salvá-la. Vamos acreditar nisso!”
O Luís abraçou-se a mim com a maior força do mundo e eu deixei que ele chorasse. Nada poderíamos fazer, apenas acreditar que ela ia lutar pela vida, da forma mais forte que sabia. Através do seu amor.
...

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

A Seis Meses dos Trinta...

Pois é. O dia 29 é o meu dia... Estou a 6 meses de completar as trinta primaveras...
Todos os meses neste dia, venho aqui escrever qualquer coisa sobre mim. Pode ser algo que gostasse. Pode ser um sonho. Um segredo. Uma confissão...
E a primeira coisa que me ocorre escrever hoje é que, acho que os trinta é uma idade bonita.
Os trinta certamente que me darão mais maturidade ainda. Me darão novas responsabilidades, e espero que façam de mim, uma menina ainda mais bonita e com toda a certeza, uma pessoa melhor...
Espero que os trinta me tragam muita alegria e muito riso. Muitos objectivos concretizados.
Vou de férias daqui a uma semana para o lugar que eu mais amo no mundo. O Alentejo.
Um dia, se tiver filhos, quero que tenham a oportunidade de conhecer aquilo. Brincar lá como eu brinquei. Ser lá tão feliz como eu fui. E como sou. Cada vez que o motor para naquela aldeia. Saio do carro e respiro aquele ar.
E não sinto a falta de mais nada.

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Já (não) te sinto em mim...

Hoje, na visita diária ao Blog com o título deste post, deparei-me com um Desafio que adorei.
E resolvi logo aceitar... porque adoro escrever. Nomeadamente cartas! E como há algum tempo não escrevia nenhuma, aqui vai a minha contribuição...

Já não te sinto em mim. Nunca tive coragem de to dizer, mas é esta a mais pura das verdades.
Deixei de te sentir a falta. Mudei. A vida mudou-me. O caminho não é mais o mesmo em que estás.
Quando achei que era altura virei à direita e a sombra da tua pessoa desapareceu, simplesmente...

Mas o nosso Amor foi tudo aquilo que um dia eu gostava de ter para sempre. Existia porque sim. Sem qualquer outro motivo.
Era o mais cúmplice. Foi partilha perfeita de sonhos e de realizações. Que a vida nunca deixou acontecer. Porque não tinha de ser.

É triste, dizer-te hoje e agora que já não te sinto em mim. Porque não gosto de despedidas. Nunca gostei.
É como deitar coisas fora. não gosto muito, mas por vezes tenho de me sentar em redor dos meus objectos e selecionar.
O que estiver a mais, lixo. Porque só assim conseguimos ganhar espaço para algo novo. Para um recomeço...

Gostei tanto de ti. De nós dois. Do que éramos juntos. Nunca imaginei que pudesse existir uma separação física definitiva.
Apenas e só porque éramos o complemento um do outro. Tu sempre calmo e eu sempre a correr e a stressar.
Quando ficavas acordado a ver-me dormir. E me contavas no dia seguinte. Que o meu sono te tranquilizava. Vias-me feliz. Ali. Ao teu lado.
E hoje digo-te o mesmo. Também ficava tantas vezes a ver-te dormir. Depois aninhava-me em ti. Abraçavas-me e juntos dormíamos. Tranquilos. E no dia seguinte, ao acordar, sorriamos, por termos ali ao lado o Amor das nossas vidas.

Hoje só sei que não sei se conseguirei voltar a amar alguém, como te amei a ti. Foi o sentimento mais puro que tive por um homem.
Talvez o único, com tamanha pureza e grandeza.

Espero um dia voltar a sentir de novo um Amor como o nosso. Ou melhor. Mais arrebatador ainda.
Que dure e dure, para nunca ter de voltar a repetir estas palavras:

Já não te sinto em mim! Porque eu te quero sentir. Sempre!
O teu,
Segredo Cor de Rosa.

E copiando, descaradamente a ideia... Digam-me... Quem é ou quais são os vossos Segredos?
Mandem para esomeusegredo@gmail.com, que eu publico!

terça-feira, 26 de Maio de 2009

Uma História de Verão - Parte IX

...
“O que foi? Disse alguma coisa que não devia? Como é fim-de-semana, achei que podíamos passá-lo juntos. Ias a casa buscar uma roupa e vinhas. Que mal tem? ...”
Sorri e disse: “Mal nenhum. Vamos então. Paras lá em minha casa e eu passo o fim-de-semana contigo!”
Senti que ele não esperava aquela resposta. Contava que eu me desfizesse em desculpas cheias de fundamento. Mas não havia necessidade. Eu queria estar com ele. Mais do que tudo, logo só tinha de aceitar o convite.
Ficámos a rir os dois a olhar um para o outro. Parecia que o tempo tinha regredido até à esplanada como havia acontecido uns anos antes. Abracei-o e dei-lhe o melhor beijo do mundo. Ele retribuiu de igual modo. Estava a precisar desta aproximação. Sempre fui assim, demoro uma eternidade a tomar uma decisão, mas quando a tomo, assumo todas as consequências. E não podia deixar que isto me passasse ao lado…

Passámos em minha casa para arranjar um saco com meia dúzia de coisas. Ele não subiu, preferi assim. Depois deste fim-de-semana logo se veria como corriam os outros dias. Não queria pensar em nada. Só queria viver. Queria ser feliz e fazê-lo feliz, que era coisa que tinha percebido que nos últimos tempos ele não tinha sido.

Na semana seguinte era o casamento do Luís. Andava atarefado com os preparativos, ainda o ajudei a encontrar uma florista que lhe tratasse da decoração da Quinta. Fez questão que eu o ajudasse a escolher o fraque. Gosto de ver um noivo com um casaco de abas de grilo. Sempre primei pela diferença e acho que o dia do nosso casamento deve ser especial e único. O Luís gostou e sempre me agradeceu muito a minha presença na vida dele. E eu fazia-o com todo o prazer. Adorava-o como um irmão.
Quando partilhei com o Lourenço esta minha ligação com o Luís, senti que ele ficou apreensivo. Mas nada tinha que ver com uma relação homem/mulher. Tinha sim a ver com sentimentos. Nobres, puros. Era o que sentíamos um pelo outro.

Chegados a casa do pai do Lourenço pousei as minhas coisas e sentei-me no sofá.
Ele ofereceu-me um chá, e eu aceitei. Prontifiquei-me a ajudá-lo. Tinha um bolo feito. “Foi a bimby que fez a massa. Mas prova!” Achei engraçado ele dedicar-se à cozinha. Não fazia a menor ideia. Estava delicioso. Tinha raspa de chocolate, que lhe dava um toque muito especial. “É óptimo! Se eu soubesse que fazias bolos, já te tinha procurado há mais tempo…” brinquei eu enquanto punha a mesa para o chá.
Como costumávamos dizer na casa da minha mãe, o Português está sempre sentado à mesa. É vê-lo a confraternizar quando tem família em casa – sempre à mesa. Mas eu gostava. E tinha saudades. Em casa dos meus pais havia sempre gente. E cresci com a ideia de que queria ter uma família grande. Para que nunca se instalasse o silêncio ensurdecedor… Mal eu sabia que dali a pouco tempo ficaria sem eles…
Falámos dos nossos pais, recordei os meus com a maior saudade de todas. Ele confortou-me quando uma lágrima teimou em cair. Em jeito de brincadeira disse que me emprestava os pais dele para que eu nunca mais me sentisse sozinha no mundo. Achei um gesto nobre. Sempre me confrontei com um Lourenço físico que vivia de aparências e de bom aspecto, mas via-o como um ser vazio, no fundo.
“Foi uma enorme surpresa! Acredita que me surpreendeste quase 100% apenas numa noite. Só espero que tenhas guardado mais um pouco de ti para me surpreenderes mais amanhã e depois… Não me dês tudo hoje…”
“Não te preocupes. Se amanhã eu acordar e ainda te tiver aqui ao meu lado, serei a pessoa mais feliz do mundo… Porque é sinal que não estraguei tudo.”
“Que disparate. Achavas que só te dava o trabalho de um chazinho e de uma fatia do teu bolo bimbo? Claro que não. Quero um pequeno-almoço daqueles. Especialíssimo. Vamos ver quem tem de aturar quem por mais tempo!”

Porque é que quando as borboletas do Amor e da Paixão se soltam dentro de nós, sentimo-nos de novo com todo o poder da realizar tudo? Achamos que temos o mundo na palma da mão. Que somos adolescentes cheios de sonhos e esperança que a nossa vida só pode ser cor de rosa…

“Vamos dormir? Já é tarde.”
“Sim vamos, eu também já estou com sono!”

Ele subiu as escadas à minha frente e carregou o meu saco. Era estranho estar naquela casa. Mas ao mesmo tempo era um momento desconhecido, mas bom.
Entrei na casa de banho e parei em frente ao espelho. Olhei-me durante algum tempo. O reflexo que emergia era o do meu sorriso. Vesti o pijama e escovei os dentes. Não queria perder nem mais um minuto longe dele. Já estávamos a anos de separação. Para quê esperar mais tempo…
Ele estava sentado na cama a ler. Ou a disfarçar. Acho que era mais a segunda hipótese.
“Devo dormir aqui neste cantinho? Aqui ao teu lado?”
“Sim. Tens alguma ideia melhor?!”
“Por acaso até tenho…”

Veio ao meu encontro e envolveu-se em mim. Eu perdi todos os sentidos e deixei-me levar. Deixei de pensar para passar a sentir. Embarquei naquela viagem ao centro de tudo o que tinha esquecido. Ao prazer, à doçura, ao carinho. Foi uma noite perfeita. Mas não menos perfeita do que a que merecíamos. Adormecemos nos braços um do outro. Na manhã seguinte estávamos preguiçosos, mas o cavalheiro realizou tudo o que prometeu. Tive direito a pequeno-almoço requintado na cama e tudo. Com as minhas flores preferidas acabadas de colher… O pai do Lourenço é que quando voltasse não devia achar muita piada ao ver os malmequeres que lhe faltavam no quintal…
“Quando ele te conhecer vai plantar muito mais malmequeres para te oferecer sempre que tu cá vieres! Tive a melhor noite dos últimos tempos. Isto não vale tanto como o brilho do teu olhar. Ou a partilha desse sorriso tão especial.”
“Assim não vale Lourenço. Então?! Vamos com calma. Faz de conta que somos uns bebes que começamos agora a caminhar. Vamos dar passos pequeninos, para que não tenhamos uma queda que nos magoe muito. Pode ser?”
“Não gosto desses teus racionalismos. Tu não és assim. Despe essa farda que vestes. É sábado e eu não sou nenhum dos teus pacientes. Vá lá. Ainda ontem quando aceitaste o meu convite me surpreendeste tanto. Foste tu mesma. Sem medo. Tens de arriscar, tal como eu estou a fazer. Eu sei que é cedo e que mal nos conhecemos, mas temos tudo para dar certo. Não quero deixar de viver esta fase maravilhosa com medo. Entendes-me?”
“Entendo e desculpa. Mas eu tenho este medo assumido. E tu sabes. Tens de me dar tempo. Mas quero agradecer-te toda a tua amabilidade, tens sido cinco estrelas. Melhor, cem estrelas. Tens-me tratado como eu já nem imaginava que pudesse ser tratada…”

Voltámos a aninhar-nos um no outro, depois daquele magnífico pequeno-almoço. Foi uma grande surpresa. As flores principalmente. Não imaginava o Sr. Lourenço de pijama e chinelos no quintal a apanhar flores, num sábado de manhã. Mas a vida tem destas coisas, e ainda bem que nem sempre as coisas correm como esperado, e ainda há pessoas capazes de nos surpreender.
Perto da hora de almoço toca o telefone do Lourenço. Era o Diogo a convidar-nos para almoçar em casa da Ana Maria. Tinha ido comprar carninha para grelhar no terraço.
“Sim, vamos. Dá-nos só um tempo para nos arranjarmos. Eu ajudo-te com os grelhados.”
Enquanto falava com o Diogo gesticulou para que eu lhe respondesse se queríamos lá ir almoçar com eles. Como se não soubesse que eram a minha família. E os almoços em casa da Ana Maria prolongavam-se sempre até à noite. Mas era tão bom. O convívio e a partilha que tínhamos uns com os outros, era única. Como poucas famílias verdadeiras tinham e era isso que nos unia. O verdadeiro sentido das palavras e não o interesse. Fosse ele de que natureza fosse.
...

sábado, 23 de Maio de 2009

Parabéns Meu Amor,

São as palavras que eu mais te queria dizer. Hoje. No teu dia. Sabes que só te vi neste dia, precisamente no dia do teu nascimento. Eras um bébé lindo. Sossegadinho, dormiste todo o tempo que te tive ao meu colo. Só me apetecia trazer-te para casa. Para que nunca ninguém nos pudesse separar...
Passados cinco anos, estás um menino muito crescido. Orgulho-me tanto de ti. És muito inteligente, fazes sempre muitas perguntas e não te contentas com qualquer tipo de respostas.
Sabes que por vezes sinto medo que te esqueças de mim. Das nossas brincadeiras. Dos filmes que vemos juntos. Mas dás-me o maior dos sorrisos quando me provas precisamente o contrário. Porque tu nunca te esqueces de nada, e acabas sempre por relatar sempre todos os pormenores importantes!
Mais uma vez te escrevo para te desejar um dia muito feliz. Ainda que estejas longe, e pelo menos hoje não vamos cantar os parabéns nem abrir presentes. Mas espero que, na próxima semana te possamos dar a tua primeira festa de anos em casa do pai.
Tal como combinámos, espero que tenhas escolhido a prenda para a tia te oferecer.
E tal como sempre fazemos na despedida. Enchemo-nos de beijos e abraços apertados e dizemos tantas e tantas vezes seguidas, para que nunca nos esqueçamos:
"Amo-te Muito Muito Muito, que é o mesmo que quer dizer Gosto Muito Muito de Ti".
Muitos Parabéns, da Tia que te Ama mais do que tudo. Tu sabes!

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Desafio de Um Gajo Qualquer...

As regras são:
1. Publicar a imagem do selo e linkar o blogue que passou;
2. Escolher 5 situações na tua vida que mereciam ser repetidas em câmara-lenta;
3. Passar o desafio e o selo a 12 blogues e avisá-los.

Como eu gosto pouco de cumprir regras, não vou colar aqui selo nenhum.
Mas o Selo diz que "O teu Blog merece ser filmado"...
Foi o meu querido Um gajo qualquer... que me desafiou...
Ficam desafiados todos os Blogues que estão aí na minha listinha!

1ª: O dia peguei no meu R. acabado de nascer. 23 Maio de 2004.
2ª: O dia 27 de Fevereiro de 2009.
3ª: Todos os dias que passo com os meus meninos.
4ª: O dia 10 de Julho de 1996.
5ª: O dia 17 Julho de 2007.

terça-feira, 19 de Maio de 2009

Uma História de Verão - parte VIII

...
Enquanto conduzia senti que olhou várias vezes para mim. De forma subtil. Antes de parar o carro, pousou a mão em cima da minha perna e procurou olhar-me nos olhos. - “Estás bem?” – Não o olhei. Mas toquei-lhe na mão e respondi que sim. “Dá-me tempo!”.
Apertou-me a mão e quando o encarei, piscou-me o olho. “Vamos ter com os nossos amigos. Nem sabes como me sinto bem aqui. Contigo. Tinha esperança que este momento se tornasse uma realidade.”
“Posso não dizer nada? Prefiro ainda manter-me em silêncio… Desculpa! Mas posso dizer-te que me fazes rir, e acho que isso é um bom indício… pelo menos por hoje…” – e sorri…

Quando a Ana Maria veio abrir a porta, reparou logo que a minha expressão estava sorridente. Estava com um ar pouco estupefacto de me ver com o Lourenço. Certamente o Diogo não resistiu a contar-lhe a notícia. Percebeu que o jantar tinha corrido bem. O Lourenço cumprimentou-a e percebi que estava com vontade de trocar umas palavras com ela. Na sala estava a Margarida com um amigo – Sérgio – e o Diogo. Cumprimentamo-nos e o clima estava ligeiramente tenso, apesar das gargalhadas.
A Ana Maria e a Margarida serviram-me um café e fomos ao terraço para elas fumarem um cigarro. Claro que as questões de como foi e como te sentes foram as primeiras a serem projectadas para cima de mim… Há tanto tempo que eu não contava como tinha sido um encontro… Mas perceberam que tinha sido bom, aliás, muito bom.
Na sala os meninos deveriam estar a fazer o mesmo tipo de inquérito, não conhecesse eu o Diogo.
Não demorámos muito tempo para não criar ilusão de que estávamos a contar todos os pormenores. Mas entre amigas nenhum detalhe fica por partilhar.
Os senhores sugeriram sairmos para beber um copo. Um bar com música ao vivo. Aceitámos de bom grado. Estava a ser uma noite feliz, porque não distrairmo-nos um pouco?
A Ana Maria e o Diogo vieram connosco no carro do Lourenço, e a Margarida foi com o seu amigo especial. Apesar de já se conhecerem há algum tempo, aquela história ainda não tinha tido grandes desenvolvimentos. O Sérgio era colega de trabalho. Conheceram-se há uns anos numa agência na Avenida Estados Unidos da América, onde a Margarida trabalha. Mas ele quando casou pediu transferência para o Parque das Nações. Mas ao fim de um ano de casamento com uma menina mimada - que o trocava frequentemente para sair à noite com amigas, e não estava disposta a fazer as tarefas domésticas – ele saiu de casa e pediu à Margarida se lhe alugava um quarto em casa dela, até ele arranjar uma casa para viver. Sempre tiveram uma enorme cumplicidade, mas nunca percebi bem se ele estava disposto a arriscar de novo. Como sabia que nós as três tínhamos uma relação de quase família, o medo que o mesmo erro se repetisse, ultrapassava-o.
Obviamente que nos encontrávamos, mas não deixávamos de viver a nossa vida. Cada uma com as suas responsabilidades, mas sempre com a noção de que homem nenhum nos iria separar. Depois da morte da minha mãe (que faleceu numa noite de Primavera, depois de uma crise de asma) e um ano e meio depois a do meu pai (que na minha opinião não aguentou o desgosto e morreu de saudade), fizemos o juramento de que todos os Natais, estaríamos juntas na noite do dia 24. Independentemente da nossa família crescer ou não. Normalmente éramos sempre as três, o Diogo e os pais dele.
Juntávamo-nos sempre na Vivenda dos gémeos, tinham sempre um quarto preparado a rigor para mim e para a Ana Maria. Acolhiam-nos como as filhas que foram adoptadas já depois de adultas. Senti que aquela era a minha família mais pura. Onde os sentimentos criados eram muito mais fortes do que a ligação ao sangue que me corria nas veias. A minha família verdadeira era muito desorganizada e muito pouco dada aos nobres sentimentos. E por isso, deixei de os contactar depois do falecimento dos meus pais. Certamente também não sentiam a minha falta, porque ninguém se preocupou em ligar-me mais para saber como eu estava. Lá muito raramente ligavam a pedir favores profissionais ou um ou outro interesse em que os pudesse ajudar.

Pensei no Natal, porque me lembrei que este ano estávamos mais ou menos as três acompanhadas, e achava engraçado mantermos a tradição…
Os pais da Margarida e do Diogo, sempre adoraram a Ana Maria. Acredito que iriam ficar felizes de saber que ela e o Diogo andavam mais próximos…

No bar senti que o Lourenço me queria transmitir alguma coisa. Estava meio impaciente. E perante isto, fixei-o nos olhos e fiz-lhe sinal. Ele pegou num cigarro e disse que o ia fumar lá fora. Eu levantei-me e segui atrás dele.
“Estás bem?” – Questionei-o à espera da resposta mais provável…
“Não estou bem. Vejo que já me vais conhecendo. A Verónica mandou-me uma mensagem a dizer que não me vai facilitar a vida. Que eu não pense que só por te reencontrar, que tudo será simples daqui em diante. E eu não quero de forma alguma envolver-te nisto. No entanto, não quero voltar a deixar que o tempo nos separe e muito menos esta situação.”

“Calma. Respira fundo. Agora olha para mim. Nos olhos.
Só preciso que me digas uma única coisa. Honestamente, sem rodeios ou o menor dos receios. Tu queres este divórcio? Queres seguir a tua vida? Tens a certeza disso? Só preciso que sejas honesto na resposta destas questões. Tudo o resto o tempo ajudará a resolver. Eu tenho feito das tripas coração para vencer este meu vício da solidão. Portanto peço-te que penses bem no que queres fazer com a tua vida.”

Não o deixei responder a nada. Voltei a entrar no bar. Elas perceberam que algo se tinha passado. Mas nada disseram. Eu bebi a minha vodka com um só golo e respirei fundo… Em dois minutos ele tornou a entrar e ao sentar-se segredou-me ao ouvido - “Não há mais nada que eu queira tanto na minha vida, como estar aqui contigo” – e deu-me a mão. Apertou-a com toda a força que tinha.
Retribuí da mesma forma. Olhei-o nos olhos e ele aproximou-se deixando-me sem saída possível. Eu gelei. Foi inevitável fugir àquele beijo. Quando nos voltámos a olhar, eu tremi de medo. Sabia que aquele gesto me iria quebrar. Ele tornou a segredar-me ao ouvido: “Não vamos desistir! Não nos vamos separar!”…
Elas procuravam olhar para mim depois daquele “momento à parte” e perceberam a minha expressão de pânico… A partir dali a coisa só podia piorar… Eu só pensava que devia ter evitado aquele toque…
Mas não fui capaz.
O Diogo tinha uns conhecimentos e arranjou-nos uma mesa privilegiada para vermos a banda cantar. Nada de muito ensurdecedor, gostei. No entanto, a minha atenção não estava focada nas músicas, comecei logo a ver como me ia descartar do Lourenço depois de deixarmos a Ana Maria e o Diogo em casa.
A Margarida foi a impulsionadora para irmos embora naquela noite. E do que eu a conhecia, sabia que em parte estava relacionado comigo e com o Lourenço.
Saímos todos juntos, mas a Ana Maria que tinha a escola toda, já tinha dito à Margarida para a deixar em casa com a desculpa de ter lá deixado um saco esquecido. Eu percebi perfeitamente o contexto daquela situação mas nada disse. Ao entrar no carro com o Lourenço toda eu tremia. Respirei fundo sem que ele percebesse. Precisava de pensar, dependendo daquilo que ele tinha para me dizer.
“Pensei que hoje podias vir ficar comigo em casa do meu pai. Ele foi para a Aldeia. O que me dizes?”…
...Silêncio absoluto...
...

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Na tua Fita de Finalista, queria escrever isto...

Mas dado o problema com a qualidade da Fita e das canetas, escrevi meia dúzia de palavras, no entanto tinha de te fazer chegar as palavras que escrevi a pensar em ti. Numa carta de papel bonito, para que possas guardar e ler, sempre que me queiras recordar...
E foi assim:

Como dizia o Fernando Pessoa, poeta que admiro muito: "... Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo!"
e nesta fase da tua vida, acho que é quase como que o consolidar do "castelo" que tens vindo a construir ao longo dos últimos anos...
Nunca duvidei que o conseguisses, antes pelo contrário. Admiro a tua garra, força de vontade e espírito de ajuda...
És uma menina que, mesmo ao longe, vi crescer. Com quem, também eu, aprendi muitas coisas, assim como te ensinei outras tantas.
E agora olhamos para trás e vemos que os anos têm passado a uma velocidade imensa. Mas isso apenas fez com que nos tornassemos
numas lindas mulheres com os pés bem assentes na terra e com toda a certeza do que queremos fazer ao longo deste caminho,
a que chamamos vida.

Estarei sempre aqui. Para quando precisares de mim.
Muitos parabéns e toda a felicidade do mundo é pouca para a escrever nesta fita.

O maior beijo de todos.
Segredo Cor de Rosa

2ª Feira...

Por si só já é um dia mau...
Custou-me horrores levantar. A alergia veio para ficar em dose XXXL, sem que qualquer medicamento (mesmo em dose redobrada) me faça efeito. Excepto a moleza que se instala com tanto comprimido que tenho tomado... mas parar o belo do pingo que me "assa" o narizinho todo, nada. 50.000 espirros por minuto e um mal estar que só quem sofre com isto, consegue entender.
Uma raiva sem fim por um ser (que vale menos do que mil números negativos) por atitudes e comportamentos que não me deviam surpreender, mas que de tão maus que são, só poderiam existir, um dia.
Por isso hoje que ninguém me diga nada.
Deixem-me estar sossegadinha aqui no meu canto. Em silêncio. Em Paz.
Mas podem sempre deixar aqui uns miminhos em forma de palavras, que curam sempre qualquer má disposição. E se souberem o nome de algum antí-histamínico milagroso, sou toda ouvidos...
Boa Semana.

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Em tempos escrevi um post de Solidariedade.
Hoje volto a falar desse assunto. Li uns textos magníficos de quem "visitou" esta realidade.
Perante a leitura, senti-me pequenina, diminuída, porque afinal, temos muito mais do que certas pessoas em grande parte da sua vida tiveram. E tantos e tantos dias nos queixamos, afinal de contas, sem motivo. Porque não somos capazes de dar valor àquilo que de tão básico temos. Àquilo a quem nem sequer perdemos tempo a reflectir.
O egoísmo, o materialismo, e tantos outros adjectivos que caracterizam o ser humano e o faz viver segundo moldes que de puro e sensato, pouco ou nada têm.
E como este espaço é Solidário, gostava de partilhar convosco.

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Uma História de Verão - parte VII

...
A tarde passou num ápice e dei comigo preocupada com a roupa que queria usar. Algo discreto mas que o fizesse reparar em mim. Nada de exageros.
Pouco passava da hora combinada quando mandou mensagem a dizer que me esperava à porta. Ainda me demorei um pouco e ele não reclamou o meu atraso.

“Desculpa o atraso!” – disse para que percebesse que eu também era humilde.
“Não tem problema nenhum, nem demoraste muito!”

Criou-se um ambiente um pouco constrangedor. Ambos estávamos comprometidos. Sabíamos que aquele encontro nos levaria por outros caminhos. E por mais força que eu tivesse, era assombrada por um pânico que me falava ao ouvido. Que me segredava vezes sem conta: Não te esqueças do que se passou. Não te esqueças. - Mas nessa noite, deixei de dar ouvidos a este tipo de pensamentos. Não podia continuar a alimentar estas vozes. Eu queria arriscar, só esperava conseguir fazê-lo...
Chegados ao restaurante, ele puxou a cadeira para eu me sentar. Admirei o gesto. Disse-lhe que podia escolher por mim também. Então sugeriu que víssemos a ementa juntos. Assim foi. Pedi um sumo de laranja natural e ele pediu vinho branco. Depois de o empregado levar o pedido, disse que tinha algo para me contar.

“A minha ausência nestes dias deveu-se a andar a resolver a minha separação com a Verónica. Não te queria envolver no meio da trapalhada que estava a minha vida. Queria estar contigo quando tudo estivesse resolvido. Não queria que ficasses melindrada com nada que ela pudesse fazer.” – Desabafou, enquanto me servia um pouco de pão com paté.

“Eu não pensei em nada. Ou melhor, vou ser muito honesta. A ideia que tinha de ti nunca foi a melhor, tal como te disse naquele dia, e durante a tua ausência, só pensei que isso era a confirmação do que eu pensava. Que não tinhas qualquer respeito por mim. Que me tinhas desafiado naquela noite, para te divertires um pouco. Foi isto que pensei, sem mais nada a acrescentar.”
Ele engoliu em seco e deve ter pensado como eu tive coragem para lho dizer na cara. Mas eu era mesmo assim. Tinha feito um pacto comigo própria. Nunca mais iria deixar nada por dizer.

“Estou a viver em casa do meu pai. Ele agora passa a maior parte do tempo na Aldeia. Disse-me logo para me mudar, quando lhe contei que a minha relação com a Verónica já não estava a resultar. A minha mãe também me disse que nunca gostou muito dela. Mas que só eu sabia e tinha de saber até onde queria deixar a coisa ir. Comecei a perceber que não era a pessoa que eu queria ter ao meu lado, especialmente quando ela me disse que não estava disposta a sofrer e a engordar para me dar um filho. E nessa altura eu lembrei-me tanto de ti. Apenas e só pelo que o Diogo me disse. Que estava a ser tão difícil voltares à vida depois de tudo o que se passou… E foi nessa altura que eu achei que te devia procurar…”

“A Verónica disse isso? Que não estava disposta a engordar por engravidar?! Realmente as pessoas não são todas iguais. No dia que soube que estava grávida, foi o dia mais feliz da minha vida. E tu nem calculas o que eu me recordo desse dia. Foi nesse momento que eu descobri o sentido para a minha vida. Sabia que a partir dali nunca mais estaria sozinha. Mas quis o destino que as coisas não corressem bem e um mês e pouco depois estava eu internada numa cama de hospital, tentando entender o porquê. Justificando o injustificável. Pensando que era apenas um pesadelo e quando saísse do hospital, tudo voltaria ao normal. Mas não voltou. Fiquei com a minha vida do avesso. Não pelo Joaquim, que passei a sentir o maior desprezo do mundo, mas por mim. Pela minha perda. Instalou-se uma tristeza sem fim.
Agora já passaram alguns anos e sinto-me melhor, mas as marcas são irreversíveis.”

“Como eu te entendo. E lamento tanto. Se eu soubesse tinha vindo naquela altura. Mais que não fosse para te mostrar o quanto me importava contigo.”

“Sabes Lourenço, nunca mais consegui olhar em frente. Nunca mais dei nenhuma oportunidade a ninguém. Nem a mim. E não sei porquê, mas aceitei o teu convite para jantar e estamos aqui os dois à conversa. Não sei o que queres de mim, e porque apareceste agora. Só te peço uma coisa, não me prometas nada, nem alimentes sentimentos que não tens. É o meu único pedido.”

“Acho que nos podemos dar bem. Temos alguns choques, no fundo reagimos de forma idêntica, para que não conheçam as nossas fraquezas. Percebi isso naquele dia que nos apresentaram. Por mais vontade que tivesses de olhar para mim, nunca o fizeste directamente. Não querias que eu avaliasse nada a teu respeito, e sabias que um olhar traz muito de nós, denuncia-nos sem que demos conta… Mas a Psicóloga és tu…" – disse ele sorrindo ao ver-me a ficar envergonhada.
“Tens razão. Não me foste indiferente. Mas eu não queria que percebesses. Para mim sempre foste um engatatão que tinha montes de miúdas a rastejar a seus pés. E eu não seria mais nenhuma. Não podia permitir que os meus olhos revelassem o que eu estava a sentir.”

“Vês como eu já te vou conhecendo…”
“Tu conheces-me melhor do que seria esperado. Não me agrada muito essa ideia…”

“É verdade, o casamento do Luís está quase. Pensei que podíamos ir juntos nesse dia. O que te parece?”
“Estás a convidar-me para ser o teu par no casamento do Luís? Vou pensar no teu convite e depois digo-te alguma coisa!” – pisquei-lhe o olho e ele percebeu que eu estava a brincar.

“Vou contar-te uma coisa. O Diogo anda a tentar conquistar a Ana Maria. Temos falado muito sobre isso. E eu dei-lhe toda a força. Acho que ela é uma mulher fantástica que merece um homem digno, assim como o Diogo. O que é que tu achas?”

“Acho que sim. Sabes que a minha relação com o Diogo sempre teve os seus momentos, mas eu gosto muito dele. Acho que é boa pessoa e não me parece que ele seja de brincar com os sentimentos das mulheres, até porque nunca lhe conhecemos nenhuma namorada séria. Tal como ele dizia, só quando tivesse a certeza é que ficaríamos a saber quem era a eleita! E agora quem sabe seja uma boa oportunidade para ambos. Tu e ele são parecidos e isso assusta-me um bocado. Têm meio mundo de mulherio atrás de vocês, e não me agrada nada ver a Ana Maria a chorar pelo Diogo…”

“Laura, escuta uma coisa, podemos ter meio mundo atrás de nós, mas acredita que não damos importância nenhuma a isso. E tu sabes. Quantas mulheres me conheceste? A Verónica e pouco mais. Uns engates de miúdo, nessa altura nem eu sabia o que era uma mulher… E acredita, o Diogo pelo que me disse, está mesmo interessado na Ana Maria. E a idade já não é para brincadeiras. Aquilo parece-me sério.
Melhor do que ninguém sabes que a idade nos ensina muita coisa. Aprendemos com a vida, com as nossas vivências e também se aprende muito com quem nos rodeia. O Diogo assistiu a muitos episódios meus com a Verónica e falávamos muito sobre isso. Ele ajudou-me muito, porque me fez perceber que eu apenas estava a manter as aparências de uma relação. Porque a base já se tinha perdido há muito!”

Entretanto chegava o nosso bacalhau com natas que tinha um cheiro divinal. O Lourenço fez questão de me servir e de me dizer que não se importava de me encher de mimos enquanto me pegava na mão. Eu fiquei sem graça perante o carinho dele. No fundo achava que já não sabia lidar com um homem. Os anos em que estive sozinha, fizeram-me esquecer como era bom ter alguém para partilhar uma simples refeição. E em como um simples toque de uma mão me fazia sentir bem.
Comemos descansados até que ouvi o meu telemóvel. Mensagem da Margarida.
“Desejo-te a maior sorte do mundo. Vai correr bem, acredita. Qualquer coisa liga-me.
Beijo Grande. Margarida.”

Sorri e partilhei com o Lourenço. Não lhe disse o conteúdo da mensagem, mas disse que era a Margarida a mandar beijinhos. Ele sorriu. Sabia perfeitamente a ligação que nós tínhamos. As mulheres nisto são especialíssimas. Não descansam enquanto não vêm as amigas encaminhadas…
Foi um jantar muito agradável. Gostei muito de conversar com ele. Pareceu-me sincero. A idade também já não era a de outrora, certamente que os anos o amadureceram e lhe deram objectivos de vida…

Quando íamos para a sobremesa, toca o telefone dele. Era o Diogo – Interrompe a chamada e pergunta-me. “Estão a convidar-nos para passar em casa da Ana Maria. O que dizes?”
“Por mim tudo bem!”
Era sexta-feira, logo não havia o stress de acordar cedo no dia seguinte.
O Diogo devia saber do jantar, porque eu só comentei com a Margarida que me prometeu não dizer nada a ninguém.
Saímos em direcção à casa da Ana Maria e pela primeira vez me senti mais descontraída. Parecia que tudo estava a entrar na normalidade. Sem pressões. Estava no meio da minha gente. Sem jogos ou quaisquer brincadeiras.
...

terça-feira, 12 de Maio de 2009

Sem título possível...

Sim, já assumi por diversas vezes e em várias ocasiões que gostava de me casar.
Com tudo o que manda a tradição. Vestido de noiva incluído. Na igreja (se possível) ou numa quinta toda enfeitada ao meu gosto. Margaridas brancas por todo o lado...
Mas também sempre disse que nunca me casaria sem passar pela experiência de viver junto. Acho que é uma necessidade. Apenas e só porque a partir do momento em que o casal partilha o mesmo tecto e coabita dentro dos mesmos metros quadrados, que se percebe se a relação faz sentido ou não.
Do amar ao viver junto, vai uma distância impressionante. Cada um defende os seus hábitos, e nem sempre existe uma sintonia dos mesmos. Desde as limpezas às arrumações, existem uma série de passos a ser dados...
Também é verdade que já vi relações (que tiveram todas as experiências e mais algumas) terminarem. Apenas e só porque uma das partes era uma pessoa completamente falsa. Fingida. Como não se pode ser o que não se é, para sempre, um belo dia o pano caiu.
E tudo ruiu com a queda dessa falsidade.
Acho que tudo depende das pessoas, do Amor, da disponibilidade, do querer e essencialmente do que se é enquanto Ser. Acredito que toda a gente tem aqueles dias em que precisa de estar só. Em que sente necessidade do seu espaço. De pegar no carro e dar uma volta ao quarteirão. Ir ter com uma amiga(o) para beber um café e desabafar, ou mesmo tirar uma tarde para ir às compras ou jantar sem a cara metade.
Nestas alturas percebe-se que o meio termo é uma parte da solução. Quando se deixa que a rotina se instale, é muito mais difícil retomar as rédeas de um relacionamento feliz. Tal como em todos os inícios, em que as borboletas esvoaçam e o nosso corpo está cheio de nervoso miudinho.
É esta adrenalina que mantém viva qualquer relação/casamento/afim.
Conheço casos em que deram a relação como um dado adquirido e deixaram de alimentar o amor. Porque julgavam-no sempre ali. Como um barco que atraca num Porto, como se nunca mais fosse solto para navegar em alto mar. E depois naquele dia em que a outra parte achou que merecia mais e até resolveu abandonar essa vida e seguir outra, é apelidado de tudo e mais alguma coisa...
Provavelmente há frases confusas neste texto. Mas não as vou rectificar.
É assim que tantas vezes me sinto. E provavelmente alguns de vocês que aqui passam. Sabemos bem o que queremos e o que não queremos. Até julgamos que são coisas miseravelmente simples. Então porque por vezes criamos tempestades em copos de água e teimamos complicar aquilo que se apresenta com a maior facilidade de todas?...
Uff, não foi fácil escrever este texto... Exigiu bastante reflexão da minha parte.
Mas o Gimbras pediu que o escrevesse, e aqui está. Confuso mas feliz.
Tal como eu estou. Agora!

terça-feira, 5 de Maio de 2009

Palavras Soltas...

Quando me dá para te escrever, sinto como se me sentasse ao teu lado para conversar contigo.
O teu olhar tímido. O sorriso escondido. Mas perfeito. Enfim...
E é tão bom poder estar contigo a conversar.
Nunca pensei que pudesse haver tanta afinidade com uma pessoa por quem não nutria sentimento algum...
Dificilmente voltaremos a estar sentados lado a lado. Mas eu sabia que só podia ser dessa forma e não de outra. Diferente.
Que os segundos ao passarem te levariam para nunca mais voltares a sentar-te ao meu lado, para podermos conversar.
É tão difícil encontrar alguém que mesmo no mais profundo dos silêncios, nos diga tanto...
Cada vez tenho mais certeza de que nada acontece por acaso. Acho que tudo o que vivemos tem muito mais sentido, do que aquilo que conseguimos conceber.
Porque as despedidas não são esquecimentos. São apenas pequenas pausas que a vida nos obriga a fazer para reflectir. Para que, ao afastarmo-nos das pessoas que gostamos, possamos perceber melhor, a importância que têm na nossa vida... Afinal, os sentimentos são a coisa mais nossa e pura que podemos ter cá dentro.
E eu não preciso de dizer aquilo que és para mim. Tu sabes. Viste-o no meu olhar.
No dia que te despediste de mim... e que eu sabia que era para sempre...

quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Uma História de Verão - Parte VI

...
Os dias seguiram-se normais. Ele não me procurou mais e eu fiquei descansada. A ideia que tinha de que nada tinha mudado, comprovava-se com os dias de ausência. O Alberto ainda estava a viver em casa da Ana Maria e ela não sabia como lidar com ele, porque, ao que me parecia, ele andava a querer mais alguma coisa para além da sua hospitalidade e amizade.
Mas a Ana Maria não estava nem aí e demonstrava-o. Apesar de eu a conhecer como a palma da minha mão, e cheirava-me que havia “mouro na costa”, mesmo que ela não o admitisse.

A Ana Maria tinha sido a melhor no curso de Gestão de Empresas. Desde que a conheci que invejava a forma dela estar, sempre do mais seguro que podia haver. Ela nunca tinha dúvidas, nunca demonstrava insegurança, mas eu sabia porquê. Tinha tido uma infância muito difícil, viveu com uns tios que lhe fizeram a vida negra, depois de ter perdido os pais num acidente onde ela também ia. Escapou sem um arranhão. Mas o trauma de ter visto o pai e a mãe morrer, fez dela uma guerreira. Tentou a todo o custo nunca vacilar.
Mal terminou o 12º com 16 anos, saiu de casa dos tios. Arranjou um emprego num supermercado e um quarto barato sem condições nenhumas, mas preferia isso a ter de viver na mesma casa com aquela gente. “E eram da minha família, imaginem se não fossem”, confidenciava-nos muito raramente…
E nessa semana, para meu espanto, a Ana Maria pediu-me se a podia receber no consultório. “Preciso de uma consulta, é urgente!” Claro que para ela havia sempre uma vaga. Atrasava umas consultas e encaixava-a.
Dei mil voltas à cabeça para tentar perceber o que a levava a querer uma consulta comigo. Será que tinha acontecido alguma coisa que a levava ali?
Ela nunca mo disse, mas a Margarida em tempos confidenciou-me que o tio tentou abusar dela, mas ela resistiu e ele nunca mais voltou a tentar com medo que ela o denunciasse. Daí a sua frieza com todos os homens que tinham passado na sua vida. Talvez fosse sobre esse assunto que ela queria falar comigo. Aguardei pacientemente a sua chegada.

“Olá minha querida, agradeço muito teres arranjado uma consulta para mim. Nem sabes o que eu precisava falar contigo”.
“Mas claro, para ti e para qualquer um dos meus amigos, tenho sempre disponibilidade. Mas diz-me em que te posso ajudar, confesso que fiquei muito preocupada!”

“Há uns traumas que eu tenho do passado que me estão a atormentar. Tenho tentado lidar com isto sozinha, mas o facto é que não estou a conseguir. Daí ter resolvido procurar-te. Eu nunca te contei, mas o meu tio, aquele onde eu vivi depois do falecimento dos meus pais, ele tentou abusar de mim mas eu consegui fugir a tempo dele não me magoar. Mas isso aterrorizou-me muito, e o facto é que desde que o Alberto tem dormido lá em casa, eu não consigo dormir. Parece que vejo o meu tio nele. Sei que pode parecer estúpido, mas não sei como lhe dizer que não pode continuar em minha casa. Ainda por cima penso que ele tem-me visto mais do que uma amiga e eu não quero criar ilusões. Não o quero magoar. Podes tentar falar com ele por favor?”

“Claro, mas isso sem qualquer problema. Vou ligar-lhe para jantarmos e falo do assunto. No entanto também já era tempo de ele sair. Ficou naquela noite porque não estava em condições de ir para lado nenhum… Penso que também já era altura de começar a organizar a vida dele. Não te preocupes, eu ajudo-te. No entanto, acho que continuas com um trauma por resolver. Não é solução por si só a saída do Alberto. Imagina no dia que conheceres alguém com quem queiras partilhar a tua casa e o mais importante, a tua vida?”

“Não sei se isso irá acontecer. Sabes, começo a achar que vou mesmo ficar sozinha. Não consigo criar laços com ninguém. Sem ser com vocês, que são a minha família, não consigo criar afinidades com homem nenhum. Quando há aquela química e atracção física, dormimos umas noites, jantamos fora e tal, mas ao fim de uma semana ou duas, já estou farta deles. Para não dizer que não tenho qualquer vontade de ser mãe, na minha idade já era suposto ter algum gosto pela maternidade.
Dedico-me ao meu trabalho, chego a casa sempre quase à hora de me deitar e para mim chega. Quando não nos vemos ao fim de semana aterro numa solidão profunda e gostava de mudar isso, gostava de gostar de alguém e que alguém gostasse de mim. Sem propósitos, apenas porque sim. E que juntos construíssemos uma vida com sentido. Eu não tenho ninguém e tu sabes! Vocês são a minha família e acredita que eu não podia ter escolhido melhor. Mas um dia tu encontras o teu príncipe e casas e deixas de ter tempo para mim. Tal como a Margarida, o Diogo e o Luís.”

Fiquei perplexa. Estava diante de uma Ana Maria que eu não conhecia, porque ela nunca se tinha mostrado daquela forma. E gostei. Nunca me tinha acontecido, mas pela primeira vez chorei com um paciente.

“Vamos fazer o seguinte Ana Maria. Eu não acho que seja a melhor pessoa para te seguir. Mas vou encaminhar-te para um colega meu. Estarei na mesma a par do teu processo, mas acho que se for uma pessoa estranha, conseguirá melhores resultados. Isto se tu concordares, obviamente.”

“Vou pensar. Talvez não seja preciso. Vou mantendo o contacto contigo e vou fazer um esforço enorme para me dar com as pessoas. Dar oportunidade, caso eu veja que quem está do outro lado, merece isso.
E queria contar-te outra coisa, eu e o Diogo temos tido uma proximidade diferente. Até me custa falar nisto, somos amigos há tantos anos que nunca pensei. Mas desde que o Alberto ficou lá em casa e ele ficou nesse dia a ajudar-me, demos connosco a beijar-nos ao final da noite…”

“A sério? Olha que bom! Tu sabes que eu e o Diogo não temos a relação mais harmoniosa, mas eu gosto muito dele. Basta ser irmão da nossa Margarida, mas acho que sim. E podes não acreditar, mas eu sempre achei que ele olhava para ti de um modo muito carinhoso. E fico contente, pelo menos lá sério e com boas intenções, é ele. Gostei muito que tivesses vindo, e acima de tudo que confiasses em mim para desabafares estas coisas que te melindram tanto. Não merecias ter passado por tudo isto. Mas já que a vida não te poupou, então temos de viver com isso, mas de forma a que não te volte a atormentar. Estamos entendidas?! E não te preocupes, vou ligar ao Alberto para jantar com ele hoje.”

Quando fechei a porta depois da Ana Maria sair, liguei ao Alberto. Disse-me que não podia jantar, porque a ex-mulher lhe tinha ligado arrependida e que ele estava disposto a dar-lhe uma segunda oportunidade. Fiquei sem palavras. Já tinha saído de casa da Ana Maria e contou-me que lhe deixou um bilhete a agradecer os dias que lá ficou. Pediu-me que não o julgasse por voltar atrás, mas que amava aquela mulher e quem sabe ela tivesse disposta a mudar…
Deixei-o ficar naquela ilusão, mas não acredito que ninguém mude. A essência é tudo e a da mulher dele não era certamente a melhor. Desejei-lhe toda a sorte do mundo e desliguei.

Entretanto e para descanso da Ana Maria, deixei-lhe uma mensagem escrita.
“O Alberto vai voltar para a ex-mulher. Já saiu de tua casa. Diz que te deixou um bilhete! Se precisares de alguma coisa, diz. Um beijo muito grande. Laura”.

Depois de enviar a mensagem e me encostar na minha cadeira, a minha assistente liga-me para o gabinete a informar que tenho outra visita. “O Sr. Lourenço pediu para a ver, posso mandá-lo entrar?”
Fiquei estúpida. Levantei-me da cadeira num ápice mas não tinha hipótese de recusa. “Mande-o entrar!”.

Fui para a janela. Brincavam crianças no jardim…

“Posso entrar?” – disse tímido.
“Sim, claro. Não posso demorar, já tenho as consultas atrasadas. Hoje é o dia dos conhecidos!”
“Então? Há problemas?”
“Nada que não se consiga resolver. Mas diz, precisas de alguma coisa?”
“Vinha apenas convidar-te para jantar. Estou preparado para me dizeres que não. Mas achei que devia tentar…”

Olhei de novo para a janela. O riso das crianças ouviu-se e eu cedi.
“Tudo bem. Onde nos encontramos?”
“Posso ir buscar-te a tua casa. Só precisas de me dizer onde é!”

Escrevi a morada numa folha e entreguei-lha.
“Aqui tens. Pelas 20h já devo estar pronta!” – e dirigi-me à porta do gabinete e abri a porta sorrindo.

Ele saiu e retribuiu o sorriso. Encostei-me à porta e fechei os olhos. Tinha sido uma surpresa. Há mais de uma semana que não dava notícias e agora aparecia para me levar a jantar. O que seria que se tinha passado… Ele logo haveria de me contar…
...

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Será que...

... o facto de ser uma pessoa com picos emocionais. Com imensa "pancada", com dias em que me rio de tudo e mais alguma coisa (incluindo de mim própria) e outros dias em que me apetece desaparecer e nunca mais voltar...
... isto faz de mim uma pessoa "Anormal"?
Esclareçam-me por favor... É só mais uma questãozinha para a qual não encontro resposta...
E agora entre lágrimas, vou ali dar umas gargalhadas e já volto...

terça-feira, 28 de Abril de 2009

É por estas e outras...

... que eu prefiro mil vezes mil, ser amiga de homens em prol das mulheres.
A cumplicidade é muito maior, assim como a honestidade e sinceridade.
E falo de amizade pura e dura, sem segundas intenções.
Só não vou jogar à bola com "os meus amigos" porque me esqueci das chuteiras.

sábado, 25 de Abril de 2009

Em 1993 foi assim...

... Esta música que ganhou o Festival da Eurovisão. A canção da Irlanda. Eu tinha isto gravado numa VHS e não sei quantas vezes "virava o disco e tocava o mesmo".
E hoje descobri isto no Youtube. É incrível como passaram quase 16 anos. Quase os mesmos que eu tinha na altura.
Sempre fui uma fã de música. E não podia deixar passar sem publicar este video.

sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Uma História de Verão - Parte V

...
“Tens razão. Foi um dos maiores erros que cometi. Mas também sabes que quando estamos apaixonados não vemos muito mais além do que temos diante dos olhos… E a minha paixão pela Verónica cegou-me por completo, admito isso. Inclusive me afastou muito dos meus pais, e eles eram os últimos a merecer a minha ausência. Consegues desculpar-me?”

“Eu?! Estás louco! Quem sou eu para te perdoar ou não! Tu é que deves ganhar consciência do que foi a tua vida durante estes tempos. Analisa bem e pensa em não cometer os mesmos erros!”
“Foi isto que eu sempre admirei em ti. A tua forma de dizer as coisas. Sempre quis ter uma conversa a sós contigo por isto. Tu consegues fazer-te entender na perfeição. Dizes as coisas que tantas vezes não temos coragem de admitir e tu dizes tudo sem receio de magoar. Porque se magoas, é porque tem de ser, só assim ganhamos consciência de erros que não queremos voltar a cometer.
Mas também te escondes muito atrás da Psicologia. Aplicas aos outros tudo o que aprendeste, mas esqueces-te muito de o aplicar a ti.”

E nesta fase comecei a perceber que ele sabia mais de mim do que eu queria que ele soubesse. Ele estava a provar-me que me conhecia demasiado bem.
Eu admirava-o, não podia esconder. Mas não queria que ele o percebesse. Queria manter-me afastada o mais possível. Não podia vacilar, mas o que é certo é que aqueles instantes com ele me estavam a saber bem, mas não podia permitir que a vida me desse mais um desgosto. Não podia.

“Tenho de ir Lourenço. Amanhã levanto-me cedo. Penso que já dissemos tudo o que queríamos. Nada ficou por dizer.” – Tentei eu escapar-me da forma mais simples, mas ele percebeu a minha fuga.
“Estás a fugir de mim? Ou estarás a fugir de ti própria?! - Responde-me mas olha-me nos olhos - Não te escondas porque isso não te leva a lado nenhum. Achas que eu te voltava a procurar depois de todos os estes anos, se não sentisse nada?!”
“Vivemos em meios completamente diferentes. Nada temos em comum. E eu não me escondo, simplesmente gosto da minha vida como ela está. Simples e sem responsabilidades de maior… Desculpa, mas tenho mesmo de ir!”

Ele inclinou-se para se despedir e eu dei-lhe a cara. Aquele toque demorou demasiado tempo. Os segundos foram longos e eu só o queria fora do carro, para que não perdesse o controlo da situação.
Ao sair, fez questão de me dizer “Ainda nos vamos voltar a ver. E tu sabes que isto não pode ficar assim!”.
Aumentei o volume da música, mas o timbre daquela voz ecoava dentro da minha cabeça como que um alerta constante de todas as palavras que tínhamos trocado. E a questão do Porquê repetia-se vezes e vezes sem conta.
Liguei à Margarida que tinha sido a culpada por ele ter vindo atrás de mim.

“Obrigada por teres mandado o desaparecido atrás de mim. Estive com ele até agora, não sei o que pensar, o que sentir, sinto uma confusão na minha cabeça. Mas porquê?” – desabafei eu com ela, enquanto ela ria e ria de mim…

“Estás apaixonada. Aliás, sempre estiveste. Ele mexe contigo há muito tempo. E eu achei que era altura de teres uma verdadeira oportunidade. Daquelas boas, que só uma pessoa como tu o merece! Não fiques triste comigo, só queria ajudar-te a perceber que mereces tentar de novo. Que há vida para além de tudo o que viveste e que não merecias! Consegues entender-me?! – Com os olhos rasos de água disse-lhe obrigada e que o medo não me deixava passar aquela linha imaginária, porque sentia que se a pisasse, seria mais um caminho para a tristeza. E eu não queria mais isso.

“Tens de tentar. Por favor! Por ti. Pela pessoa fantástica que és! Prometes?” – pediu-me com a sua voz melodiosa. E eu não pude dizer que não.
“Logo se vê. Se ele me voltar a procurar, vou pensar no assunto!”

Desligámos com milhares de beijinhos e agradecimentos. Ainda estava em casa da Ana Maria a preparar a cama para o Alberto. Eu praticamente conduzi em piloto automático até casa. A pensar na nossa noite, o jantar, a ida ao Bar e por fim aquele reencontro com o Lourenço.
A forma como ele me falava embalava-me para o sítio mais lindo do mundo. Eu fingia não perceber, mas havia sentimentos por trás de cada letra. Por isso falei pouco. Não queria entregar a minha sensibilidade nas mãos de um homem como ele. Bonito e cheio de mulheres atrás dele, pelo menos nos tempos áureos foi assim…

Cheguei a casa, descalcei-me, vesti o pijama, escovei os dentes e pousei a cabeça na almofada. O meu telemóvel apitou em sinal de mensagem. Pensei que era a Ana Maria a perguntar como tinha sido a noite, mas não...

“Obrigado pela conversa. Nem sabes o que me fez sentir bem olhar para ti. Tem uma boa noite. Um beijo. Lourenço”

Não respondi. Coloquei o despertador para o dia seguinte e adormeci. Ainda era muito cedo para criar confianças. Tinha de me organizar e depois pensava numa forma de nos voltarmos a ver. Não podia permitir que ele entrasse num flash na minha vida. Tinha de ser tudo com muita calma… Não queria perder a minha segurança… Ou pelo menos que ele percebesse que me tinha atingido de alguma forma.
...

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Solidariedade

Porque sim. Porque o fazer bem aos outros também é fazer bem a nós próprios.
Porque a Paz é um direito de todos os cidadãos do mundo.

Eu quero fazer a diferença, ajudando quem pouco ou nada tem.
Porque as crianças são para mim, a coisa mais importante do mundo.

Elas são os rostos do amanhã e merecem a oportunidade de crescer felizes com toda a Liberdade e Paz.
Desconhecia esta realidade, mas tocou-me profundamente ver as imagens destes meninos e meninas...
Não deixem de visitar.


AQUI

A história é Esta...

sábado, 18 de Abril de 2009

Mais um Desafio...

Só porque é fim de semana e me apetece responder a estas breves questões...

1- Nome?
Segredo Cor de Rosa
2- Porque lhe deram esse nome?
Fui eu que o escolhi... Adoro Segredos e o cor de rosa. Sou uma guardadora de Segredos...
3- Você faz pedidos às estrelas?
Sim, e ao arco-íris também... ainda esta semana contemplei as cores de um!
4- Quando foi a última vez que chorou?
Há uns dias...
5- Gosta da sua letra?
Adoro. Mas como sempre muito rápido, não fica com a perfeição que eu gostaria!
6- Gosta de pão com quê?
Nutella. Hummm... Delicious...
7- Quantos filhos tem?
Sobrinhos, que são os meus filhos de coração: Dois!
8- Se fosse outra pessoa seria seu amigo?
Seria o meu melhor amigo!
9- Saltaria de bungee-jump?
Sim, começo por ter algum receio de desportos radicais, mas depois de experimentar, repito sempre!
10- Dessamarra os sapatos antes de tirá-los?
Nem sempre.
11- Acredita que é uma pessoa forte?
Completamente. Já tive mais do que uma prova disso!
12- Gelado favorito?
Pode ser um crepe com Gelado? E com chantilly? E chocolate quente? A minha perdição... Chaplin da Maison des Crêpes...
13- Vermelho ou Preto?
Depende dos dias... nos últimos foi o vermelho...
14- O que menos gostas em ti?
Dos meus impulsos. Dos dias em que ponho tudo em causa...
15- O que mais gostas em ti?
Dos dias em que sinto que nada me falta. Da minha capacidade de trabalho. Do meu humor (às vezes negro) e essencialmente de sentir que sou realmente uma menina especial...
16- De quem sente saudades?
Dos meus avós. Foram a base de toda a minha infância e adolescência.
17- Descreve que tipo de roupa está a usar agora?
Só uma camisola básica branca. E um edredon por cima. É fim de semana e estou no sofá!
18- Qual foi a última coisa que comeu hoje?
Uma sopa.
19- O que está escutando agora?
O barulho do jogo de futebol que está a dar na RTP.
20- A última pessoa com que falou ao telefone?
Com os meus sobrinhos, ontem.
21- Bebida favorita?
Sumo de Laranja Natural. Sumol Nectar de Pêssego e Vodka com Ananás!
22- Comida?
Cannelones. E as Pizzas da Casanova em Santa Apolónia.
23- Último filme que viu no cinema e com quem?
Death Race.
24- Dia favorito do ano?
O dia que sei que vou chegar ao Alentejo. Regressar à terra que me viu Crescer. Adoro...
25- Inverno ou Verão?
Verão. Roupa fresca e colorida. Chinelos. Férias. Praia da Sereia e Piscina.
26- Beijos ou abraços?
Um abraço. E depois o Beijo, quando os olhos se encontram...
27- Sobremesa favorita?
Tiramissu.
28- Que livro está a ler?
Onde Reside o Amor e o Manual do Guerreiro da Luz.
29- O que tem na parede do seu quarto?
Uma parede cor de rosa e dois quadros.
30- Filmes Favoritos?
Nothing Hill, o Amor Acontece, O Amor não tira férias, e tantos outros...
31- Onde foi o lugar mais longe que já foi?
Alemanha.
32- Uma música?
Nesta fase, Simplement L'Amour do Oliver Shanti & Friends.
33- Uma frase?
"Deixa-me só no meu canto...
A vida segue lá fora.." Numa música da Lúcia Moniz

sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Uma História de Verão - Parte IV

...
Minutos depois senti uma presença atrás de mim. E ouvi aquela voz…

“Ainda te lembras de mim?” – disse-me. Olhei fixamente para ele…
“A minha relação com a Verónica tem os dias contados” – respondeu. Eu abanei a cabeça e disse-lhe “E o que tenho eu a ver com isso?!” – voltei costas e tentei voltar para o pé das minhas amigas…
“Espera. Fica aqui comigo. Preciso de falar contigo.” – Pediu-me, agarrando no meu braço…
“Não posso ficar. Desculpa!” – Respondi-lhe friamente.
“Eu já tenho o teu telefone. Vou ligar-te amanhã. Vais ver que não sou a pessoa que tu pensas que sou… Tens uma ideia completamente errada de mim.” - Virei-me de novo para ele e sorri. Não disse nada e ao chegar perto da Ana Maria e da Margarida informei-as que me ia embora.

Fui ao bengaleiro buscar o meu casaco, e saí. Não conseguia entender nada de nada relativamente àquela pessoa. Conhecia a Verónica de vista e sabia que nada tinha a ver com o Lourenço. No entanto houve alguma coisa que senti na forma como ele falou para mim. E aquele olhar…
Quando me dirigia para o carro senti alguém a chamar-me. Era ele. Tinha vindo atrás de mim…
“A Margarida pediu-me que te acompanhasse. Ficaram preocupadas e não quiseram que viesses sozinha. Eu como queria falar contigo, achei boa ideia. E vim.” – Disse-me ele com aquele ar triste… pedindo a minha compaixão…

“Não entendo o que podes querer de mim! Porque me vieste dizer que a tua relação tinha os dias contados. Não percebi nada.”

“Sabes sim. Tu sabes que nunca fomos indiferentes um ao outro. Apenas nunca tivemos oportunidade de falar. Eu sempre perguntei por ti ao Diogo, mas também sempre lhe pedi que nunca te dissesse nada. Soube da tua separação com o Joaquim e da tua perda, e queria dizer que lamento muito que tenhas passado por esse mau bocado. Pensei procurar-te nessa fase, mas a minha vida também não o permitiu. A Verónica também não me dava muita margem para saídas. Sabes que trabalho muito no laboratório…”

“Desculpa, não culpes a Verónica, se te afastaste dos teus amigos é porque achaste que passavas bem sem eles. Eu chamo a isso egoísmo. Tu sempre tiveste a mania que não precisavas de ninguém. Eu analiso pessoas, avalio-as e acho que sempre te achaste superior…”

“Pára aí. Eu sou o quê?!” – diz-me ele levantando a sobrancelha…

“Sim. Tu és tudo aquilo que eu disse. Tens a mania e tu sabes…” – disse-lhe eu sem vacilar.
“E agora se me permites, vou para casa. Já disseste tudo o que querias.”
“Espera. Vem ter comigo a um lugar. Depois pudemos nunca mais nos encontrar….”.

Achei aquele convite a coisa mais estranha do mundo. Mas, mesmo cheia de medo. Aceitei.
Fui no meu carro atrás dele. Conhecia aquele caminho. Imaginei que pudesse ser num lugar também familiar para mim. Junto ao rio. Havia sempre imensas gaivotas, adorava ouvir o seu som.
Era como se tudo o resto desaparecesse enquanto estava ali. Pensava e repensava na minha vida. Tentava obter respostas para questões que não tinham resposta possível.

Ele estacionou e eu parei ao lado. Não consegui sair do carro. Ele veio ter comigo e pergunta-me se pode entrar. Respondi que sim, mas que continuava sem entender o que queria da minha pessoa.
“Foi a única coisa que nunca simpatizei em ti” – diz-me convicto.
“Desculpa?! Não entendo o que queres dizer com isso!”

“Essa tua forma de fingires coisas que não sentes, mas que dizes com tanta convicção que qualquer um acredita!” – sem hesitar percebe nitidamente como eu sou…
“Acho que estás enganado. Continuo sem saber o que possas querer de mim. Acho que nada temos a ver um com o outro. Nunca tivemos, aliás, só vim aqui por mera curiosidade. Achei piada, andares anos e anos desaparecido só porque conheceste uma tipa e foste viver com ela. Isso não é de amigo, mas atenção eu nem falo por mim, porque nunca te considerei meu amigo! Mas o Diogo, o Luís e o Alberto eram os teus companheiros e tu simplesmente abandonaste-os!”

Instalou-se um silêncio constrangedor e ele baixando os olhos…
...

terça-feira, 14 de Abril de 2009

Uma História de Verão - Parte III

...
Ao desligar abana a cabeça e comenta connosco que não sabe o que se passou, mas que algo grave foi. A voz do Lourenço demonstrava tristeza. E em tom de graça disse o Diogo “hoje é a noite das desgraças da juventude, temos de ser uns para os outros”.
Uns minutos depois tocam à porta da Ana Maria. Eu senti-me uma miúda naquele instante. Não estava bem em lado nenhum e optei por ir até ao terraço. Longe do aparato que estava naquela casa. A Margarida percebeu o meu afastamento e deixou-me estar. Ela percebeu que eu precisava ficar só.

A imagem de tudo o que vivi com o Joaquim invadiu-me em forma de tormento. O dia que ele me deixou pela Mónica, nunca mais o apaguei da minha memória. Estava eu grávida e ninguém sabia. Tinha passado na clínica nessa manhã para levantar as minhas análises. Tentei marcar uma consulta urgente para tentar perceber o que tinha acontecido. O médico fez o favor de me receber, mas também não me soube explicar. O que é certo é a minha vida mudou para sempre, desde aquele dia. Se soubesse o que sei hoje nunca o tinha contado a ninguém, talvez assim as coisas tivessem corrido melhor.
No dia que me disse, depois de 6 anos de namoro, que gostava muito de mim, mas que a nossa relação não estava a resultar. Percebi que ali havia outra mulher no caminho. Deixei-o dizer tudo e não questionei nada. Não fui capaz sequer de lhe dizer que esperava um filho dele. Depois do choque, senti umas dores horríveis na barriga e liguei à Margarida para me levar ao hospital.
Lavada em lágrimas e com o coração desfeito, percebi que acabava de perder aquele bebé. Que a minha vida nunca mais seria a mesma. Apenas e só porque estava a perder uma coisa tão minha, fruto de um Amor que eu pensava ser eterno.
O desgosto da perda do Joaquim não demorou muito tempo a passar. Mas o desgosto de ter perdido aquele bebé nunca mais me abandonou. É uma ferida que dói todos os dias um bocadinho. Uma dor de mãe. Única. Que só quem a vive a pode sentir.
Quando o Joaquim soube, já eu tinha voltado para casa. Bateu-me um dia à porta, mas eu nem abri. Só conseguiu falar comigo umas semanas mais tarde.
As minhas amigas mudaram-se de armas e bagagens para minha casa, fazendo com que voltasse à vida.
Todas as noites ao deitar-me chorava compulsivamente na minha almofada. Tentando perceber o porquê de tudo aquilo me estar a acontecer…
O Joaquim chorou comigo enquanto lhe contava o que se tinha passado comigo. Só me perguntava porque não lhe tinha contado mais cedo. Se calhar foi o meu instinto que me levou a não contar nada.
“Agora sei que tudo terminou entre ti e mim. Só te peço que não me procures mais Joaquim. Por favor. A vida deu-nos a prova que precisávamos para seguir em frente. Sem ressentimentos, vamos tentar ser felizes.” – Disse-lhe antes de pedir que saísse de minha casa pela última vez.

E não sei porquê, naquele dia, a minha vida passou-me diante dos olhos.
Apenas e só porque tinham passado tantos anos e nunca mais tinha visto o Lourenço. Que tinha sido o único homem que me tinha feito as pernas tremer, para além do Joaquim…
...

Sou um "Guerreiro da Luz"...

"Então eu repito:
Os guerreiros da luz reconhecem-se pelo olhar. Estão no mundo, fazem parte do mundo, e ao mundo foram enviados sem alforje e sem sandálias. Muitas vezes são covardes. Nem sempre agem correctamente.
Os guerreiros da luz sofrem por tolices, preocupam-se com coisas mesquinhas, julgam-se incapazes de crescer. Os guerreiros da luz, de vez enquando, crêem-se indignos de qualquer bênção ou milagre.
Os guerreiros da luz, com frequência, interrogam-se sobre o que fazem aqui. Muitas vezes acham que as suas vidas não têm sentido. Por isso são guerreiros da luz. Porque erram. Porque interrogam. Porque continuam a procurar um sentido. E acabarão por encontrá-lo."

Retirado do livro, Manual do Guerreiro da Luz - Paulo Coelho.


Sem mais explicações.
Estas linhas dizem tudo.
Definem-me.
Sem acrescentar nem mais uma palavra.

sábado, 11 de Abril de 2009

Uma História de Verão - Parte II

...
Por vezes perguntava ao Luís pelo Lourenço. Tinha ido estudar para longe, e apesar de vivermos na mesma zona nunca nos cruzávamos.
Mais tarde soube que o Lourenço tinha terminado o curso de Engenharia Química e que estava a trabalhar num Laboratório perto de casa. Tinha ido viver em união de facto com uma desconhecida. Pouco ou nada contactava com os amigos. Não sabíamos se por influências matrimoniais, se por opção própria.
Mas o Diogo achava que era por opção própria. No entanto, a opinião que tinham da Verónica - a pessoa com quem ele vivia - não era a melhor.

Dez anos após aquela noite de Verão, decidimos marcar um jantar de amigos que já não se viam com a mesma frequência, mas que acima de tudo, tentavam sempre que a separação não ocorresse.
O Alberto tinha-se afastado completamente do grupo. Pelo que conseguimos aprofundar, arranjou uma tipa que lhe virou a vida do avesso. Passou a fazer-lhe a Gestão de tudo, inclusive impôs quem eram os amigos com que se podia dar. Ele tinha de trabalhar para a sustentar. E ela não se contentava em viver de forma humilde.
Pelo que o Luís me tinha contado, uma vez ela veio ao café com eles e a coisa não tinha corrido muito bem.
Foi a última vez que o viram.

Já o meu mano Luís, encontrou uma colega de trabalho fantástica, a Bárbara. Estava muito perto de dar o nó. Na altura que ela surgiu na vida dele, ele ficou muito nervoso porque não sabia muito bem como começar de novo… E o sofrimento pela Beatriz fez com que ele se fechasse muito para as mulheres.
Não acreditava que a coisa pudesse correr bem. Apesar de eu passar horas a falar com ele e tentar que acreditasse no contrário.
Eu gostava muito do Alberto, mas nunca houve grande empatia entre nós. Fiquei com muita pena que tivesse sido dominado daquela maneira. Um dia ele ia perceber o grave erro que tinha cometido.
Como eu costumo dizer, os amigos são a família que nós escolhemos. E tal como o Amor que damos aos nossos familiares, também devemos cultivar sempre o Amor dos nossos Amigos. Porque homens e mulheres (no caso do Alberto) podem entrar e sair da nossa vida, mas os Amigos ficam sempre…

Depois da jantarada em casa da Ana Maria, que fazia sempre os melhores jantares do mundo, tínhamos combinado ir beber um copo a um Bar da nossa juventude. Relembrar os velhos tempos.
Ao entrarmos nada estava igual ao que era há uns anos atrás. A nostalgia instalou-se quando vimos o Alberto ao fundo, sentado sozinho numa mesa a beber whisky.
Dirigimo-nos a ele e eu perguntei se ele queria a nossa companhia.
Levantou os olhos do copo e ao olhar para mim, levanta-se e abraça-me a chorar.

“Perdoem-me! Por favor, aceitem-me de volta. Estou mais sozinho do que nunca.” – Disse o Alberto num estado demasiado alcoolizado e sensível para explicar o que quer que fosse que lhe tinha acontecido…
Acabámos por entrar e sair, levando o Alberto. Voltámos à casa da Ana Maria, na esperança que ele melhorasse daquele estado de embriaguez e nos pudesse explicar o que havia acontecido…

O Diogo e o Luís sentaram-no no sofá, nós fizemos-lhe um café bem forte.
Aos poucos o discernimento do Alberto ia voltando.

“Posso dormir aqui esta noite?!” – Perguntou ele.
“Claro que podes. Isso nem se pergunta. Ninguém te deixava sair daqui nesse estado…” – Respondeu a Ana Maria, que desempenha sempre o papel de Mãe de todos, quando as coisas corriam menos bem…
Até que o vemos levantar-se de rompante a caminho da casa de banho…

Ao mesmo tempo que comentávamos o estado do Alberto, toca o telemóvel do Diogo, que estava pousado na mesa de centro…
Eu nem quis acreditar que, ao olhar para o visor, vejo o nome do Lourenço…
Era a noite das desgraças, só podia. E num flash em que o tempo regrediu dez anos, eu vi-me naquela esplanada, a ser apresentada àquela pessoa. Vi os olhares que trocámos em silêncio, sem nenhum dos dois se dirigir ao outro para proferir uma única palavra!

O Diogo vem a correr da casa de banho, onde estava o Alberto num ritual pouco higiénico para atender a chamada.
“Lourenço?! Que surpresa! Como estás?!?!?!” – O Diogo encolhendo os ombros por não perceber o motivo de tal telefonema.

“Se podes vir ter comigo? Podes, por mim podes. Estou em casa da Ana Maria. O Alberto também teve uns problemas. Penso que ela não se importa. Aparece aí…!”
...

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Palavras Partilhadas

Hoje recebi este parágrafo nuns mails interessantíssimos que tenho trocado com uma pessoa.
Apenas corrigi um erro ortográfico que comuniquei de imediato ao Remetente. E como eu não diria melhor do que isto, eis que pedi para publicar estas palavras.
E publico-as aqui com toda a autorização. Apenas não vou revelar quem foi o Remetente...
Mas ele anda por aí....
"É muito difícil partilhar uma música... é o que eu penso. Gosto muito de dar a conhecer aos outros as músicas de que mais gosto, mostrar-lhes os pormenores que me captam a atenção, que me arrepiam, que me aceleram o coração. Agora partilhar uma música com alguém é bem mais complicado. É conseguir sentir as mesmas coisas nos mesmos momentos, é conseguir senti-las sem ter que o dizer, e percebermos tudo isso através de um simples olhar ou de um toque durante um abraço, ou até mesmo de um fechar de boca num beijo mais intenso.... ou o simples silêncio... profundo... partilhado...."

domingo, 5 de Abril de 2009

Uma História de Verão - Parte I

Laura. 34 Anos. Mulher. Filha única. Mãe. Psicóloga Criminal. Solteira.
Escrevo na primeira pessoa. Porque sempre senti que era uma contadora de histórias.

A minha vida mudou na noite em que abri a porta da minha casa a uma pessoa.
Conhecemo-nos através de uns amigos comuns. Confesso que a primeira vez que o vi, ele mexeu um pouco comigo. As minhas pernas vacilaram. Mas eu não me deixei levar por esse impacto.
Tinha 22 anos. Aquele ar de engatatão não me inspirou confiança nenhuma.
Só não sabia que 9 anos depois ia mudar para sempre a minha vida.

Nunca me apaixonei por pessoas bonitas. Dizia sempre que o trabalho que dava não merecia o esforço. Talvez o Lourenço tenha sido o meu castigo.

Fomos tomar um café na esplanada do costume. Tínhamos um grupo de amigos fantástico.
A Ana Maria, uma solteira convicta de que os homens só servem para nos satisfazer e pouco mais valor têm para além disso. Fomos colegas na Escola Secundária. Ela seguiu Gestão. Eu, Psicologia Criminal.
A Margarida era colega de Curso da Ana Maria, mas num instante nos tornámos muito próximas. Trabalhavam ambas em Instituições de Crédito. Mulheres de números, sempre muito racionais.
Estava uma noite perfeita de Verão. Os corpos bronzeados e os sorrisos mais bonitos que nunca. A Margarida combinou com o irmão e uns amigos dele e assim foi.
Quando lá chegámos reparei naquele rapaz. E ele reparou em mim. Trocámos olhares por uns segundos, mas eu desviei a atenção. Ele estava acompanhado e isso para mim era o maior motivo para que colocasse a minha atenção noutros horizontes. No entanto, o Diogo, irmão da Margarida fez questão de nos apresentar.
“É a Laura. Este é o Lourenço.” Ele sorriu e eu retribuí. Ele ainda acrescentou “É um prazer!” e eu nada disse…
A Ana Maria, começou logo a fazer sinais que, ele não parava de olhar para mim e cheirava-lhe que já tinha havido perguntas através do Diogo e da Margarida…

“É impressão tua, Ana! O moço tem namorada. Eu não tenho nada a ver com ele. Olha bem para ele e olha bem para mim…” – mas ela insistia naquela conversa.
Ao fim de algum tempo na esplanada com conversas de quem está de férias, lá nos convenceram a ir a uma Discoteca na praia. Nós aceitámos, mas a namorada do Lourenço não foi. Tinha um exame da faculdade no dia seguinte, não podia dar-se ao luxo de chegar a casa muito tarde…

Nunca troquei uma única palavra com ele. Os olhares trocados eram todos à distância. Discretos. Eu nunca alimentei nada porque sabia que vivíamos em mundos distantes e completamente diferentes.
Nunca mais o vi depois dessa noite.

O Diogo, irmão gémeo da Margarida. Engenheiro Informático. O melhor amigo do Lourenço. Sempre me pareceu que, mais depressa o via como Gémeo do amigo, do que da própria irmã. A nossa relação sempre foi muito próxima e ao mesmo tempo agressiva. Ele sabia que eu não gostava de certas coisas e fazia de propósito para me irritar… E comigo em relação a ele, acontecia o mesmo.
Chocávamos porque no fundo éramos parecidos.
Depois havia o Luís, o Alberto e o Ricardo. Todos colegas e amigos inseparáveis do Diogo e da Margarida.
Eu também criei uma Amizade muito especial com o Luís. Muito mais soft do que com o Diogo. O Luís trabalhava num Hospital. Um amor de amigo, mas sofrido como só ele era. Tinha namorado 5 anos com a Beatriz que o tinha deixado para fugir com um Italiano que lhe prometeu este mundo e o outro. Tudo mentiras. Passados seis meses, estava de volta com uma mão atrás e outra à frente. A implorar ao Luís que a aceitasse de volta. Mas ele não cedeu. E foi a altura em que eu tive o maior orgulho daquele menino. As horas de terapia que lhe fiz, tinham de ter resultado nalguma coisa. Apesar de só nós dois sabermos o que aquilo era o contrário do que ele queria fazer. Mas era a melhor opção. Voltar atrás só iria destruir toda a reconstrução que o Luís teve de se submeter.
O Luís era o meu melhor amigo, um exemplo de honestidade, simpatia e humor. Era o tipo de homem que eu gostava de ter na minha vida. Mas o amor de irmãos não é igual ao amor de homem/mulher. No entanto ele estava sempre disponível para mim. Muita gente pensava que éramos muito mais do que amigos.
O facto é que o Luís era como um irmão para mim. Aliás, era o irmão que eu não tinha.

Houve alturas em que eu andava mais fragilizada por causa do Joaquim e ele chegou a desmarcar encontros com amigas para vir em meu auxílio.
E como a nossa área profissional por vezes se tocava, ele adorava ouvir-me falar dos meus pacientes. As histórias mirabolantes que eu avaliava… As tentativas de conquista de muitos deles.
Em muitos dias o Luís fez-me companhia. Quando eu vinha cheia de um dia de trabalho e ele se oferecia para me fazer o jantar.
E havia o Joaquim. O meu amor da juventude que já tinha acabado há muito tempo.
E tal e qual eu era a terapeuta do Luís em relação à Beatriz, ele era o meu ombro para o caso mais do que encerrado com o Joaquim. Só ele não entendia isso. Continuava a perseguir-me tentando uma conquista, que só ia cavar um poço ainda mais fundo entre nós. Depois do fracasso com o Joaquim, nunca mais quis ter ninguém.
Lá de vez enquando surgia um cinema com um rapaz ou outro, mas a minha relação com o Joaquim ensinou-me muito mais do que qualquer curso superior em conquista barata, que não nos ia levar a lado nenhum.
E porque chegou Primavera, mais uma História que começa...

sábado, 28 de Março de 2009

Apetece-me falar de Amor

Apetecia-me sair de casa para um encontro. Um primeiro encontro.
A magia do primeiro encontro é única. A curiosidade que nos transforma os pensamentos em imagens e as pernas tremem tanto que os joelhos parecem girar em órbitas, até que o nervosismo passe e os deixe repousar, calmamente...

O primeiro encontro (se for com uma pessoa especial - que para mim tem de me dizer sempre alguma coisa) é a esperança para o ínicio de algo novo. Ou não.
Porque por vezes as pessoas até podem ser especiais, mas o encontro ser desastroso. E a vontade de a voltar a ver, desvanece por completo. Ou não.
Mas eu sou um pouco céptica em relação ao Amor, nunca acredito que a coisa possa correr assim tão bem. Pelo menos à primeira não corre. Pode é não ser tão mau assim, e ainda haja oportunidade para a chamada "second ou last chance"...

Faço sempre filmes quando surge a oportunidade de uma saída. É inevitável.
Aliás, eu faço filmes por tudo e por nada. Esta minha cabecinha está sempre com conjecturas. Umas muito racionais, outras sem qualquer fundamento. Umas que se verificam, outras que são apenas "ses". Que eu própria acabo por perceber que não faziam sentido nenhum.

Gostar de alguém é das coisas mais difíceis de sentir. Pelo menos para mim.
Para quem já teve de se reconstruir de uma forma impensável, dar-me a alguém é uma guerra muito pesada. Comigo própria.
Aquele momento em que os olhos se cruzam com a outra pessoa, é a parte mais complicada.
Sinto que ali revelo todos os meus pontos mais sensíveis. Mesmo sem querer.
Os olhos são o espelho da alma. Os olhares revelam tudo aquilo que as minhas palavras escondem. E que tantas vezes as uso para me convencer a mim própria e esquecer o que sinto.

O medo. Sempre o medo. Já fugi de estar com uma pessoa, nesse exacto momento em que os olhos falaram mais alto do que aquilo que eu queria dizer. Mais do que podia revelar. A denúncia da minha alma estava ali a milímetros de distância. E eu corri. Perdi uma oportunidade. Uma que eu queria tanto. E que me castigo todos os dias. Por ter fugido.
Só eu sei o que me custou voltar costas. Tantas vezes penso que queria voltar àquele minuto. Repetir a cena, sem a fuga. Mas não sei se seria capaz.
Para mim o desfecho seria sempre o mesmo.
A mágoa mais dia menos dia chegaria.
Uma vez tive uma pessoa que me disse: "É mais fácil não sentir. Ou fingir que não se sente", hoje sinto exactamente isso.
O sentir coloca-nos a nu. E para quem já penou nesta matéria do Amor, o peso do sofrimento deixa-nos sem acção. Petrifica-nos. Desacredita-nos que um dia, possamos ter alguém que nos complete. Que simplesmente queira ficar connosco. Apenas e só porque gosta de nós. Tal e qual como somos. Com tudo aquilo que a vida nos fez. Com toda a nossa história que nos transformou em seres melhores numas alturas e piores noutras.

Tenho esperança. Da verdadeira. Um dia tudo ficará bem. Eu acredito nisso.
Quando escrevo sobre o Amor, ou tudo o que me ligue a ele.

Tento viver o melhor que posso. Tento fazer com que cada dia conte.
Com a companhia dos meus amigos, da minha família.
E o Amor, se algum dia vier, que venha por bem.

sexta-feira, 27 de Março de 2009

Ontem durante a minha caminhada, vi um casal (já com alguma idade) sentados sobre as pedras à beira do rio. De mãos dadas.
E pelas expressões, percebi que trocavam Juras de Amor.
Sorriam. Felizes. Cumplices.
E aquela imagem veio comigo para casa.
Fez-me pensar durante todo o caminho. Deu-me alento.
Esperança. Fez-me bem presenciar aquele momento.
A felicidade deles, deu-me esperança.
Assim, desejo um óptimo fim de semana a todos.
O meu, (espero eu) será daquela confusão feliz. Tenho uns livros novos para dar aos meus mais pequenos e já estou a prever a algazarra que vai ser, ao ler todas aquelas histórias de final feliz.
E não há nada melhor do que isto.
O Amor. Sempre o Amor. Aquela partilha. Sempre mais do que perfeita.

quinta-feira, 26 de Março de 2009

E hoje foi um dia bem feliz.
O oposto de ontem.
Desejo apenas que o de amanhã seja ainda mais feliz que o de hoje...

quarta-feira, 25 de Março de 2009

Dias e Dias

Há dias em que pura e simplesmente não me apetecia levantar da cama.
Apenas e só por não estar em condições de conviver com ninguém.
Epa há dias em que me apetece ser anti-social e não dialogar, não partilhar.
E hoje é um desses dias.
Apetecia-me pegar na tenda e ir para a margem do rio. Com o meu cão e a minha música.
Com os meus cadernos, as canetas e a maquina fotográfica.
Ouvir os pássaros cantarem só para mim...
Ler e respirar. Fundo. Bem cá de dentro da minha alma.
Porque amanhã...
Sei que acordaria bem melhor...

Enfim... melhores dias virão!

domingo, 22 de Março de 2009

Fui ver isto...

Francisco Menezes
"One Man Show"
Musical/Comédia

E ri-me do primeiro ao último minuto.
Ri de gosto até me doer a barriga e os maxilares.
Foi uma noite de sábado super divertida.
E só de me lembrar, volto a sorrir...

Boa semana a todos... que eu espero que seja com o Sol como companhia!

Foto: Site da Junta de Freguesia de Paio Pires

sexta-feira, 20 de Março de 2009

Lugares

Gosto de lugares que me lembram momentos. Pessoas. Lugares de riso e de cumplicidade.
Gosto de músicas partilhadas. De partilhar e que partilhem.
As músicas que partilhamos levam mensagens que não conseguimos transmitir. Mas há canções que dizem exactamente aquilo que eu não consigo.
Tenho vários refúgios. Mas este da foto tem sido o mais frequente nos últimos tempos.
É como se ao chegar tudo se clarifica. Nunca me apetece vir embora. Mas apetece-me sempre ir para lá...
Qualquer dia dou comigo a fazer uma malinha com algumas coisas, montar lá uma tenda e ficar por lá um fim de semana...
Só eu e as gaivotas. E por vezes uns flamingos que aparecem.
Aqui sou sempre feliz.
É apenas por isso que é sempre um prazer lá voltar... com a música que me embala os sentidos e me transporta para outros tempos... aqueles em que tudo tinha sentido.

quinta-feira, 19 de Março de 2009


O Sol, a Primavera e o tempo mais quente trazem-me sempre uma companhia muito indesejada. As benditas alergias, a renite, a conjuntive alérgica e afins...
A semana tem sido terrível. A sorte é que hoje já é 5ª feira, e eu agora já tenho fins de semana como qualquer mortal...
Esta flor foi a que recebi no dia que escrevi o Post It.
Agora vou só ali limpar o narizinho, meter umas gotas nos olhinhos e esperar serenamente que isto passe. E como no fim de semana a chuva está de volta, espero que as gotas de água acalmem também o pó das árvores e dos demais arbustos que há por aí...
E como hoje é dia do pai, desejo a todos os papás deste mundo, um dia muito feliz.
Orgulhem-se dos vossos filhos. Para que eles também se possam orgulhar dos pais que têm.

domingo, 15 de Março de 2009

Hoje fechou-se uma porta que esteve aberta durante dois anos e meio.
Amanhã ou depois, abrir-se-á uma nova janela. Tenho a certeza...

Enquanto isso, no intervalo, vou estudar, passear e gozar os fins de semana que se seguem.
Com a consciência que dei o meu melhor. Sempre.

quinta-feira, 12 de Março de 2009

Lembra-me


Para contemplar no sítio do costume.
Lembra-me. Sempre.

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Sagitário
11 de Março de 2009
Pajem de Copas

“Há pessoas que nos falam e nós nem as ouvimos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam. Mas há pessoas que, simplesmente, aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre..." (Cecília Meireles)
E é por isto que eu só leio os signos da Vera Xavier.

terça-feira, 10 de Março de 2009

Esta imagem vale por tudo.
Foi uma tarde muito mais do que qualquer perfeição pudesse atingir.
Estes meninos são apenas e só a razão do meu existir!

Fotografia tirada por mim... claro!

segunda-feira, 9 de Março de 2009

Ainda sobre o post anterior...

Gosto de voltar aos lugares onde fui feliz.
Sempre que chego a um lugar (dos especiais) sinto-me feliz. Crio uma proximidade tão forte, tal e qual como no primeiro momento.

Gosto de voltar aos lugares onde fui feliz.
Sinto que posso voltar a ter mais e mais momentos destes. Quer nos mesmos, quer noutros sítios diferentes.

Gosto de voltar aos lugares onde fui feliz.
Venho sempre com a esperança renovada. Com o coração cheio...

Gosto de voltar aos lugares onde fui feliz.
Apenas e só porque continuarei a ser feliz, sempre que lá voltar...

Gosto de voltar aos lugares onde fui feliz.
Porque num destes dias em que voltei, fui surpreendida com um reencontro...

domingo, 8 de Março de 2009

Inspirações matinais transformadas em palavras minhas...

Gostar de alguém é apenas partilhar a profundidade do nosso sentir...

sexta-feira, 6 de Março de 2009

E para o fim de semana começar da melhor forma possível (ainda que vá trabalhar), fui mais uma vez desafiada. Desta vez por esta menina.

Parece que tenho de enumerar oito caracteristicas que definam a minha pessoa...
A ver vamos o que sai destes pensamentos...
Aleatóriamente... Ordená-los seria uma tarefa demasiado ardúa...

- Só sou simpática quando quero e para quem quero.
- Sou muito persistente. Quando sei que posso alcançar o pretendido. Não desisto facilmente...
- Sou muito trabalhadora. É o que dizem... E eu também o sei. Ainda hoje o meu dia só termina às 23h... (já estou habituada!).
- Sou muito preocupada com as pessoas que amo. Considero-me boa ouvinte. Adoro conversas em que libertamos todos os fantasmas guardados no armário. Com aquele circulo, muito restrito, que anda sempre controlado (no sentido de saber se está tudo bem).
- Sou complicada. Tenho de perceber tudo muito bem. Há quem me chame lerda (a brincar) por eu querer sempre tudo muito detalhado e sem margem de dúvidas.
- Sou impulsiva. Gostava de melhorar esta caracteristica. Mas também depende dos dias. Depende da situação. Do momento.
- Sou muito carinhosa. Mas é quase como a simpatia. É mesmo só quando quero e com quem quero...
- Sou divertida. Adoro dizer parvoíces, disparates, só mesmo porque sim. Porque me apetece rir. Partilhar risos e sorrisos. E adoro ter quem os partilhe comigo.

Acho que podia dizer mais umas coisas. Mas só pediam 8. Eu cumpro o pedido.
Não desafio ninguém em especial. Podem ser todos aqueles que por aqui passam...

quarta-feira, 4 de Março de 2009

Orgulho e Preconceito, Por Margarida Rebelo Pinto

"O MAIOR inimigo de um amor pleno é o medo. O medo de não ser suficientemente amado, de não amar o suficiente, de não sermos a pessoa que pensamos que o outro quer, o medo da responsabilidade, da rotina, do compromisso, o medo de falhar, de se deixar ir, de amar e de se deixar amar. Mas há outro grande inimigo do amor: o orgulho. Quantas vezes não perdemos quem amamos por teimosia, mania, obsessão por argumentos racionais e orgulho ferido?

O ORGULHO ferido num homem é das maleitas mais difíceis de curar; por mais que ele ame uma mulher, se ela lhe abana o orgulho, vira-se o barco e vai tudo ao fundo. E fazer tremer o orgulho de um homem é mais fácil do que parece. É preciso conhecer bem os homens em geral e cada um em particular para não cometer erros inocentes que podem conduzir a uma derrocada inevitável. Por norma, os homens têm de sentir que são importantes na vida de uma mulher. E se por acaso ganham menos, são menos cultos ou menos viajados, se não dominam a realidade que os rodeia da mesma forma que a mulher, isso pode ser o suficiente para se sentirem inseguros ao lado dela.

A INSEGURANÇA é irmã do orgulho. A Natureza ensinou-nos que a maior parte das espécies animais só ataca sob duas condições: quando tem fome ou quando tem medo. E lá voltamos outra vez ao cerne da questão: o medo está na base das inseguranças, que geram atitudes orgulhosas de defesa, as quais podem revelar-se em gestos de ataque.

Um caso clássico é o do homem que, ao ser rejeitado por uma mulher, trata imediatamente de arranjar outra. Há muitas mulheres que fazem o mesmo, mas não exactamente pelas mesmas razões. Quando uma mulher é rejeitada por um homem e arranja outro, fá-lo para chamar a atenção, como quem diz: ‘Estou aqui, vem cá buscar-me, no fundo é de ti que eu gosto, és tu quem eu quero e de quem preciso ao meu lado’.

Quando um homem sob as mesmas circunstâncias arranja outra mulher, está a passar a mensagem ‘o mundo está cheio de mulheres e portanto não preciso de ti para nada’. Ainda que saiba que no fundo é daquela que precisa, ainda que seja da anterior que gosta e não da nova. Mas há que manter a pose masculina e os códigos de honra de um macho, que se quer ver e ser visto como tal, ditam-_-lhe ao ouvido que não pode voltar atrás, porque isso não representa o triunfo do amor, mas uma derrota pessoal, impensável de superar.

AS MULHERES são infinitamente menos orgulhosas. Para uma mulher voltar atrás não é uma derrota, é uma prova de amor. Conseguimos atirar para trás das costas ou passar uma esponja pelas patifarias ou passos em falso do nosso parceiro em nome de valores mais elevados. Há mulheres que o fazem pelos filhos, pela devoção inabalável do conceito de família, por medo da solidão ou porque simplesmente conseguem perdoar. Quando uma mulher já não consegue perdoar um homem é porque ele já gastou todos os créditos e ela já não consegue ter por ele nenhum respeito. É quando já não esperamos nada das pessoas que elas morrem no nosso coração.

COM os homens não é assim: podemos viver no coração deles para sempre, ainda que mostrem ao mundo que já não nos amam. O orgulho fala mais alto, o preconceito da rejeição acaba por prevalecer no coração de um homem, que tem medo, sobretudo medo de ser rejeitado outra vez."

Não resisti a estas palavras.
Andei a pensar se as devia publicar neste espaço. Mas teve de ser... porque para mim, fazem todo o sentido!

Retirado
Daqui, como sempre!

As minhas pancadas matinais...

Saio de casa e vejo que o estado do tempo se agravou.
A claridade incomoda-me. Mas o céu está negro, carregado de chuva...
Em plena A2, uns raios de claridade fazem com que coloque os meus óculos escuros... Vejo o vizinho do carro ao lado, no mesmo patamar que eu... e penso que não sou assim tão anormalzinha...
Mas todas as outras pessoas olham para mim com ar suspeito... e eu rio-me...
Ao som de uma música que só me faz rir e dançar logo de manhã...

"I like the way you, look at me with those beautiful eyes,
I like the way you, act all surprised,
I like the way you, sing along,
I like the way you, always get it wrong,
I like the way you, clap your hands,
I like the way you, love to dance,
I like the way you, put your hands up in the air,
I like the way you, shake your hair,
I like the way you, like to touch,
I like the way you, stare so much,
but most of all....
Yeah..
most of all....
I like the way you move.....
I like the way you move....."

E sinto-me bem. Sinto que sou diferente.
Especialmente quando chove e eu ando de óculos escuros...

terça-feira, 3 de Março de 2009

As relações, as pessoas e as ligações...

Hoje não escrevo sobre mim.
Como pessoa perspicaz que me considero, não me escapa nada relativamente às pessoas que vivem à minha volta.
Tenho uma amiga que está a passar por uma fase de desassossego. E eu ao pressentir isto, questionei-a sobre o assunto. Só podia ser por causa de um Homem. Por incrível que pareça, quando uma mulher entra em colapso emocional, tem de haver homem no caminho…
Tal como ela costuma dizer: “Não entendo nada disto. Juro que não…” E eu, estática a ouvi-la e a minha cabeça a projectar este texto em piloto automático.
Já tinha falado com outras pessoas que viveram histórias parecidas.
Esta minha amiga tem uma “pessoa proibida” na vida dela. E como definir este conceito?!
Define-se da seguinte forma, é uma pessoa que já tem a vida organizada matrimonialmente. No entanto, há ali um misto de sentimentos, de químicas e afins que fazem com que a par do matrimónio, haja ali toda uma atracção entre opostos. Haja uma ligação que não tem definição ou tradução possível.
Mas o que é certo é que existe. E de uma forma que incomoda.
Estas histórias não são novas e existem por todo o lado e com muitas pessoas, cuja vida pensamos ser normal, pacata, sem grandes distúrbios emocionais. Só que há sempre alterações.
A minha amiga confessava-me na primeira pessoa: “Não sei o que é isto. Juro que não. Mas é uma ligação física muito forte. Sei que é errado, sei que é difícil lidar com este misto de sentimentos. Não sei como evitar. Tento afastar-me durante dias e dias, mas depois ele volta a procurar-me ou sou eu que não resisto e tudo o que havia sido dito, não tem qualquer valor, e a ansiedade volta a estar à flor da pele e só me apetece estar com ele!”.
Admirei a forma como ela também assumiu a sua culpa. Não foi hipócrita ao ponto de se fazer de vítima e dizer que só ele é que está a agir mal… Nestes casos, são sempre os dois envolvidos os responsáveis pela situação, apenas e só porque são movidos pelos sentimentos contraditórios que os assombram com uma enorme intensidade. E posto isto, alimentam uma “Relação”, ou melhor dizendo uma “Ralação”, se é que se pode catalogar desta forma…
E eu fico a ouvir. Em silêncio e a imaginar aquele cenário. Entendendo-a, porque eu também sei que não escolhemos as pessoas com quem nos identificamos, não escolhemos as pessoas que admiramos, não escolhemos as pessoas que mexem connosco, ao ponto de fazermos e dizermos coisas que vão contra tudo o que é certo, pondo em causa todos os valores que queremos manter na nossa vida. Consigo entendê-la na perfeição. Eu própria já senti dualidades, já tive experiências menos normais com homens que passaram na minha vida…
Acho que o ser humano é, posto à prova tantas vezes nas mais variadas situações do dia a dia. As opções são nossas, eu sei e ela sabe disso e foi o que lhe transmiti, podendo garantir-lhe apenas, que houvesse o que houvesse eu estava ali. Com a minha amizade, com o meu apoio e com o meu ombro para ela chorar, sempre que quisesse.
Nem sei se está apaixonada ou se é apenas aquele jogo de sedução que a motiva a alimentar esta situação. Honestamente não sei, e ela não me soube responder.
Quem sou eu para julgá-la? Ainda hoje de manhã ouvi na Best-Rock uma ouvinte a dizer e bem, quem somos nós para perdoar? Da mesma forma que não somos ninguém para criticar ou apontar o dedo. As vidas são o que são. São aquilo que por vezes podem ser e nada mais do que isso. Entre tumultos e águas calmas, tentamos andar aqui da melhor forma possível.
Guiados sabe deus pelo quê, ou porquê. Tantas vezes dizemos que isto ou aquilo é uma coincidência… ou não há coincidências?...
Eu, ao assistir à minha própria vida e à dos que me rodeiam, tento aprender o máximo, dar a minha mais honesta opinião e apoiar. Porque nunca saberemos como será o momento seguinte.
E todos temos telhados de vidro, há que protegê-los e não atirar pedras, porque nunca sabemos se algumas nos poderão cair em cima…